A Aneel manteve a bandeira verde para novembro, pelo segundo mês consecutivo, enquanto projeta alta média de 9,4% nas tarifas em 2026, ante IPCA estimado em 5% no boletim InfoTarifas. A melhora das condições de geração afasta a cobrança adicional da bandeira, mas não elimina outros custos incorporados à conta de luz.
Para uma residência que consome 200 kWh (quilowatts-hora), a bandeira amarela de setembro representava R$ 3,77 de adicional, antes dos tributos. Essa cobrança deixou de existir em outubro e continuará ausente em novembro.
Os reajustes seguem o calendário de cada distribuidora. Na projeção nacional da Aneel, componentes financeiros respondem por 4,7 pontos percentuais da alta: são ajustes de custos e receitas de períodos anteriores que chegam agora às tarifas. Encargos setoriais contribuem com 1,6 ponto e a compra de energia, com 1,1.
O quadro hidrológico favorece a decisão. No Sudeste/Centro-Oeste, região responsável por cerca de 70% da capacidade de armazenamento hidrelétrico do país, a energia armazenada estava em 54,9% em 30 de outubro, ante 44,3% no encerramento do mesmo mês de 2025. A Aneel atribuiu a bandeira verde ao aumento das chuvas nas regiões das principais usinas e à menor necessidade de geração termelétrica mais cara.
Para novembro, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) projeta armazenamento de 59,8% no Sudeste/Centro-Oeste. A ENA (Energia Natural Afluente), indicador do potencial de geração associado às vazões naturais dos rios, deve atingir 145% da média histórica nessa região e 201% no Sul. No Nordeste e no Norte, as previsões são de 50% e 39%, respectivamente. Esses contrastes mostram onde a recuperação tende a ganhar força e onde o aporte hídrico permanece inferior ao normal.
O El Niño pode acentuar essa geografia desigual. Para novembro, o Inmet prevê chuvas acima da média no Sul e em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com precipitações abaixo do normal em áreas de Minas Gerais e distribuição irregular no estado.
No trimestre de novembro a janeiro, a perspectiva é favorável a chuvas acima da média também em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, enquanto grande parte do Norte e áreas do Nordeste tendem a receber menos água. A resposta dos reservatórios dependerá das chuvas nas respectivas bacias, e não de uma média nacional.
O calor acrescenta pressão à demanda. Temperaturas acima do normal em grande parte do país podem ampliar o uso de refrigeração.
O ONS estima carga de 87.347 megawatts médios em novembro, alta de 6,4% em relação ao mesmo mês de 2025. O indicador incorpora consumo e perdas elétricas, além dos efeitos combinados de temperatura, atividade econômica e sazonalidade.
A manutenção da bandeira verde em dezembro é o cenário mais provável diante das projeções atuais, desde que as afluências se confirmem e os custos de geração permaneçam moderados. A Aneel tem previsão de anunciar a decisão em 27 de novembro. Até lá, o dado decisivo será a recuperação efetiva das bacias que concentram a capacidade de armazenamento: é ali que a vantagem das chuvas precisa se transformar em segurança energética.



