Fertilizantes: ureia sobe a até US$ 488 por tonelada, enquanto MAP e potássio têm compras lentas

Fertilizantes: ureia sobe a até US$ 488 por tonelada, enquanto MAP e potássio têm compras lentas

O mercado de fertilizantes apresenta movimentos distintos entre os principais nutrientes utilizados na agricultura brasileira. Enquanto a ureia granulada registra valorização, pressionada pelos custos de produção e por restrições logísticas internacionais, o fosfato monoamônico (MAP) e o cloreto de potássio (MOP) encontram resistência para avançar diante do ritmo lento das compras.

Segundo a quarta edição do Nobel Report Agro, de outubro de 2026, a faixa de referência da ureia granulada passou de US$ 464–482 para US$ 476–488 por tonelada, na condição CFR Brasil, que inclui custo e frete até o porto de destino.

O levantamento retrata um período de cautela dos compradores brasileiros antes do segundo turno das eleições de 25 de outubro. Crédito restrito, juros elevados e incertezas cambiais também limitaram os negócios, mesmo com a necessidade de planejamento das próximas aplicações.

Ureia sobe com gás mais caro e restrições na oferta

A valorização da ureia ocorreu apesar da demanda brasileira enfraquecida, indicando que a pressão partiu principalmente do mercado internacional.

De acordo com o relatório, o gás natural TTF, referência europeia, superou 90 euros por megawatt-hora em 20 de outubro. Com isso, o custo estimado de produção de ureia no noroeste da Europa atingiu aproximadamente US$ 740 por tonelada, ante US$ 678 na semana anterior.

O documento também aponta cortes na produção europeia e dificuldades no transporte de cargas pelo Golfo como fatores de sustentação dos preços.

No Brasil, os negócios com ureia granulada ocorreram entre US$ 475 e US$ 490 por tonelada. Ofertas chinesas apareceram entre US$ 470 e US$ 475 em Aratu e Paranaguá, mas com disponibilidade limitada. Já os produtos do Catar e da Nigéria foram ofertados entre US$ 485 e US$ 500.

Compras da Índia podem influenciar novas negociações

O comportamento da Índia permanece entre os principais fatores de atenção. No leilão de 7 de outubro, o país buscava adquirir 1,7 milhão de toneladas de ureia, mas comprou apenas 410 mil toneladas, segundo a Nobel Trading.

A expectativa apresentada no relatório é de uma nova concorrência entre o fim de outubro e meados de novembro. O resultado poderá influenciar tanto os preços internacionais quanto o direcionamento da oferta chinesa.

Por outro lado, os estoques indianos elevados podem reduzir a urgência de novas aquisições. O levantamento estima reservas entre 6,8 milhões e 8,1 milhões de toneladas no país.

Importações menores e logística exigem planejamento

A programação de navios para outubro e novembro reúne aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia, conforme o relatório.

Ainda assim, as importações brasileiras combinadas de ureia e sulfato de amônio recuaram 21% entre janeiro e setembro, para 7,95 milhões de toneladas.

Nesse cenário, a Nobel Trading recomenda distribuir as aquisições ao longo do tempo e avaliar a cobertura das necessidades mais próximas. A análise também ressalta que a chegada de cargas e eventuais mudanças no cenário internacional podem alterar rapidamente a direção dos preços.

Sulfato de amônio avança, enquanto nitrato recua

Entre os demais nitrogenados, o sulfato de amônio granulado e compactado apresentou nova valorização. A faixa de referência ficou entre US$ 258 e US$ 266 por tonelada CFR Brasil, com negócios próximos de US$ 260 em Paranaguá e Santos.

Para portos do Norte, como Santarém, as indicações chegaram a US$ 270 por tonelada.

A logística representa um ponto adicional de atenção. Segundo o documento, a espera para descarga em Santos alcançou 31 dias para chegadas previstas em novembro, aproximadamente o dobro do registrado um ano antes.

O nitrato de amônio seguiu na direção contrária. A referência caiu para US$ 372–386 por tonelada, em um ambiente de demanda enfraquecida após a colheita da cana-de-açúcar.

MAP mantém preços, mas dependência da Rússia preocupa

No mercado de fosfatados, o MAP apresentou pouca alteração. A faixa de referência passou de US$ 832–848 para US$ 832–850 por tonelada CFR Brasil.

