Brasil deve perder posto de 2º exportador de milho para Argentina em 2025/26


O Brasil deverá perder o posto de segundo exportador global de milho para a Argentina em 2025/26, à medida que o país vizinho está competitivo após uma grande safra, enquanto exportadores brasileiros enfrentam dificuldades de embarques para o Irã, tradicionalmente um grande importador, avaliou nesta terça-feira (22) a Hedgepoint Global Markets em uma conferência online.

As exportações brasileiras em 2025/26 estão estimadas pela Hedgepoint em 43 milhões de toneladas, enquanto as argentinas estão projetadas em 45 milhões de toneladas no mesmo período, segundo números da empresa de consultoria e gerenciamento de riscos.

Os dados estão em linha com as estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Leia também: Preço do milho cai ao menor nível em 8 meses com comprador afastado

O último ano em que o Brasil exportou menos que a Argentina foi em 2020/21, quando os embarques brasileiros somaram 20,85 milhões de toneladas, enquanto os da Argentina atingiram 40,9 milhões, segundo dados históricos do USDA. O mercado global de exportação do cereal é tradicionalmente liderado pelos EUA. 

“Acho que a Argentina pode ganhar ‘share’ especialmente do Brasil em 25/26, por preços mais competitivos”, declarou Luiz Fernando Roque, especialista da Hedgepoint.   

Ele disse ainda que as exportações de milho do Brasil em 2025/26 podem ser reduzidas por menores compras do Irã em meio à guerra, além da forte concorrência dos Estados Unidos.

A estimativa atual ainda indica um aumento no comparativo com o ciclo anterior, quando o Brasil exportou 41,1 milhões de toneladas, segundo números da empresa de análises.

Em 2025, o Brasil chegou a embarcar 9 milhões de toneladas para o Irã, sendo o principal destino. “O Irã não comprou nada em junho, o conflito pode atrapalhar”, disse.

Continua depois da publicidade

As exportações brasileiras de milho geralmente ganham força no segundo semestre.

Na primeira parte do ano, o Irã foi destino de cerca de 1,5 milhão de toneladas do cereal brasileiro, contra 2,3 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados da consultoria.

Leia também: Como o Brasil pode ganhar com fim de restrição do etanol na gasolina nos EUA

Continua depois da publicidade

Fator etanol

O especialista disse considerar que a condição da Argentina como segundo exportador global deve ser conjuntural para o quadro de 2025/26, diante da grande safra.

Mas disse também que a “demanda crescente por etanol no Brasil é um fator fundamental”.

O mercado interno brasileiro tem absorvido cada vez mais milho, principalmente pelo aumento da produção de etanol, notou a empresa de análises.

Continua depois da publicidade

A Hedgepoint estima que o consumo de milho para etanol no Brasil deverá crescer 5,5 milhões de toneladas em relação a 2025, para 28,5 milhões de toneladas. Enquanto o consumo para ração animal deverá aumentar 200 mil toneladas na mesma comparação, para 61,2 milhões de toneladas.

Roque chamou a atenção para recente decisão do governo brasileiro de aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.

Ainda que seja uma medida provisória, o E32 poderia adicionar mais 1,5 milhão de toneladas no consumo de milho para etanol, disse ele.

Continua depois da publicidade

A Hedgepoint estima a safra brasileira de milho em 2025/26 em 140,3 milhões de toneladas, versus 140,5 milhões no ciclo passado. O USDA estima a safra brasileira 2026/27 em 139 milhões de toneladas.



Veja matéria completa!

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.