Em entrevista, deputada provoca reflexão sobre educação dentro de casa e cobra mudança de postura da sociedade
“Às vezes, as pessoas se preocupam tanto se o filho é homossexual. Mas por que não existe a mesma preocupação em saber se esse filho pode se tornar um agressor de mulheres?” A declaração da deputada estadual Lia Nogueira (PSDB), durante entrevista à Rádio Capital no programa Tribuna Livre, lançou luz sobre uma contradição que ainda persiste na sociedade e recolocou no centro do debate um tema que a parlamentar tem tratado com firmeza e constância.
Ao comentar a violência contra a mulher, Lia Nogueira defendeu que o enfrentamento precisa ir além da reação aos casos já consumados e alcançar a origem do problema. Segundo a deputada, é preciso discutir com mais coragem os valores transmitidos na formação de crianças e adolescentes e o papel da família na construção do respeito às mulheres. “A gente precisa fazer esse contraponto”, afirmou, ao sustentar que a prevenção também passa pela responsabilidade dentro de casa.
Ao tratar do cenário vivido em Mato Grosso do Sul, a parlamentar chamou atenção para a gravidade dos episódios recentes e para a necessidade de não normalizar o que deveria causar indignação permanente. “Às vezes é preciso tocar em algumas feridas e a sociedade faz de conta que elas não existem. E elas existem”, disse. Com uma fala direta, Lia Nogueira reforçou que silenciar ou relativizar a violência apenas contribui para manter de pé uma realidade que segue ferindo mulheres e famílias inteiras.
A deputada também fez referência ao mês de março para defender que a pauta feminina não pode ser reduzida a homenagens simbólicas. “Não há o que comemorar enquanto mulheres ainda são vítimas de agressão e feminicídio”, afirmou. A fala reforça uma postura que tem marcado sua atuação pública, de enfrentar temas sensíveis sem suavizar a gravidade dos fatos e de cobrar que o debate sobre os direitos das mulheres venha acompanhado de responsabilidade e ação concreta.
Outro ponto destacado por Lia Nogueira foi a cobrança desigual enfrentada pelas mulheres em diferentes espaços. Segundo a deputada, além da pressão permanente por resultado, muitas ainda precisam lidar com tentativas de desqualificação quando se posicionam com firmeza. “Todos os dias, nós precisamos provar que somos competentes”, declarou. Em outro momento, acrescentou que, quando uma mulher levanta a voz, frequentemente surgem tentativas de rotular, diminuir ou silenciar essa manifestação.
Ao longo da entrevista, Lia Nogueira deixou claro por que insiste nessa pauta e por que não pretende recuar diante do desconforto que ela provoca. “Falar sobre isso quantas vezes for preciso é parte da luta para que essa realidade mude”, afirmou. Mais do que repercutir um problema, a deputada reafirmou uma atuação marcada por posicionamento, coragem e compromisso com a proteção das mulheres.



