Mais um caso de violência contra a mulher deixou a cidade de Itumbiara, Goiás de luto e assustada neste sábado (14). Um homem matou a ex-mulher a tiros e agrediu a filha da vítima com uma coronhada, antes de tirar a própria vida. O crime, confirmado pela Polícia Civil, aconteceu a tarde no bairro Jardim Europa.
Imagens divulgadas nas redes sociais, publicada pelo criador de conteúdo Pedro Oliveira, mostram o momento em que policiais e o carro do Instituto Médico Legal (IML) interditam a casa da vítima. O autor chegou a ser socorrido pelo Samu, mas não resistiu. Não há informações sobre o estado de saúde da menina, que precisou ser atendida em decorrência do golpe na cabeça.
O crime acontece poucas horas após o velório da vítima mais jovem de crime que deixou a cidade de pouco mais de 100 mil habitantes no sul de Goiás em luto. Itumbiara vive a tristeza pela perda dos meninos Miguel Araújo Machado, 12 anos, Benício Araújo Machado, 8 anos, mortos pelo próprio pai, o secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado que também tirou a própria vida.
O mais novo chegou a ser internado e passou por cirurgia, mas veio a óbito na tarde de sexta-feira (13). Miguel morreu no momento do crime, na quarta-feira (12). Em uma homenagem no campo de futebol onde as crianças jogavam, amigos soltaram balões brancos e fizeram uma salva de aplausos para Miguel e Benício.
Antes de atirar contra a vida dos dois, Thales havia publicado fotos com os filhos e deixou uma mensagem em que culpa a mulher e mãe dos meninos pelo crime que ele mesmo cometeu. Sarah Tinoco Araújo passou a ser alvo de ofensas nas redes sociais e hostilizada nas ruas da cidade.
Secretária reage: “Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher”
O caso foi compartilhado pela deputada Silvye Alves (União-GO), relatora do projeto que inclui violência contra os filhos na Lei Maria da Penha. O PL 3880/2024, de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) estava parado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) desde maio de 2025. Na última quarta, a autora pediu que a proposição tramite em regime de urgência.
A violência vicária é um dos tipos de violência da mulher que acontece quando o autor atinge pessoas próximas, muitas vezes os próprios filhos, como forma de atingir a vítima. À Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, destacou que crianças e adolescentes são os principais atingidos nesse tipo de agressão.
“Na maioria das vezes, são utilizados crianças e adolescentes, filhos daquela mãe, porque são o maior vínculo afetivo que ela tem. Para poder penalizar a mãe – que foi exatamente o caso em Itumbiara, em que o pai matou os dois filhos para atingir a mãe. É como se ela recebesse a maior penalidade que uma pessoa pode receber, que é ter um filho executado”, destacou.
Além da violência contra os filhos e pessoas próximas, é comum que, assim como no caso de Itumbiara, o agressor crie uma narrativa que culpabiliza a mulher pelo crime. “Coloca sobre ela a responsabilidade da morte, da execução que ele cometeu, porque estava sendo rejeitado e o relacionamento amoroso já não correspondia ao que ela desejava para a vida dela”, explica. No crime ocorrido em Goiás, a suposta traição da esposa gerou comentários e ameaças à Sarah, que vive a dor da perda dos próprios filhos. “Esse tipo de violência tenta penalizar a mulher e responsabilizá-la pelo crime cometido. E o crime cometido é escolha de quem mata. Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher”, finaliza.



