A soja encerrou a sessão desta terça-feira (18) em alta na Bolsa de Chicago, apoiada por expectativas de aumento das compras chinesas da nova safra norte-americana e por sinais de deterioração das lavouras dos Estados Unidos.
O contrato futuro para entrega em novembro avançou 0,66% e fechou cotado a US$ 12,16 por bushel.
Segundo a Granar, o mercado também encontrou suporte no relatório semanal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que apontou piora nas condições da safra. O avanço dos trabalhos da ProFarmer Crop Tour também esteve no radar dos investidores.
No primeiro dia da avaliação, realizada em Ohio, a contagem de vagens em parcelas de 90 por 90 centímetros ficou em 1.197,25, abaixo das 1.287,28 vagens registradas na edição de 2025 e da média de 1.256,71 das três safras anteriores.
Na Dakota do Sul, a contagem foi ainda menor e o levantamento encontrou 945,98 vagens por parcela, contra 1.188,45 no ano passado e média de 1.075,78 nas três safras anteriores.
Nesta terça-feira, o segundo dia da ProFarmer Crop Tour concentrou as avaliações em lavouras de Indiana e Nebraska. Os resultados seguem sendo acompanhados pelo mercado como um indicador adicional do potencial produtivo da safra norte-americana.
Além das condições das lavouras, a soja também recebeu suporte de um relatório mensal de esmagamento, que mostrou processamento elevado e estoques de óleo abaixo do esperado. As restrições às exportações de óleo de girassol na região do Mar Negro também podem abrir espaço para maior demanda pelo óleo de soja, especialmente em mercados como a Índia.
Milho
A pressão das vendas de milho da safra antiga nos Estados Unidos limitou as cotações da commodity nesta sessão. O movimento ocorre após dois pregões consecutivos de alta e também refletiu a realização de lucros por parte dos investidores.
Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,33% e encerrou o dia cotado a US$ 4,88 por bushel.
Segundo a Granar, produtores norte-americanos aproveitaram a recente valorização dos preços para aumentar a comercialização dos estoques da safra anterior, contribuindo para a queda da cotação.
Apesar do recuo, o mercado encontra suporte na piora das condições das lavouras dos Estados Unidos apontada pelo USDA no relatório semanal divulgado na segunda-feira.
Os investidores também acompanham os resultados da ProFarmer Crop Tour, que nesta terça-feira realiza avaliações em plantações de Nebraska e Indiana. Os dados da expedição podem trazer novas indicações sobre o potencial produtivo da safra norte-americana de 2026/27.
No cenário internacional, as perspectivas desfavoráveis para a produção de milho na União Europeia também ajudam a limitar a pressão sobre os preços.
Outro ponto de atenção é a situação da Ucrânia. O país enfrenta dificuldades para manter as exportações em meio à escalada das tensões com a Rússia, que tem atingido instalações portuárias no Mar Negro e no rio Danúbio, importantes rotas para o escoamento de grãos.
Trigo
O trigo terminou o dia em queda nos mercados norte-americanos, pressionado pela realização de lucros após as recentes altas da commodity.
Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro recuou 1,16% e fechou cotado a US$ 6,81 por bushel.
Segundo a Granar, o movimento ocorre enquanto a colheita de trigo de inverno avança no Hemisfério Norte e reduz a demanda no mercado internacional, já que muitos países importadores também estão em período de colheita.
Apesar da pressão sobre os preços, o mercado segue atento às condições de comercialização no Mar Negro. O conflito entre Rússia e Ucrânia tem restringido o transporte agrícola nos mares Negro e de Azov e no rio Danúbio, enquanto a segurança da navegação e a infraestrutura portuária dos dois países continuam sob risco.
A consultoria ucraniana UkrAgroConsult alertou que interrupções prolongadas no transporte marítimo podem levar Rússia e Ucrânia a perder parte de seus mercados tradicionais de grãos na África, no Oriente Médio e na Ásia.
Segundo a empresa, importadores que não conseguirem contar com uma oferta estável do Mar Negro poderão buscar fornecedores alternativos, criando oportunidades para países como Austrália, Argentina, Estados Unidos, Canadá e integrantes da União Europeia.
O período entre agosto e dezembro é considerado especialmente importante para as exportações da região. Além disso, a chegada das novas safras da Austrália e da Argentina no fim do ano pode aumentar a concorrência e permitir que esses países ampliem sua participação em mercados tradicionalmente abastecidos por Rússia e Ucrânia.



