O ex-secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo afirmou nesta sexta-feira (24), em São Paulo, que as tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump sobre o Brasil respondem apenas a interesses comerciais, e evitou abordar a existência de uma estratégia política por trás das medidas anunciadas.
“O presidente e seu representante de Comércio, Jamieson Greer, que é um bom sujeito, estão tentando entregar aos EUA um modelo em que a indústria americana possa continuar a prosperar e crescer”, falou Pompeo em conversa com jornalistas durante a Expert XP 2026.
Pompeo dirigiu a CIA de janeiro de 2017 a abril de 2018 e comandou a diplomacia americana de 2018 a janeiro de 2021, no primeiro mandato de Trump. Segundo ele, além do objetivo de fortalecer a produção doméstica, há razões de segunda e terceira ordem em determinados produtos. Ele citou práticas de dumping e a transferência de mercadorias chinesas para outros países antes da entrada nos EUA.
“Os países estão, francamente, roubando o que é nosso e despejando de volta aqui. As pessoas estão fazendo triangulação de produtos que saem da China. Então, com as tarifas impostas sobre a China, o produto vai para o México e chega aos EUA sem tarifa. Eles também estão tentando impedir a triangulação”, afirmou.
Pompeo, no entanto, deixou claro que ele defende o uso de tarifas como instrumento de negociação, mas não como política permanente, e afirmou que sempre as empregou para convencer aliados e parceiros, incluindo o Brasil, a estabelecer relações economicamente equilibradas entre as duas partes. “Pode contar comigo para tarifa zero. Vamos todos competir, e que vença o produtor mais eficiente de determinado bem ou serviço. Espero que a gente consiga chegar a esse ponto”, disse.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu, por determinação de Trump, a investigação da Seção 301 sobre o Brasil e impôs tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, com uma lista de isenções. A cobrança passou a valer nesta semana.
A ação veio pela Seção 301 depois que a Suprema Corte americana decidiu que a IEEPA não autoriza o presidente a impor tarifas, o que invalidou as medidas baseadas naquele instrumento.
Na quinta-feira (23), o governo americano também decidiu taxar em 12,5% adicionais os produtos brasileiros sob a alegação de que o país falha em combater práticas de trabalho forçado nos setores produtivos. A barreira tarifária recaiu também sobre outras 59 economias do mundo.



