Facções criminosas avançam sobre o mercado de agrotóxicos e mancham a reputação do agro


O avanço do crime organizado sobre o mercado de agrotóxicos, está se tornando grave para todo o agronegócio brasileiro. Investigações recentes do Ministério Público revelaram que facções como o PCC atuam em redes de contrabando, falsificação e venda ilegal de defensivos agrícolas. São esquemas sofisticados, com núcleos especializados em rótulos, galões, notas fiscais fraudulentas e importações clandestinas vindas de países vizinhos e até da China.

A questão vai muito além do uso de um produto mais barato. O produtor que adquire insumos de origem ilícita não só coloca em risco a eficácia da lavoura e a saúde do aplicador, como também compromete a segurança alimentar, contamina solos e águas e expõe o setor a escândalos de reputação.

O barato pode sair caríssimo: multas, apreensões, perda de certificações e até processos criminais. Mais grave ainda, ao comprar de procedência duvidosa, o agricultor pode ser enquadrado como cúmplice da atividade criminosa, carregando para si uma pecha que atinge toda a categoria.

O agronegócio brasileiro não pode permitir que sua imagem seja manchada por atalhos criminosos. O setor, que construiu reconhecimento internacional pela produtividade e pela tecnologia, corre o risco de ver sua credibilidade arruinada se deixar a porta aberta para práticas ilegais. É preciso que os produtores compreendam que cada compra é também um ato de responsabilidade: verificar a origem, exigir nota fiscal idônea, checar embalagens e selos, comprar apenas de canais oficiais.

O crime organizado é como um gás: ocupa todos os espaços que encontra. E quando explode, a destruição é irreversível. Se o agro permitir que esse veneno infiltre suas raízes, não haverá como reverter os danos à credibilidade, à saúde e ao futuro do setor.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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