Cepea: Após recorde em 2025, número de empregos no agro recua no 1º tri

O número de pessoas empregadas pelo agronegócio recuou 1% no primeiro trimestre frente ao mesmo período de 2025, segundo os dados do Cepea (Centro de Pesquisa em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) divulgados nesta sexta-feira (21). O levantamento mostra que, ao todo, o setor empregou  27,79 milhões de pessoas. 

Na avaliação dos pesquisadores, a queda no campo reflete um movimento do mercado de trabalho apresentado em todos os setores. No período, a taxa de ocupação geral foi de 6,1%. 

Com a queda, o agro passou a representar 25,73% da população ocupada, participação inferior em comparação ao primeiro trimestre (26,33%) e ao último trimestre  (26,03%) de 2025. 

De todos os setores analisados dentro do agronegócio, apenas o setor primário cresceu 2,5%, com a adição de 189 mil novos postos, nos três primeiros meses de 2026. 

Segundo o Cepea, a retração foi puxada por quedas nos empregos em agroserviços (de -2,9%, ou 307.994 trabalhadores), agroindústria (-3,1%, ou 148.527 trabalhadores) e insumos (-1,2%, ou 3.756 trabalhadores). 

Perfil do trabalhador 

No comparativo anual, o número de trabalhadores autônomos no campo cresceu 1,8%, com acréscimo de 120,2 mil novos postos. 

Por outro lado, houve redução de 3,6% (147,4 mil pessoas) no quantitativo pessoas que trabalhavam sem carteira assinada, enquanto a queda nos empregados registrados em carteira foi de 1,2% (115,8 mil pessoas). 

Em relação à escolaridade, a queda foi maior entre os trabalhadores com apenas o ensino fundamental completo (-1,9%, ou 191,4 mil pessoas), seguido por aqueles sem instrução (-1,4%, ou 16 mil pessoas) e com ensino médio completo (-1,1%, ou 91,8 mil pessoas).

A estatística ainda mostra que o número de empregados com ensino superior avançou 1,6% (72,9 mil postos). 

“Ainda que a população ocupada total do agronegócio tenha recuado nas duas bases de comparação, manteve-se o avanço relativo dos trabalhadores com maior nível de instrução, dando continuidade ao processo de elevação da escolaridade média da força de trabalho do setor observado ao longo dos últimos anos”, destacou o Cepea em nota. 

Quanto ao gênero dos trabalhadores, as mulheres vêm ganhando e mantendo mais espaço no campo. Embora tenha havido retração maior retração, de 0,5% (63,9 mil trabalhadoras), as demissões foram maiores entre os homens, com cerca de 1,2% (aproximadamente 203,4 mil pessoas).

“Embora ambos os grupos tenham registrado redução da população ocupada nas duas bases de comparação, a retração foi relativamente menos intensa entre as mulheres, resultando em um novo avanço de sua participação relativa na força de trabalho do agronegócio e dando continuidade à tendência observada nos últimos anos”, afirmam os pesquisadores.

* Sob supervisão de Cristiane Noberto

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