Conselheiro do Tribunal de Contas é o dono da estância sem alvará onde jovens morreram


O ex-deputado e ex-presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, conselheiro Waldir Neves Barbosa, é o proprietário administrador da Estância Walf, no município de Bonito, onde dois jovens morreram após descarga elétrica em uma tirolesa. Conforme Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, a empresa é a Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda. Nela constam atividades econômicas secundárias, como cultivo de outras plantas de lavoura temporária, criação de bovinos para corte, Holdings de instituições não financeira, outras sociedades de participação, exceto holdings, compra e venda de imóveis próprios, e outras atividades de recreação e lazer não especificada.

O principal para atividade que tocava, que seria o alvará do Corpo de Bombeiros, o centro de eventos não possuía e funcionava clandestinamente até ser interditado nesta segunda-feira (23). A tragédia que matou dois trabalhadores, ocorreu durante festa de casamento na estância. Gustavo Henrique Camargo dos Santos, de 32 anos, descia na tirolesa, quando levou uma descarga elétrica e caiu na lagoa. Pedro Henrique de Jesus Martins, 21, pulou no açude para salvar o amigo e também sofreu a descarga.

Pedro foi encaminhado para o Hospital Municipal de Bonito e morreu no domingo (22), enquanto o amigo era encaminhado em vaga zero para a Santa Casa de Campo Grande, mas também não resistiu e morreu ao chegar no hospital. O Corpo de Bombeiros vistoriou a Estância Walf e constatou que o local não tinha certificado de funcionamento da corporação. Sem este documento, a prefeitura não poderia liberar o alvará de funcionamento, fazendo com que o espaço para festas de Waldir Neves era clandestino.

“O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul informa que o local citado não possui Certificado de Vistoria emitido pela Corporação. As circunstâncias do acidente estão sendo apuradas pela Polícia Civil, a quem compete a investigação dos fatos”, informou a corporação em nota. O conselheiro do TCE é o único sócio da empresa, que tem como sede o Residencial Damha, em Campo Grande.
No ano passado, Waldir Neves e a agropecuária foram acionados na Justiça para pagar a compra de uma mansão no condomínio de luxo, onde o conselheiro reside. O imóvel custou R$ 2,7 milhões e o casal foi à Justiça para cobrar R$ 1,5 milhão. Para não ser despejado, Waldir Neves fez acordo para pagar R$ 1,9 milhão em 12 vezes, sendo 12 parcelas de R$ 50 mil e R$ 1,1 milhão em agosto deste ano.

Waldir Neves já foi alvo de três operações de combate à corrupção deflagradas pela Polícia Federal – Mineração de Ouro, Terceirização de Ouro e Casa de Ouro, sendo afastado do cargo e usando tornozeleira eletrônica entre dezembro de 2022 e maio do ano passado.

Mau exemplo

Conforme publicação do site O Jacaré, a tragédia da tirolesa chama a atenção porque Waldir Neves é conselheiro do TCE, corte responsável por fiscalizar os poderes e que deveria dar o exemplo do cumprimento das leis. O advogado Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda, foi procurado, mas não respondeu ao contato. Porém ao G1, ele disse que a tirolesa funcionava há quatro anos e nunca teve incidente antes. O caso é apurado pela Polícia e deve ser acompanhado pelas famílias das vítimas através de processos na Justiça.



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