Flávio e Lula travam debate de mais provocações do que soluções | Blogs | CNN Brasil


Ao longo das duas horas do primeiro confronto tête-à-tête entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), problemas da vida real como violência urbana, alto custo de vida e saúde pública chegaram a ser tratados pelos candidatos, mas o que predominou foram as suspeitas que pairam sobre os dois campos políticos que dominam a disputa presidencial pela terceira vez consecutiva.

Enquanto Flávio se mostrou desde o início disposto a seguir um roteiro treinado com a equipe de campanha, Lula deixou escapar de saída o nível de pressão de quem precisa de uma inédita virada entre o primeiro e o segundo turno ao não saudar nem mediadores nem espectadores – o candidato do PL demorou, mas, depois de dar boa noite a quem ligou na Band TV e aos jornalistas da casa, lembrou-se de também cumprimentar o adversário.

Flávio deixou sem resposta perguntas incômodas feitas por Lula, como os R$ 134 milhões pedidos ao ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro. O petista afirmou que parte dos recursos teriam financiado o irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos EUA.

Antes, o candidato do PL citou as declarações da empresária Roberta Luchsinger em entrevista exclusiva à CNN sobre a relação com o filho do presidente, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. Lula estava com a resposta pronta, ao dizer que ela era um problema da Polícia Federal e repetir que o filho prestará esclarecimentos aos investigadores.

Passada a exagerada troca de acusações e questionamentos éticos do primeiro bloco, os temas do dia a dia voltaram a ter espaço.

Flávio explicou a mudança de posição sobre a PEC que pôs fim à escala de trabalho 6×1, ainda que tivesse começado o bloco com uma questão sobre saída temporária de presos para reforçar a estratégia de atribuir conivência com o crime ao adversário.

Lula apostou em colar no adversário a imagem de quem não viveu como a maioria dos brasileiros que depende de transporte público, atendimento no SUS ou escola pública. Não só pelo petista ser de uma família de migrantes nordestinos, mas para mostrar que a experiência como o brasileiro mais vezes eleito presidente o credenciaria a ampliar essa marca.

Em meio à tensão, os dois candidatos encontraram momentos de demonstração de humildade: Flávio admitiu que saúde foi uma das áreas frágeis da gestão do pai, Jair Bolsonaro, após Lula citar as mais de 700 mil mortes na pandemia; o candidato do PT reconheceu alta no custo de vida, tema citado pelo adversário do PL.

Ao final, Lula voltou a buscar um discurso mais politizado, com temas como democracia, soberania e políticas públicas criadas em seus três mandatos, recorrendo até à gravata com as cores nacionais que costuma usar em eventos do tipo. Flávio retomou o figurino no qual apostou desde o início da campanha, ao mirar o adversário em uma roupagem mais moderada que a do pai e valorizar a votação obtida no primeiro turno, por ora a melhor de um Bolsonaro em um primeiro turno.

Em sete dias, o eleitorado que voltar às urnas – e essa é uma dúvida que ainda está na cabeça de ambas as campanhas – vai decidir qual discurso está mais conectado com os tempos atuais.



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