Ministério da Saúde envia especialistas e reforça ações contra surto de chikungunya na Reserva Indígena


A resposta do governo federal ao avanço da chikungunya na Reserva Indígena de Dourados ganhou reforço nesta quarta-feira (18/3), com o envio de especialistas para coordenar ações emergenciais no território, que concentra cerca de 20 mil moradores e enfrenta um surto crescente da doença.

O diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, anunciou a chegada de uma equipe composta por sete profissionais de saúde ao município. Entre eles está a cientista Lúcia Silveira, que atua no Grupo Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde. Já nesta quinta-feira (19/3), a equipe deve ser reforçada pelo infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, com experiência em vigilância epidemiológica e atuação anterior em Dourados.

De acordo com o último levantamento, a reserva soma 692 casos suspeitos de chikungunya, sendo 217 confirmados. Há ainda 90 pessoas em atendimento e três pacientes internados. Em pouco mais de três semanas, quatro moradores morreram em decorrência de complicações da doença.

Durante coletiva no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados, Stabeli explicou que o foco da atuação será dividido entre assistência direta à população, capacitação de profissionais e reorganização da rede de atendimento. Segundo ele, muitos trabalhadores da saúde ainda não têm familiaridade com o manejo clínico da chikungunya, o que exige treinamento imediato.

A estratégia também prevê a ampliação das equipes em campo. A previsão é de envio de mais quatro grupos da Força Nacional para intensificar a busca ativa de pacientes, garantir diagnóstico precoce e encaminhamento adequado dos casos mais graves.

As ações estão sendo conduzidas de forma integrada entre o Ministério da Saúde, por meio da Força Nacional do SUS, da Secretaria Especial de Saúde Indígena e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, em parceria com o governo estadual e a Prefeitura de Dourados. O objetivo é atuar simultaneamente no controle do mosquito transmissor e na reorganização do atendimento nas unidades de saúde.

Apesar do avanço dos casos, Stabeli evitou classificar o cenário como epidemia neste momento, tratando a situação ainda como um surto — embora não descarte a possibilidade de reclassificação caso os números continuem subindo.

Hospital de campanha amplia atendimento

Para dar suporte à rede de saúde, a Escola Municipal Tengatuí Marangatu foi adaptada e passou a funcionar como hospital de campanha. Logo no primeiro dia de operação, cerca de 80 pessoas foram atendidas na estrutura montada na quadra da escola.

O espaço foi organizado por equipes da Sesai em parceria com o HU-UFGD e conta com médico, enfermeiros, técnicos, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. Os atendimentos ocorrem das 7h às 19h, podendo se estender conforme a demanda.

Casos considerados mais graves estão sendo encaminhados ao Hospital da Missão Evangélica Caiuá, enquanto gestantes e crianças seguem para o HU-UFGD.

Além do atendimento, as equipes intensificaram visitas domiciliares. Há relatos de famílias inteiras com sintomas como dores intensas nas articulações e náuseas, característicos da chikungunya.

Avanço do mosquito preocupa autoridades

O cenário é agravado pela alta presença do mosquito transmissor. Em mais de 4,3 mil visitas realizadas nas aldeias, equipes identificaram 1.004 focos do Aedes aegypti. A maioria estava concentrada em caixas d’água, recipientes descartados e pneus velhos.

O avanço da doença também impactou o funcionamento das escolas na região. Na Aldeia Jaguapiru, aulas foram suspensas nesta quarta-feira após decisão de lideranças locais, diante do alto número de alunos e servidores com sintomas. Só na escola que abriga o hospital de campanha, cerca de 30 funcionários apresentaram sinais da doença.

O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, afirmou que o poder público tem intensificado as ações, mas alertou que o controle da situação depende diretamente da colaboração da população.

Ele reforçou que a eliminação de água parada é essencial para conter a proliferação do mosquito e reduzir novos casos, destacando que o esforço conjunto será determinante para frear o avanço da doença na maior reserva indígena do país.



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