Parlamentar é alvo de denúncias por quebra de decoro e uso indevido de verba pública; se condenada, ela pode perder o mandato e ficar inelegível por oito anos.
A Câmara de Dourados aprovou, em sessão realizada nesta segunda-feira (23), a abertura de dois processos investigativos que podem culminar na cassação do mandato da vereadora Isa Marcondes (Republicanos). A parlamentar, que comanda uma legião de seguidores nas redes sociais com suas fiscalizações “in loco”, agora enfrenta o risco de perder o cargo e se tornar inelegível pelo período de oito anos.
As denúncias, aceitas pela maioria absoluta dos vereadores, focam em duas frentes: conduta incompatível com o decoro parlamentar e suposta improbidade administrativa.
As Acusações
O primeiro processo refere-se a uma representação protocolada por servidores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Segundo a denúncia, no dia 31 de janeiro, a vereadora teria violado o direito ao descanso dos profissionais de saúde durante uma de suas fiscalizações. Esta representação foi aceita por 16 votos a 3 e será analisada pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
Já a segunda denúncia, apresentada pelo advogado Wagner Batista da Silva, aponta um suposto uso irregular da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). O foco principal são os gastos com combustíveis realizados pela parlamentar. Esta acusação foi admitida por 17 votos favoráveis e apenas 2 contrários, resultando na formação de uma Comissão Processante sorteada na hora.
Histórico e Defesa
Esta não é a primeira vez que Isa Marcondes enfrenta tentativas de cassação. Anteriormente, representações baseadas em conflitos ocorridos em unidades de saúde nos Altos do Indaiá e no distrito de Indápolis foram rejeitadas pelo plenário.
Em sua defesa na tribuna, a vereadora afirmou ser vítima de perseguição política. Ela sustenta que sua atuação fiscalizadora incomoda a gestão municipal e grupos instalados no poder. Embora sua postura agressiva gere controvérsias, o estilo “fiscalizadora” garantiu a ela popularidade em pesquisas eleitorais recentes, onde aparece como um nome forte para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026.
Próximos Passos
Com a abertura dos processos, as comissões têm agora um prazo legal de 90 dias para conduzir as investigações, colher depoimentos e apresentar um relatório final.
A Comissão de Ética será presidida pelo vereador Rogério Yuri (PSDB), tendo Laudir Munaretto (MDB) como vice e Cemar Arnal (PP) como membro. Já a Comissão Processante, que apura a improbidade, terá a presidência de Marcio Pudim (PSDB), relator de Cemar Arnal (PP) e Ana Paula Benitez (Republicanos) como integrante.
Ao final do prazo, o parecer passará novamente pelo plenário da Casa de Leis, onde os 21 vereadores decidirão, em votação nominal, se absolvem ou cassam o mandato da parlamentar.



