Programa deste sábado também aborda a relação entre soja e geopolítica, mudanças na alimentação e a proposta de uma nova escala de trabalho
O Momento Agrícola deste sábado (24) reúne as principais notícias da semana relacionadas ao agronegócio no Brasil e no exterior. O programa, apresentado pelo produtor rural, engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca o desempenho do setor na geração de empregos, os impactos de um caso de Newcastle em perus de Santa Catarina e o aumento dos custos de produção da soja e do milho em Mato Grosso.
Logo no primeiro bloco, o agronegócio é apontado como um dos principais motores da geração de empregos no país. O resultado reforça a importância das cadeias produtivas ligadas à produção rural, à agroindústria, ao transporte, ao comércio de insumos e aos serviços especializados que atendem o campo.
Outro assunto de preocupação para o setor é a ocorrência de um caso de Newcastle em perus registrados em Santa Catarina. A doença, que afeta aves e pode provocar restrições comerciais, aumenta a apreensão entre produtores e empresas exportadoras de frango. Mesmo quando o foco está concentrado em determinada espécie ou região, a ocorrência pode exigir medidas de controle e comprometer temporariamente a confiança dos mercados compradores.
O programa também repercute os números divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) sobre os custos de produção da soja e do milho em Mato Grosso. A elevação das despesas pressiona as margens dos produtores e reforça a necessidade de planejamento financeiro, controle de custos e atenção ao comportamento dos preços das commodities.
Para a soja, o aumento das despesas ocorre em um cenário de forte dependência de insumos, combustíveis, fertilizantes, defensivos, máquinas e serviços terceirizados. No milho, a pressão sobre os custos também exige cautela, especialmente porque a rentabilidade da segunda safra depende da combinação entre produtividade, preço de venda e condições de comercialização.
No cenário internacional, o Momento Agrícola aborda o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um bônus de combustível destinado aos produtores rurais. A medida foi anunciada a poucas semanas das eleições e está relacionada à pressão provocada pelos custos de produção e pelo preço do diesel utilizado nas atividades agrícolas.
A decisão norte-americana mostra como o combustível continua sendo um dos principais componentes da estrutura de custos da agricultura. Além de afetar diretamente o preparo do solo, o plantio e a colheita, o preço do diesel também influencia o transporte de grãos, a movimentação de máquinas e a logística de abastecimento.
O programa ainda destaca que o Brasil alcançou recorde na produção de maçãs. O resultado evidencia o avanço da fruticultura nacional e a importância de investimentos em tecnologia, manejo, produtividade e qualidade. A produção de maçãs também amplia as oportunidades de abastecimento do mercado interno e de participação brasileira no comércio internacional de frutas.
Entrevistas analisam os rumos do agronegócio
Na parte dedicada às entrevistas, o primeiro destaque é a conversa com Fabrício Rosa, da Aprosoja Brasil, sobre a relação entre a soja e a geopolítica. O tema ganhou relevância diante das disputas comerciais, das mudanças nas relações entre grandes potências e da importância estratégica da oleaginosa para o abastecimento mundial.
A soja brasileira está inserida em uma cadeia global que envolve produção, exportação, indústria de proteínas animais, transporte marítimo e acordos comerciais. Por isso, decisões tomadas por governos estrangeiros podem alterar os fluxos de compra, os preços e as oportunidades para os produtores nacionais.
O professor Júlio Barcellos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participa do programa para discutir a nova pirâmide alimentar e suas relações com o agronegócio. A mudança na forma de orientar o consumo de alimentos acompanha transformações nos hábitos da população, nas recomendações nutricionais e na preocupação com saúde, qualidade e sustentabilidade.
A discussão também envolve os efeitos dessas tendências sobre os sistemas de produção. Conforme mudam as preferências dos consumidores, o agro precisa acompanhar a demanda por alimentos mais saudáveis, seguros, rastreáveis e adaptados às novas exigências do mercado.
Fechando o programa, Rodrigo Mello, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisa a proposta de adoção de uma nova escala de trabalho 5×2. O modelo prevê cinco dias de trabalho e dois dias de descanso e pode produzir efeitos sobre diferentes atividades econômicas.
No setor rural, a discussão exige atenção às características próprias das atividades agropecuárias, que dependem de ciclos produtivos, condições climáticas, períodos de plantio e colheita e manejo de animais. Qualquer mudança na organização do trabalho precisa considerar essas particularidades e os impactos sobre produtores, trabalhadores e empresas.



