Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro da soja com vencimento em novembro encerrou a sessão desta segunda-feira (20) com alta de 1,93%, cotado a US$ 12,26 por bushel.
Segundo a Agrinvest, o mercado foi sustentado por uma combinação de fatores positivos, levando a uma valorização generalizada ao longo da curva de vencimentos. Os maiores ganhos foram registrados nos contratos de novembro de 2026 e janeiro de 2027, que refletem a safra norte-americana e o início da comercialização da safra brasileira.
Na avaliação da consultoria, há um conjunto de fundamentos favoráveis que não era observado há bastante tempo. Diante desse cenário, a expectativa é de que as cotações permaneçam acima do patamar de US$ 12 por bushel, com possibilidade de novos avanços.
Além dos fundamentos da soja em grão, o mercado também encontra suporte no comportamento dos derivados. Nos Estados Unidos, as margens de esmagamento seguem em níveis elevados, aumentando a disputa entre as indústrias processadoras e as tradings pela compra da matéria-prima. Com isso, os prêmios pagos no mercado interno norte-americano vêm registrando forte valorização, reduzindo a disponibilidade de soja para exportação.
A Agrinvest ainda pontua que no mercado interno também segue aquecido. A procura por soja com padrão de exportação no interior do país tem intensificado a concorrência entre compradores, impulsionando os preços.
Outro fator de sustentação é o desempenho das exportações norte-americanas de farelo de soja. Na atual temporada, os embarques do derivado superam em mais de 2 milhões de toneladas os registrados no mesmo período do ciclo anterior, reforçando a demanda pelo processamento da oleaginosa e contribuindo para a firmeza das cotações.
Milho
No mercado do milho, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou a sessão com alta de 1,18%, cotado a US$ 4,73 por bushel.
As cotações foram impulsionadas pelas condições mais secas no Meio-Oeste dos Estados Unidos, principal região produtora do país. O clima aumentou as preocupações dos investidores em um momento considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras, dando suporte aos preços na Bolsa de Chicago.
Outro fator de sustentação veio da demanda externa. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que exportadores norte-americanos fecharam a venda de 100 mil toneladas de milho para a Colômbia, com entrega prevista para a temporada 2026/27, reforçando o ritmo das exportações e contribuindo para o avanço das cotações.
Trigo
O contrato futuro do trigo com vencimento em setembro encerrou a sessão com queda de 1,28%, cotado a US$ 6,74 por bushel.
Apesar do recuo no fechamento, o mercado segue atento aos riscos para a oferta global do cereal. Nas últimas sessões, os preços chegaram ao maior patamar da semana, refletindo o aumento das tensões geopolíticas envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional.
Além do cenário geopolítico, a perspectiva de menor oferta também continua dando suporte ao mercado. O USDA estima que a colheita de trigo de inverno do país será a menor desde 1965, com produção de 1,048 bilhão de bushels, volume 25% inferior ao registrado no ano anterior. Apenas a produção de trigo vermelho de inverno nas Grandes Planícies deverá recuar 36%.
No cenário internacional, a Austrália também revisou para baixo sua estimativa para a safra de trigo de 2026. Segundo levantamento da Topstep, divulgado em 17 de julho, a previsão de produção foi reduzida em 30%, diminuindo a oferta de um dos principais exportadores mundiais e reforçando as preocupações com a disponibilidade global do cereal.