Entre as operações relatadas estão cerca de 15 mil toneladas de produto russo a US$ 840 por tonelada, para carregamento em novembro e destino aos portos de Santos, Paranaguá e Vitória.

A principal preocupação está na concentração dos fornecedores. Conforme a Nobel Trading, a Rússia responde pela maior parte da oferta disponível ao Brasil no período analisado, diante das restrições de outros exportadores.

O relatório informa que a China permanece sem exportar MAP e DAP, enquanto o Marrocos interrompeu novos embarques ao Brasil em agosto. A Arábia Saudita, por sua vez, não tinha programação de MAP para o mercado brasileiro em novembro e dezembro.

Essa dependência amplia a exposição a problemas de produção, manutenção industrial e transporte na origem russa.

Relação de troca melhora, mas ainda exige cautela

Segundo a análise, a relação de troca do MAP alcançou a melhor condição em mais de um ano, embora permaneça desfavorável na comparação histórica.

O mercado interno também apresentou diferenças expressivas entre ofertas e negócios, conforme localização, disponibilidade e condições de entrega.

Diante desse quadro, a orientação da Nobel Trading é realizar compras em lotes, comparando alternativas e evitando concentrar todo o volume em uma única negociação.

SSP sobe com fim do volume chinês disponível

O superfosfato simples (SSP) registrou valorização após o esgotamento do volume chinês autorizado para exportação, conforme o levantamento.

A faixa de referência avançou de US$ 247–270 para US$ 253–273 por tonelada. O SSP com concentração de 19% foi negociado a US$ 260, enquanto o produto de 20% ficou entre US$ 275 e US$ 280.

Já o superfosfato triplo (TSP) apresentou ajuste moderado, passando de US$ 653–665 para US$ 656–666 por tonelada.

Embora a queda do enxofre alivie parte dos custos dos fosfatados, o relatório ressalta que as restrições de oferta e a firmeza da amônia continuam influenciando a formação dos preços.

Potássio fica estável entre menor entrada no Brasil e estoques chineses elevados

O cloreto de potássio granulado apresentou leve recuo na faixa de referência, de US$ 359–372 para US$ 358–371 por tonelada CFR Brasil.

A demanda perdeu ritmo com o encerramento de parte das compras destinadas à soja e com a cautela pré-eleitoral. Ao mesmo tempo, o volume de chegadas de outubro informado no relatório somava aproximadamente 634 mil toneladas, 27% abaixo de outubro de 2025.

Entre janeiro e setembro, as importações brasileiras de MOP totalizaram 10,8 milhões de toneladas, redução de 4%.

A Nobel Trading alerta que compras lentas não significam, necessariamente, excesso de produto disponível. A menor entrada no Brasil e os cortes de produção de fornecedores podem oferecer sustentação aos preços quando a demanda retornar.

Contrato chinês de 2027 entra no radar

A negociação do contrato de potássio da China para 2027 é apontada como uma das principais referências para os próximos movimentos do mercado.

Segundo o documento, os estoques nos portos chineses atingiram o recorde de 4,52 milhões de toneladas, enquanto as importações do país chegaram a 12,9 milhões de toneladas entre janeiro e setembro.

Esse volume pode favorecer uma postura mais cautelosa dos compradores chineses. Por outro lado, restrições de produção e dificuldades logísticas em países exportadores também devem participar da formação dos novos preços.

Planejamento das compras deve considerar cada nutriente

A avaliação da Nobel Trading é que o momento exige estratégias diferentes conforme o fertilizante, a necessidade de aplicação e o prazo de entrega.

Para ureia, sulfato de amônio e SSP, o relatório chama a atenção para riscos de disponibilidade e logística. No MAP, a recomendação é fracionar as compras e acompanhar a concentração da oferta. Para potássio, nitrato de amônio e TSP, a orientação apresentada é observar os próximos sinais de demanda e preços antes de ampliar posições.

A retomada das negociações após o período eleitoral será um teste para as faixas indicadas no levantamento. Câmbio, crédito, custos internacionais e disponibilidade nos portos seguem como fatores centrais para o planejamento das compras de fertilizantes.

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