A cartada da CSN para reduzir dívidas em até R$ 18 bilhões


A CSN decidiu colocar na mesa, de forma mais explícita, a agenda que vinha rondando o grupo há meses: desalavancar. Em comunicado ao mercado divulgado nesta quinta-feira (15), o conselho de administração da companhia autorizou a iniciar um projeto de alienação estruturada de ativos relevantes, com a meta de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em vendas a partir de 2026.

O objetivo, segundo a empresa, é “equacionar em definitivo” a estrutura de capital do grupo, concentrar esforços nos segmentos de maior rentabilidade e, no horizonte de até oito anos, buscar uma alavancagem sustentável em torno de 1 vez a relação dívida líquida/Ebitda — além do potencial de dobrar o Ebitda no período.

“Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN, a investidores e analistas em apresentação nesta manhã. Logo após a apresentação, às 11h35, a ação caia 2,34%.

A companhia traçou planos de vender o controle da CSN Cimentos e uma fatia minoritária, “mas relevante” do negócio de Infraestrutura. Os ativos devem ser colocados à venda ainda em janeiro, com a expectativa de assinatura de acordos vinculantes entre os terceiro e quarto trimestres.

A ideia, mais a médio e longo prazo, é também encontrar um sócio no negócio de siderurgia, o que pode garantir investimentos no negócio, visto como estratégico para a holding. “Precisamos passar por investimentos muitos fortes, todas as siderúrgicas do país, e buscar a forma de como fazer isso por meio como os asiáticos e europeus”, afirmou Steinbruch.

Assim como a siderurgia, a CSN Mineração e o negócio de energia são vistos como essenciais para a melhoria operacional da companhia e não integram a lista de desinvestimentos. De acordo com o CFO, Marco Rebello, os três negócios têm contribuição de margem entre 30% e mais de 40%.

“Essa faixa compreende basicamente cimentos e infraestrutura. Nas nossas contas, esses dois movimentos são capazes de resolver o problema de forma definitiva e levantar até mais do que isso previsto”, afirmou o CFO.

Mais um passo

O anúncio vem na sequência de um movimento recente que já tinha dado o tom dessa estratégia. Em dezembro, a CSN concluiu a venda de uma fatia da MRS Logística para a CSN Mineração, operação que movimentou R$ 3,35 bilhões e funcionou, na prática, como uma transferência de liquidez dentro do próprio grupo. Esse valor não está incluso na estimativa divulgada agora pelo grupo.

A mineradora, com balanço mais robusto e menor pressão de endividamento, acabou servindo como fonte de recursos para a controladora, num momento em que a siderúrgica busca reduzir a alavancagem e reforçar a flexibilidade financeira.

A participação da CSN Mineração na concessionária sobe para 29,91%, enquanto a participação direta da CSN cai para 7,59%. Pelo preço implícito, a MRS foi avaliada em cerca de R$ 30 bilhões, o que colocaria a fatia total originalmente detida pela CSN em algo próximo de R$ 5,6 bilhões.

No acumulado de cerca de 12 meses, o papel sobe 18%. É uma recuperação relevante, mas ainda muito distante do pico perto de R$ 50 registrado há quase cinco anos, quando o mercado precificava um cenário bem menos apertado para a estrutura de capital do grupo.



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