BASF quer acelerar investimentos com operação agrícola independente

Às vésperas do IPO da divisão agrícola na Bolsa de Frankfurt, previsto para o próximo ano, a BASF concluiu a criação de uma empresa dedicada exclusivamente aos negócios agro no Brasil. Segundo a diretora de Marketing da BASF no Brasil, Graciela Mognol, a mudança faz parte de uma estratégia global para tornar a operação mais ágil, ampliar investimentos e acelerar a inovação para os produtores rurais.

A mudança foi formalizada em 1º de julho de 2026, quando a operação passou a atuar oficialmente como BASF Agriculture Solutions Brasil. A alteração foi anunciada publicamente pelo vice-presidente da divisão agrícola da empresa, Marcelo Batistela, em uma publicação no LinkedIn.

“Esse é um movimento muito natural do agro se tornar independente dentro da BASF”, disse Mognol, em entrevista à CNN Agro. Segundo a executiva, a separação da divisão agrícola é um movimento que ocorre simultaneamente em diversos países.

“Nosso principal objetivo é nos tornarmos mais rápidos, mais ágeis e muito mais focados em todos os nossos investimentos para levar cada vez mais inovação”, afirmou. Segundo ela, a expectativa é que a nova estrutura facilite a captação de recursos para o desenvolvimento de novas moléculas, sementes, características genéticas (traits) e ferramentas digitais voltadas aos produtores rurais.

A executiva destacou ainda a relevância do mercado brasileiro para a estratégia da companhia. “O Brasil é um país-chave para a gente, e temos convicção de que esse movimento vai nos ajudar nisso”, disse.

A criação de uma pessoa jurídica exclusiva para o negócio agrícola representa mais uma etapa de um processo iniciado em 2024, quando a companhia informou que estudava desmembrar sua divisão agrícola em uma empresa autônoma.

Em outubro de 2025, a BASF detalhou a estratégia para a operação e estabeleceu como meta concluir a preparação para a listagem em bolsa em 2027. Posteriormente, confirmou que o IPO ocorrerá na Bolsa de Frankfurt e que o grupo alemão manterá participação majoritária na nova companhia, liderada pelo atual presidente da divisão agrícola, Livio Tedeschi.

Safra desafiadora

Na entrevista, Graciela também comentou o cenário para a safra 2026/27, que classificou como mais desafiador diante do comportamento do mercado e das condições climáticas.

Segundo ela, os produtores têm postergado as decisões de compra para mais perto do início do plantio. “É fato: o produtor está deixando a tomada de decisão mais próxima do plantio. Estamos chegando na porta da safra 2026/27, um ano mais desafiador”, afirmou.

Ao mesmo tempo, a executiva defendeu que o planejamento antecipado continua sendo um fator importante para reduzir riscos. Ela afirmou que os agricultores já convivem com fenômenos como El Niño e La Niña e precisam definir estratégias considerando as perspectivas climáticas para cada região, como o escalonamento do plantio, a escolha de materiais genéticos e a adoção de medidas para enfrentar maior pressão de pragas e doenças.

“É só produzindo mais que a gente vai conseguir minimizar todo e qualquer impacto da safra. É no detalhe que a gente vai ganhar toda e qualquer safra que se apresentar mais desafiadora”, disse.

Além da oferta de produtos e serviços, a executiva disse que a BASF tem ampliado o uso de instrumentos financeiros para apoiar o custeio da produção, com a “missão de financiar a safra” em meio a um cenário de crédito mais restrito. Entre as alternativas citadas estão operações de barter, FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios) e Fiagros, com o objetivo de reduzir os impactos financeiros enfrentados pelos produtores durante a safra.

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