O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo abastecido de informações sobre o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos desde o início da manhã desta quarta-feira (4). A avaliação é a de que haverá um reequilíbrio de forças entre os governos do Brasil e dos EUA.
Conforme fontes ouvidas pela CNN Brasil, Lula está fortalecido pela reeleição e o presidente Donald Trump, ao contrário, sai enfraquecido das “midterms”, pois deve ser muito mais pressionado pelo Congresso americano após a vitória dos democratas tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes.
Na prática, integrantes do governo Lula pontuam alguns fatores que podem ser vantajosos para o Brasil após a derrota dos republicanos. Embora a política externa seja atribuição do Poder Executivo, assim como no Brasil, auxiliares de Lula acreditam que o novo Congresso americano possa servir como um anteparo aos avanços da gestão Trump sobre a América Latina. Como, por exemplo, passar a questionar ainda mais medidas de tarifaço internacional.
A diplomacia brasileira também espera que iniciativas que podem afetar autoridades brasileiras permanecerão na gaveta do Capitólio, como o projeto da deputada federal da Flórida Maria Elvira Salazar (Republicanos). A trumpista, aliada do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, apresentou o projeto “Sem censores em nossas fronteiras”, com o objetivo de autorizar que o governo americano possa impedir a entrada ou deportar pessoas que praticarem atos de censura ou de ataque à liberdade de expressão.
Salazar também defendeu e comemorou publicamente a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. A reeleição da deputada ainda não foi confirmada e passa por processo de recontagem, mas, mesmo se vencer, deve ficar cada vez mais isolada.
Destacam também que a ala de parlamentares democratas que questionaram a possível interferência das bigtechs nas eleições brasileiras segue mais fortalecida.
Outra aposta é que a nova composição não só do Congresso, mas também de governos estaduais, possa ajudar no avanço de investigações e colaborações internacionais.
A expectativa do Brasil é que a Polícia Federal possa contar com apoio das autoridades regionais para avançar em casos como a apuração do fundo americano Havengate, que fica no estado do Texas, em que vive Eduardo Bolsonaro, e onde foi eleita Gina Hinojosa, primeira mulher latina a comandar o estado.
Investigadores brasileiros suspeitam que o fundo milionário seja usado como fachada para receber e distribuir dinheiro ilegalmente para a família Bolsonaro — acusações que a defesa da família e controladores do fundo negam.
A capacidade de pressão e constrangimento dos democratas sobre o governo Trump pode fazer o presidente americano trilhar um caminho mais pragmático e menos ideológico, concluem autoridades brasileiras.
Segundo interlocutores, o presidente Lula não deve se manifestar sobre as eleições de meio de mandato.



