‘Mudança do clima é assunto do presente, não do futuro’, diz ex-ministra do Meio Ambiente



A COP30, em Belém, tem ampliado o espaço para discutir agricultura, clima e segurança alimentar. Diante disso, a COPTV do Agro, transmitida pelo Canal Rural, se tornou um dos principais pontos de encontro dessas agendas. Nesta terça-feira (18), um dos assuntos em destaque foi o papel estratégico da agricultura tropical no enfrentamento das mudanças climáticas.

Sobre este assunto, o secretário-executivo do Consórcio Amazônia Legal, Marcello Brito, conversou com a ex-ministra do Meio Ambiente e co-presidente do painel internacional de recursos naturais da Organização das Nações Unidas (ONU), Izabella Teixeira, que destacou a conferência como uma virada no debate climático.

Para ela, as mudanças do clima deixaram de ser um tema de futuro e passaram a exigir soluções imediatas — e muitas delas já vêm da agropecuária brasileira. “A agricultura tropical chega a esta COP com soluções concretas, capazes de transformar o debate sobre segurança alimentar e clima”, afirmou.

Agricultura na centralidade do debate

A ex-ministra avaliou que esta é uma das edições da COP com maior presença de discussões sobre agricultura, pecuária regenerativa e restauração florestal. Segundo ela, o Brasil “chegou chegando”, apresentando tecnologias e práticas que unem produtividade, conservação e redução de emissões.

Teixeira citou avanços ligados à remoção de carbono — tanto pela restauração florestal quanto por tecnologias como pó de rocha — e destacou que produtores, indústrias e países parceiros têm participado de forma mais ativa. “Nunca vi tantos debates envolvendo agricultura, tecnologia, pequenos produtores, indústria e a comunidade internacional”, disse.

Ela também destacou o papel da agricultura tropical como diferencial competitivo. Para a ex-ministra, o reconhecimento global dessa categoria, distinta da agricultura de clima temperado, representa uma conquista importante para o Brasil.

Negociações, financiamento e regulação

A diplomacia brasileira, segundo a representante da ONU, atua em um ambiente de alta complexidade, marcado por temas estruturantes para o futuro das políticas climáticas. Entre os assuntos em negociação, ela citou financiamento climático, indicadores de adaptação e mitigação, transparência e a discussão sobre a eliminação progressiva de combustíveis fósseis.

Teixeira reforçou que a regulação será determinante para acelerar ou atrasar a transição. Como exemplo, mencionou a discussão global sobre o binômio clima–comércio, vista por ela como oportunidade para enfrentar barreiras protecionistas e alinhar critérios ambientais ao comércio internacional.

Tecnologia, competitividade e renda no campo

Além disso, a ex-ministra destacou a combinação entre tecnologia, conhecimento do produtor e inteligência da natureza como base para um novo padrão de segurança alimentar. Para ela, temas como bioenergia, biofertilizantes, uso de pó de rocha e sistemas integrados devem ganhar espaço na estratégia de descarbonização da produção.

Teixeira ressaltou ainda que a transição climática precisa ser acompanhada por ganhos econômicos para o produtor. “O agricultor tem que conseguir descarbonizar, aumentar produtividade, renda e garantir mercado. As novas tecnologias precisam ser viáveis no campo”, afirmou.

Ela mencionou também o lançamento da carne neutra (Net Zero), desenvolvido pela Embrapa em parceria com o setor privado, como exemplo de como empresas começam a pautar novas soluções baseadas em tecnologia e rastreabilidade.

Desmatamento, futuro da agricultura e pós-Belém

Ao final, Izabella Teixeira defendeu que a agricultura brasileira deve continuar avançando com responsabilidade ambiental, reforçando o compromisso histórico do setor de não pactuar com desmatamento ilegal. Para ela, o pós-Belém será decisivo para consolidar a agricultura tropical como referência global em segurança alimentar, mitigação de emissões e inovação tecnológica.

“O Brasil tem condições de pautar uma nova agenda global. A agricultura tropical existe, é competitiva e pode conduzir soluções para segurança tecnológica, climática e energética”, afirmou.



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