Tarifa dos EUA sobre sebo bovino deve ter impacto limitado nas exportações

O sebo bovino brasileiro passou a integrar a lista de produtos atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos. O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) incluiu o produto entre os itens sujeitos à tarifa adicional de 50% sobre as importações brasileiras, ampliando o alcance das medidas comerciais impostas pelo governo norte-americano.

Apesar da nova cobrança, analistas avaliam que o impacto imediato sobre os embarques brasileiros tende a ser limitado. Segundo Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, a principal razão é que o sebo bovino brasileiro continua competitivo em relação ao produto comercializado no mercado norte-americano.

“Conversamos com alguns agentes do setor e a expectativa é de que, de imediato, não ocorra um impacto direto na exportação brasileira diante da manutenção da competitividade em relação ao preço nos Estados Unidos”, afirmou.

De acordo com Fabbri, atualmente o sebo bovino é negociado nos Estados Unidos entre US$ 1,70 e US$ 1,90 por quilo, enquanto o preço médio de exportação do produto brasileiro gira em torno de US$ 1,15 por quilo.

Mesmo com a incidência da tarifa adicional, o preço de exportação brasileiro subiria para cerca de US$ 1,40 por quilo, permanecendo abaixo da referência praticada no mercado norte-americano.

“Mesmo com esse acréscimo, o preço de venda em dólares permaneceria inferior ao valor de referência do principal comprador, que são os Estados Unidos. Por isso, não deve haver um impacto imediato”, explicou o analista.

Levantamento da Fiemt (Federação das Indústrias de Mato Grosso) reforça que o sebo bovino está entre os produtos mais expostos às novas tarifas. A entidade aponta que a maior parte da exposição do estado está concentrada em apenas dois itens, sendo sebo bovino e gelatinas e seus derivados, que juntos representam 97,3% do valor das exportações mato-grossenses identificadas como sujeitas à nova tarifa.

Em valores, as exportações de sebo bovino somam cerca de US$ 10,7 milhões, enquanto gelatinas e seus derivados representam aproximadamente US$ 1,72 milhão.

Apesar da forte dependência do mercado norte-americano para esses produtos, especialmente no caso do sebo bovino, a Fiemt avalia que a presença de compradores consolidados em outros mercados pode reduzir os impactos da medida. Entre os principais destinos alternativos estão Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Argentina, Reino Unido, México e Austrália, que já importam o produto brasileiro e podem ajudar a absorver parte da oferta caso haja redução das compras pelos Estados Unidos.

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