Soja avança 118% na região de Santarém (PA) e já ocupa 61% da área plantada

A área plantada com soja na Região Metropolitana de Santarém, no oeste do Pará, cresceu 118% entre 2017 e 2024, segundo estudo divulgado pelo Instituto Escolhas. Com a expansão, o grão passou a responder por 61% de toda a área agrícola dos municípios de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos.

De acordo com o levantamento, a região metropolitana registrou aumento de 74 mil hectares na área plantada no período. Além da soja, o milho também ganhou espaço, com crescimento de 83% na área cultivada. O avanço das duas culturas ocorreu ao mesmo tempo em que houve redução da produção de alimentos tradicionalmente cultivados na região.

A área destinada à mandioca, por exemplo, recuou 72% entre 2017 e 2024, enquanto o cultivo de arroz diminuiu 42%. Os dados fazem parte do estudo “Belém e Santarém: os dois caminhos da alimentação no Pará”, divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Escolhas.

O cenário encontrado em Santarém é diferente do observado na Região Metropolitana de Belém, formada por oito municípios. Embora a área plantada tenha aumentado 45% em oito anos, a expansão não alterou de forma significativa o perfil agrícola da região, que continua concentrado em culturas como açaí, mandioca, dendê e cacau.

O levantamento faz parte de uma série do Instituto Escolhas sobre os sistemas alimentares das regiões metropolitanas dos nove estados que integram a Amazônia Legal. A pesquisa é um desdobramento do estudo “Muita soja e pouca mandioca: a alimentação nas regiões metropolitanas da Amazônia Legal”, publicado em agosto.

Segundo o Instituto Escolhas, todos os municípios das duas regiões metropolitanas do Pará aderiram ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). A entidade, porém, afirma que a adesão ainda precisa ser acompanhada pela elaboração e execução dos planos de segurança alimentar e pela destinação de recursos públicos para a área.

Para Juliana Luiz, diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas, o levantamento pode contribuir para uma discussão mais estratégica sobre a alimentação nos centros urbanos do Pará.

“Nosso estudo pode contribuir com um olhar mais estratégico para a alimentação desses centros urbanos, servindo como um alerta para a implementação e execução da agenda da segurança alimentar nos municípios e estados”, afirma.

O estudo também aponta que 103 mil famílias inscritas no Cadastro Único estão em situação de risco de insegurança alimentar grave nas regiões metropolitanas de Belém e Santarém, segundo os dados analisados pela entidade.

Entre as medidas propostas pelo Instituto Escolhas estão a inclusão da alimentação como função pública de interesse comum nos planos de desenvolvimento das regiões metropolitanas, com participação social, além da garantia de recursos orçamentários para o abastecimento e para ações relacionadas à alimentação saudável e sustentável.

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