Na COP, o consenso é o verdadeiro protagonista das decisões sobre o clima, diz especialista



A Conferência do Clima, conhecida como COP, pode parecer à primeira vista uma grande feira internacional sobre meio ambiente, mas na prática funciona como uma engrenagem diplomática complexa.

Segundo o Head of Agribusiness, Renato Rodrigues, a COP é um processo contínuo de negociação global, onde cada palavra e vírgula são discutidas para construir acordos que transformem ciência em política e política em ação.

A COP, explica Rodrigues, não é apenas um evento anual, mas um processo de consenso entre os países que integram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

“O consenso é a sua maior fragilidade, mas também é a sua maior força, porque é com base no sistema multilateral que esse processo de discussão, de debate, de diálogo, ganha muita força e consegue construir uma posição em comum com todos os países que são signatários da convenção”, destaca.

O especialista detalha que o funcionamento da conferência é coordenado por um secretariado sediado em Bonn, na Alemanha, e presidido de forma rotativa pelo país anfitrião. No caso da COP30, que será realizada no Brasil, o país assume também a presidência das negociações até o próximo ano.

Dentro da estrutura, dois órgãos técnicos são responsáveis por apoiar o trabalho diplomático: o SBSTA (do inglês Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice), que trata das bases científicas e tecnológicas, e o SBI (do inglês Subsidiary Body for Implementation), voltado à implementação e transparência.

Durante as duas semanas de conferência, plenárias, reuniões e grupos de contato ocorrem simultaneamente para buscar acordos em torno de cada trecho dos textos oficiais.”Diferente de outros fóruns internacionais, a COP não vota. Cada decisão é adotada apenas quando há consenso, ou seja, quando ninguém se opõe explicitamente”, explica Rodrigues.

Equilíbrio de interesses globais

Cada decisão aprovada na Conferência do Clima é fruto de um delicado equilíbrio entre interesses nacionais e globais. Durante as negociações, cada bloco representa dezenas de países, o que exige diálogo constante e muita diplomacia para alcançar um consenso.

Por isso, antes de levar suas propostas à COP, os governos consultam cientistas e especialistas de diferentes áreas, construindo uma posição oficial que reflete suas prioridades e responsabilidades.

A conferência se torna, assim, um verdadeiro exercício de convivência, onde nações com realidades distintas buscam um objetivo comum, preservar o clima e garantir o futuro do planeta.

COP no Brasil

Para o especialista, presidir uma COP representa muito mais do que organizar um grande evento internacional, é liderar o diálogo global sobre o futuro do planeta. “O Brasil tem uma longa trajetória na diplomacia do clima. Foi protagonista na Rio 92, teve papel-chave em Kyoto e no Acordo de Paris. Agora, com a presidência da COP, tem a missão de restaurar a confiança no processo multilateral e conduzir o mundo à etapa da implementação”, destaca.

As negociações da conferência são, acima de tudo, um exercício de humanidade, a demonstração de que, mesmo com interesses diferentes, os países ainda são capazes de dialogar em busca de soluções para o clima global.



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