A cidade de Dourados começa instalar, a partir desta sexta-feira (27), um novo reforço tecnológico no combate ao mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como a Febre Chikungunya.
A estratégia envolve a implantação das chamadas EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida), uma espécie de “armadilha inteligente” que utiliza o próprio comportamento do mosquito para ampliar o alcance do controle químico.
A primeira unidade será instalada na região do Jardim Jóquei Clube, bairro com maior número de casos notificados da doença no município.
O primeiro lote das armadilhas chegou na tarde de quinta-feira (26), permitindo o início imediato da ação.
A instalação inicial ocorre na Rua Alfenas, nas proximidades da Escola Municipal Professora Clori Benedetti de Freitas.
Implantação gradual e áreas prioritárias
A distribuição das EDLs será feita de forma progressiva, conforme novos lotes forem entregues à cidade. Ao todo, a previsão é de que mil estações sejam instaladas em regiões classificadas como de alto risco pela Ministério da Saúde.
Entre os bairros prioritários estão Jóquei Clube, Santa Felicidade, Santa Fé, Novo Horizonte, Parque do Lago e Piratininga.
A definição dessas áreas tem como base dados do sistema municipal de monitoramento epidemiológico, que apontam maior incidência de notificações nesses locais.
Pressão nas unidades de saúde
Dados recentes indicam aumento significativo na procura por atendimento.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jóquei Clube lidera com 140 casos suspeitos registrados. Na sequência aparecem as unidades da Seleta (56), Parque do Lago II (43), Piratininga (39) e Novo Horizonte (21).
Embora a maior concentração de notificações esteja na área urbana, a situação mais grave ocorre na Reserva Indígena, onde já foram confirmados cinco óbitos relacionados à doença. Diante disso, a Força Nacional do SUS direcionou equipes para reforçar o atendimento, com o envio de 20 agentes de endemias.
Como funcionam as armadilhas
As EDLs são recipientes com água e um larvicida em pó fino, posicionados em locais estratégicos.
Ao pousar na armadilha para depositar ovos, a fêmea do mosquito entra em contato com o produto e passa a transportá-lo para outros criadouros.
Esse mecanismo transforma o próprio inseto em agente de disseminação do larvicida, ampliando o alcance da ação e atingindo focos que muitas vezes não são facilmente identificados.
Ação complementar
As autoridades de saúde reforçam que a nova tecnologia não substitui as medidas tradicionais de prevenção. O trabalho dos Agentes de Controle de Endemias e a eliminação de recipientes com água parada continuam sendo fundamentais para conter a proliferação do mosquito.
A expectativa é de que a combinação entre tecnologia e participação da população ajude a reduzir o avanço da doença no município.
Foto: Wesley Weber



