Possível sede da COP31 procura Brasil para replicar AgriZone



O Brasil é um exemplo de produção com sustentabilidade, com enorme quantidade de produtores da agricultura familiar e empresarial que demonstram de forma efetiva a proteção e o respeito ao Código Florestal, disse o governador do estado do Pará, Helder Barbalho.

“Pela primeira vez na história das 30 edições da COP, o agro tem um espaço especial, um ambiente especial, a AgriZone. Isso deve ser interpretado de que forma? De que o Brasil não abre mão de ser um país agro, não abre mão de produzir e valorizar quem está no campo, quem garante que esse país seja pujante, quem coloca alimento na mesa das pessoas”, diz o governador, em referência à AgriZone, espaço dedicado a mostrar tecnologias verdes do agro.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entidade que coordena as ações do local, conta que delegações de 23 países já foram à AgriZone para ver como o Brasil é capaz de produzir e preservar ao mesmo tempo. De acordo com ela, representantes da Austrália, país que disputa a sede da COP31 com a Turquia, demonstrou interesse em replicar a ideia.

“A COP30 é um marco para a agropecuária brasileira. Primeiramente, temos de mostrar que nossa agropecuária é baseada em ciência e tecnologia. […] o foco principal é o produtor rural, que é o principal cliente da Embrapa. […] o produtor traz a demanda, mas também valida as tecnologias que a Embrapa gera”, conta Silvia.

Já o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, destacou que a imensa maioria dos produtores rurais adotam boas práticas ambientais na agropecuária. “Esperamos que o documento [com o texto final da COP30] contemple o que estamos fazendo, que é olhar para o futuro. Trouxemos soluções de como o Brasil pode continuar sendo uma referência na segurança de produção de alimentos para si e para o mundo sem que haja necessidade de novos desmatamentos”.

Fávaro ainda destacou que foi apresentado de maneira formal durante a COP30 os resultados do programa Caminho Verde Brasil, voltado à recuperação de áreas degradadas.

“O Brasil já colocou mais de R$ 50 bilhões à disposição dos produtores e mais de três milhões de hectares já foram recuperados ao longo desses três anos [de duração da iniciativa], mostrando o futuro, para onde nós vamos, para áreas antropizadas, com algum estágio de degradação, que podem ser recuperadas e tornar-se também área de excelência na produção de alimentos no Brasil.”

Já o governador do Pará salientou que o fato de a COP30 ser realizada na Amazônia coloca luz sobre a necessidade de se impor valor à floresta viva. “Nas áreas que já foram antropizadas, naquilo que já houve de terras mexidas [na Amazônia], que possamos produzir cada vez mais com tecnologia para intensificar a produção e naquilo que temos de estoque florestal, que haja monetização, que o produtor rural possa receber por preservar a floresta.”

Segundo Barbalho, na integração lavoura-pecuária-floresta, o produtor precisa ganhar sobre os três componentes.

“Essa equação precisa estar posta na mesa. Não podemos de maneira alguma deixar que se continua a lógica de que floresta é um impedimento para o desenvolvimento, pelo contrário, a floresta é solução para o desenvolvimento, seja por ser responsável pelo equilíbrio do clima necessário para a produção rural, seja porque como ativo de floresta o mundo precisa pagar pela sua preservação, com pagamento de serviços ambientais, crédito de carbono, bioeconomia a partir da biodiversidade […].”



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