FMI apela por “menos, mas mais profundas” reformas na elaboração de empréstimo


WASHINGTON, 24 Set (Reuters) – O ⁠Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu, nesta quinta-feira, ajustes ⁠específicos na concepção e na implementação de seus programas de ‌empréstimo, incluindo um foco em menos reformas, porém mais profundas, para refletir os desafios de uma economia global mais suscetível a ‌choques.

Grupos da sociedade civil têm manifestado preocupação de que a revisão possa levar os países em desenvolvimento a enfrentar medidas de austeridade mais rigorosas, em um momento em que já estão sobrecarregados com o aumento da dívida pública, custos crescentes de endividamento, quedas acentuadas na ⁠ajuda ‌oficial ao desenvolvimento e choques sistêmicos sucessivos.

O FMI afirmou que as ⁠recomendações incentivam ajustes fiscais mais antecipados e sustentados — ou cortes orçamentários —, pois estão associados a maiores chances de sucesso dos programas. Mas ressaltou que essa antecipação deve ocorrer apenas na medida do possível, acompanhada de medidas realistas para impulsionar o ​crescimento e gastos sociais adequados para proteger os vulneráveis.

“O quadro, em linhas gerais, está adequado”, disse Rishi Goyal, vice-diretor do departamento ​de estratégia, políticas e revisão do FMI.

“Mas, como o contexto está mudando e há tensões sociais em vários países-membros, precisamos garantir que nossas reformas sejam adequadamente adaptadas”, disse ele. “Isso significa um foco claro em menos reformas, porém mais profundas.”

A análise do FMI ‌sobre a estrutura e as condições dos programas — ​a terceira desde que as diretrizes de 2002 foram adotadas — avaliou o desempenho dos programas apoiados pelo FMI de janeiro de 2018 a dezembro de 2024 — um ⁠período que incluiu ​a guerra comercial ​entre os Estados Unidos e a China durante o primeiro mandato do presidente norte-americano, Donald ⁠Trump, a pandemia de Covid-19 e ​a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

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O Conselho Executivo do FMI endossou as recomendações, que apelam por reformas mais equilibradas, baseadas tanto ​no crescimento da receita quanto na consolidação fiscal, por uma melhor avaliação dos riscos e por maior realismo quanto ​ao financiamento de ⁠projetos.

O FMI afirmou que o objetivo é melhorar a implementação e os resultados, e não ⁠reduzir os padrões. A revisão ocorre logo após mudanças em uma estrutura conjunta de dívida do FMI e do Banco Mundial para países de baixa renda, e uma revisão a ser realizada em breve do processo do FMI para avaliar as economias dos países.



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