O recente debate sobre a possível prescrição do escândalo GISA (Gerenciamento de Informações em Saúde) em Campo Grande, conforme noticiado por alguns veículos, foca na responsabilização política e judicial dos ex-gestores Nelsinho Trad e Luiz Henrique Mandetta. No entanto, essa narrativa, ao se concentrar nas irregularidades processuais e no risco de impunidade, negligencia um fato crucial: o sistema GISA, apesar dos problemas contratuais, foi efetivamente implementado e estava em funcionamento em diversas unidades de saúde da Capital, sendo posteriormente abandonado pela gestão sucessora.
Ao contrário do que a ênfase no escândalo sugere, o GISA não foi apenas um projeto no papel. Evidências da época e depoimentos confirmam que o sistema estava ativo e trazendo benefícios à população:
Vídeo-Reportagem da Época (Dezembro de 2012): Uma reportagem da TV Morena.
•O sistema já vinha sendo testado há dois anos.
•Benefícios como o fim das filas na madrugada para marcação de consultas.
•A integração do prontuário eletrônico, permitindo a visualização de exames de imagem e a checagem de medicamentos disponíveis nas farmácias das unidades.
•O sistema era considerado um “exemplo” e uma equipe do Ministério da Saúde visitou o Estado para avaliar seu funcionamento.
•A meta era a implantação total em 120 postos até 2014.
Essas informações comprovam que, ao final da gestão de Nelsinho Trad, o GISA era uma realidade em operação, com módulos funcionais e impacto direto na vida dos usuários do SUS.
O verdadeiro ponto de falha do projeto GISA, que resultou na perda do investimento e no fracasso do sistema, não foi a sua não-execução, mas sim o seu abandono pela gestão que se seguiu, de Alcides Bernal (PP).
•Decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS): Em novembro de 2020, o TCE-MS proferiu uma decisão crucial. O Tribunal inocentou Nelsinho Trad e Mandetta de responsabilidade pelo insucesso do projeto e multou o ex-prefeito Alcides Bernal.
•Motivo da Condenação de Bernal: A decisão do TCE-MS considerou que o insucesso do projeto GISA foi ocasionado na gestão de Bernal, que, ao assumir em 2013, exonerou servidores que estavam em fase de treinamento e eram essenciais para a continuidade e expansão do sistema. O abandono da implantação, e não a falha na entrega, foi o fator determinante para o prejuízo ao erário e à população.
A discussão sobre a prescrição do caso GISA é legítima e aponta para a lentidão da Justiça. No entanto, ao focar apenas na esfera judicial e na punição dos envolvidos, a imprensa corre o risco de ignorar o contexto administrativo e político que levou ao fracasso do sistema.
O GISA foi um sistema que funcionou, que prometia modernizar a saúde pública de Campo Grande e que foi elogiado até mesmo pelo Ministério da Saúde. O que o levou ao colapso não foram apenas as irregularidades contratuais iniciais, mas sim a decisão política de descontinuar um projeto em andamento, conforme atestado pelo próprio Tribunal de Contas do Estado.



