As importações de milho da União Europeia cresceram 40% na temporada 2026/27, alcançando 6,64 milhões de toneladas entre o início de julho e 18 de outubro. Apesar do aumento da demanda, as compras de milho brasileiro diminuíram, enquanto Estados Unidos e Ucrânia ampliaram os volumes destinados ao bloco.
Segundo a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a expansão das aquisições ocorre após uma seca severa prejudicar as lavouras europeias. O boletim aponta a perspectiva de que a produção regional do cereal seja a menor desde 2000, elevando a necessidade de abastecimento externo.
Estados Unidos ampliam vendas de milho ao mercado europeu
Os Estados Unidos se destacaram no atendimento à demanda adicional da União Europeia. No período analisado, o bloco adquiriu 2,9 milhões de toneladas de milho norte-americano, ante aproximadamente 900 mil toneladas na mesma etapa da temporada anterior.
O resultado representa um volume superior ao triplo do registrado um ano antes e coloca os norte-americanos na liderança entre os fornecedores citados no levantamento.
A Ucrânia também ampliou sua presença no mercado europeu. As compras do cereal ucraniano passaram de 770 mil para 1,62 milhão de toneladas, mais que dobrando na comparação anual.
Compras de milho brasileiro caem para 1,82 milhão de toneladas
O Brasil seguiu na direção oposta à dos concorrentes. As importações europeias de milho brasileiro recuaram de 2,74 milhões para 1,82 milhão de toneladas, uma redução de aproximadamente 33,6%.
Mesmo com a queda, o país permaneceu como o segundo maior fornecedor do cereal à União Europeia, atrás dos Estados Unidos e à frente da Ucrânia, conforme os volumes apresentados pela CEEMA.
Os números mostram uma mudança na distribuição das compras do bloco: o aumento da necessidade de importação veio acompanhado de maior espaço para o produto norte-americano e ucraniano, enquanto o milho brasileiro perdeu participação.
Milho em Chicago recua apesar da maior demanda europeia
A expansão das importações da União Europeia não impediu a queda dos contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago. Segundo o boletim, o primeiro vencimento encerrou o pregão de 22 de outubro a US$ 4,60 por bushel, abaixo dos US$ 4,78 registrados uma semana antes.
A CEEMA relaciona a pressão sobre as cotações ao avanço da colheita nos Estados Unidos, que mantém a entrada da nova safra entre os principais fatores acompanhados pelo mercado.
Na série diária apresentada no levantamento, a cotação caiu de US$ 4,74 por bushel em 16 de outubro para US$ 4,60 no dia 22. A média semanal ficou em US$ 4,65 por bushel.
Colheita dos Estados Unidos chega a 44% da área
Até 18 de outubro, a colheita norte-americana de milho havia alcançado 44% da área semeada, abaixo da média histórica de 52% para o período.
Mesmo com o atraso, o avanço dos trabalhos continuava pressionando as negociações em Chicago. O mercado reunia, assim, dois movimentos distintos: maior necessidade de compras externas pela União Europeia e pressão sazonal da colheita dos Estados Unidos sobre os preços internacionais.



