Brasil mantém vantagem na soja mesmo com avanço das compras chinesas nos EUA



A China voltou a comprar soja dos Estados Unidos nas últimas semanas, mas os volumes seguem abaixo do compromisso de 12 milhões de toneladas firmado até o fim de 2025. O mercado monitora o ritmo dessas aquisições para avaliar impactos nos preços e na demanda global. Para o consultor em agronegócios Carlos Cogo, essa movimentação não muda o ponto central do mercado: o Brasil permanece como o fornecedor mais competitivo.

Segundo Cogo, o novo entendimento comercial entre Washington e Pequim estabelece que a China também deverá comprar 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano entre 2026 e 2028. Ele destaca que a redução da tarifa de importação dos EUA, de 34% para 13%, viabiliza esse fluxo, mas não elimina a diferença tributária. “Enquanto isso, a soja brasileira continua entrando com tarifa de apenas 3%”, afirma.

Diferença de preço mantém Brasil à frente

Mesmo com a queda tarifária, os Estados Unidos seguem menos competitivos. “Hoje, a soja norte-americana está cerca de US$ 1,20 por bushel mais cara que a brasileira”, diz Cogo. Segundo ele, esse fator explica a lentidão das compras: até agora, foram apenas 1,9 milhão de toneladas, bem abaixo do compromisso assumido.

Cogo projeta que os norte-americanos devem embarcar entre 4 e 6 milhões de toneladas até dezembro. “Isso ocorre antes da entrada da nova safra brasileira no mercado internacional, a partir de fevereiro de 2026, quando nossa competitividade costuma aumentar ainda mais”, afirma.

Estatais compram dos EUA; privados seguem no Brasil

O consultor também vê uma divisão clara entre os compradores chineses. “As estatais tendem a concentrar as compras nos EUA para cumprir o acordo político”, explica. Já os esmagadores privados seguem priorizando o Brasil. “O diferencial de preço continua determinante”, diz.

Entre março e maio de 2026, porém, a vantagem brasileira pode crescer. “Nesse período, o Brasil deve operar com um diferencial adicional estimado em US$ 1,40 por bushel”, afirma Cogo.

Tendências de preço no curto prazo

De acordo com o consultor, o acordo entre EUA e China garante um piso de demanda aos produtores norte-americanos, mas não altera a lógica de mercado.

“A soja brasileira continua estruturalmente mais competitiva, e o fluxo comercial deve seguir dominado pelo Brasil, especialmente no período pós-colheita, quando o país tradicionalmente lidera as exportações globais”, conclui.



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