Onda de calor na França mata milhares de aves em granjas

A onda de calor que atinge a França já provocou a morte de centenas de milhares de aves, segundo estimativas do setor avícola. As temperaturas ultrapassam os 40°C em diversas regiões do país, o que levou o governo francês e o Ministério da Agricultura a anunciarem medidas emergenciais para produtores rurais, rebanhos e lavouras.

As autoridades meteorológicas classificaram o episódio como um fenômeno “amplo, duradouro e intenso”. 

A França é o terceiro maior produtor de aves da União Europeia, atrás da Polônia e da Espanha.

Na região da Bretanha, a Direção Regional de Agricultura, Alimentação e Florestas autorizou o uso de um procedimento de enterramento de animais mortos após a identificação de casos de mortalidade em massa em granjas de aves. A medida não era adotada desde a onda de calor de 2003.

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou em comunicado que o governo tem adotado medidas para proteger agricultores, animais e plantações diante do aumento de eventos climáticos extremos. Segundo ela, as ações estão relacionadas também à segurança alimentar e à manutenção da produção agrícola nacional.

Entre as medidas anunciadas está a flexibilização das regras para uso de áreas em pousio, permitindo o corte da vegetação para produção de forragem sem perda de subsídios da Política Agrícola Comum em 2026. A medida também busca reduzir o risco de incêndios em áreas agrícolas, que têm se intensificado em diferentes regiões do país.

O Ministério da Agricultura informou ainda que áreas em pousio poderão manter sua classificação como infraestrutura agroecológica mesmo após o corte da vegetação, quando a ação estiver vinculada à prevenção de incêndios.

O governo também orientou sindicatos rurais, câmaras de agricultura e instituições técnicas a reforçarem a comunicação com produtores sobre práticas de manejo em períodos de calor extremo.

Há preocupação adicional com atividades de colheita e corte de culturas, que podem elevar o risco de incêndios em um contexto de seca e altas temperaturas.

Como medida complementar, a ministra determinou o adiamento de inspeções em propriedades rurais localizadas em departamentos sob alerta vermelho, com retomada prevista após o fim do alerta.

Além das perdas na avicultura, o calor intenso também afeta bovinos, suínos e outras criações, com aumento do estresse térmico, maior consumo de água e redução do desempenho produtivo. Nas lavouras, produtores enfrentam riscos de déficit hídrico, queda de produtividade e danos às culturas.

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