Abiec avalia impacto das tarifas chinesas sobre carne bovina brasileira

O setor exportador de carne bovina segue em compasso de espera diante das medidas de salvaguarda impostas pela China às importações do produto brasileiro. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, não há, neste momento, qualquer negociação em andamento entre os governos do Brasil e da China para rever as cotas.

Durante cerimônia realizada na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina, ele afirmou que até o momento não há negociações em andamento entre os governos brasileiro e chinês para alterar o cenário atual.

“As notícias que vêm da China e do governo chinês não são de nenhum tipo de negociação. Sempre aguardamos as negociações entre os governos e, neste momento, não há”, disse.

A decisão faz parte das medidas de salvaguarda anunciadas pela China em dezembro de 2025, após a conclusão de uma investigação sobre o aumento das importações de carne bovina e seus efeitos sobre a pecuária local.

Na ocasião, o governo chinês estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para as importações de carne bovina brasileira e determinou que os embarques realizados acima desse volume estariam sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.

Como o Brasil já esgotou integralmente essa cota no início deste mês, todas as exportações excedentes passaram a recolher a sobretaxa, que se soma à tarifa de importação de 12% já vigente, elevando a carga tributária total para 67%.

Pelas regras anunciadas por Pequim, as medidas de salvaguarda deverão permanecer em vigor por três anos, podendo ser revisadas ao longo desse período.

Na prática, segundo a Abiec, o novo patamar tarifário inviabiliza economicamente os embarques destinados ao mercado chinês. Até então, a China era o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por mais da metade das exportações do setor.

Perosa destacou que, pelas regras adotadas pelo governo chinês, o setor deverá conviver com essas salvaguardas pelos próximos três anos. Nesse período, as empresas exportadoras precisarão buscar alternativas para redirecionar parte da produção a outros mercados e ampliar a presença em países que já importam carne bovina brasileira.

A expectativa da entidade é que qualquer mudança nesse cenário dependa exclusivamente de negociações entre os governos dos dois países. Enquanto isso não acontece, o setor continuará operando dentro das novas condições impostas pelo mercado chinês.

Além do impacto sobre as exportações, a Abiec avalia que a redução dos embarques para a China poderá aumentar a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico. Em um primeiro momento, esse movimento tende a pressionar os preços da arroba do boi gordo e da carne no atacado.

No entanto, segundo a entidade, esse efeito pode ser temporário, uma vez que a indústria deverá intensificar a busca por novos mercados para absorver a produção que antes era destinada ao país asiático.

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