“O tráfico de drogas e o crime organizado no Brasil são monstruosos e podem sobrecarregar nossa fronteira.”


Gustavo Leite representa o governo paraguaio nos Estados Unidos. Seu nome está intimamente ligado ao movimento Honor Colorado, pelo qual foi eleito senador em 2023. Durante o governo de Horacio Cartes, atuou como Ministro da Indústria e Comércio. Para assumir essa missão diplomática, o então senador solicitou licença especial do Senado, e sua vaga foi preenchida por Alfonso Noria. Leite afirmou que a relação bilateral é atualmente positiva e enfatizou que “a relação é muito boa porque os Estados Unidos decidiram que querem retomar a liderança no Hemisfério Ocidental”. Nesse sentido, considerou essa decisão benéfica para o Paraguai e explicou que, dentro dessa estrutura, Washington priorizará laços com países que se alinhem à sua política externa.

Isso é bom. E, dentro dessa liderança, será evidentemente melhor trabalhar com países alinhados aos Estados Unidos e não com os adversários dos Estados Unidos, neste caso, a China”, afirmou. Ele observou que o Paraguai tem sido claro em sua posição internacional: “O Paraguai expressou claramente que sua prioridade é uma agenda dinâmica com os Estados Unidos e uma agenda absolutamente pragmática com a China, mas que não ultrapasse uma relação puramente comercial”.

Em relação às tensões internacionais entre os Estados Unidos e o Irã, ele indicou que o governo paraguaio já estabeleceu sua posição oficial. “O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai emitiu declarações firmes sobre o conflito, portanto, não farei comentários além do que o Ministério já declarou em seus comunicados oficiais”, afirmou. Nesse sentido, o Ministério das Relações Exteriores reafirmou a condenação do Paraguai à agressão iraniana contra os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Catar.

Questionado sobre a importância do Paraguai na estratégia dos EUA para a região, Leite enfatizou que o país serve de exemplo. “Acredito que o Paraguai seja um pequeno exemplo de uma democracia vibrante, com todos os seus problemas, mas ainda assim uma democracia, com livre mercado, impostos baixos, respeito aos direitos humanos, liberdades civis, liberdade de expressão e liberdade de imprensa. O Paraguai é um país que sempre se destacou por esses motivos”, acrescentou.

Ele acrescentou que existem atualmente alinhamentos filosóficos e econômicos com os Estados Unidos que poderiam se traduzir em investimentos estratégicos. Nesse contexto, ele enfatizou o potencial energético do país. “Os Estados Unidos são líderes mundiais em inteligência artificial. Temos energia suficiente para dar um salto quântico que permitirá investimentos significativos e beneficiará muitos paraguaios”, afirmou. Ele explicou que o objetivo é usar essa energia para transformar o país em um parceiro tecnológico de Washington. “Para nos tornarmos um parceiro tecnológico dos Estados Unidos, precisaremos investir em mais energia, que é uma nova fonte de investimento que gerará milhares de empregos para mais paraguaios”, declarou.

Referência Geográfica
Oportunidades

Em matéria econômica, ele afirmou que existem enormes oportunidades no setor energético. “Em novas energias alternativas, há quase US$ 60 a 70 bilhões em oportunidades”, declarou. Ele ressaltou que o Paraguai precisa fazer ajustes internos para atrair esse capital. “Claramente, é dever do Paraguai ser menos burocrático, garantir que a lei seja cumprida rapidamente, que os investidores se sintam confortáveis e não hesitem em investir livremente”, afirmou. Ele acrescentou que o país já oferece condições favoráveis. “O Paraguai já possui um ambiente de liberdade onde o capital pode entrar, os dividendos podem sair, então as leis são bem elaboradas; é uma questão de aplicá-las. E, acima de tudo, precisamos nos tornar um país muito mais simples e muito menos burocrático do que somos”, disse. Sobre a cooperação no combate ao crime organizado, ele observou que o progresso nem sempre é reconhecido publicamente, mas existe. “Obviamente, a cooperação contra o crime organizado não é algo que precise de cobertura constante da mídia, mas está funcionando, está em sua fase inicial. Todos sabem que nos últimos seis meses houve muitas reuniões entre agências de segurança paraguaias e americanas”, enfatizou.

Turismo no Paraguai

Nesse contexto, ele considerou que o cenário regional exige o fortalecimento de alianças. “Todos sabemos que o Paraguai nem sempre foi conhecido por suas robustas medidas de segurança, mas não temos escolha a não ser entender que o mundo se tornou um lugar complicado, que nossos vizinhos têm problemas. O narcotráfico e o crime organizado no Brasil são monstruosos, muito poderosos e poderiam sobrecarregar nossa fronteira; devemos estar preparados para isso, e não há aliado melhor, com o conhecimento e os recursos para cooperar conosco, do que os Estados Unidos”, enfatizou.

Em relação ao acordo SOFA, ele explicou que este regulamenta o status das forças americanas no Paraguai e que sua aplicação requer autorização do Congresso caso a caso. É um instrumento que os Estados Unidos mantêm com todos os países membros da OTAN. “Portanto, não é algo que o Paraguai vá conceder ou não; é um acordo típico para quando se deseja que forças estrangeiras venham colaborar com o país”, disse ele.

A liderança de Horacio Cartes

Quanto à situação política interna, Leite foi cauteloso, visto que seu papel diplomático exige que ele se abstenha de comentar assuntos internos. No entanto, ele se referiu à recente hospitalização e recuperação de Horacio Cartes, enfatizando sua relevância no cenário nacional. “Acho que os recentes acontecimentos relacionados à saúde de Horacio Cartes destacaram que ele continua sendo o político paraguaio mais importante dos últimos tempos, sem fazer um juízo de valor sobre se ele é bom ou ruim. Eu pertenço a esse setor, sou amigo de Horacio Cartes e não quero comentar a política interna do Paraguai porque não é da minha alçada no meu papel de embaixador”, afirmou.

No entanto, ele enfatizou o impacto de seu estado de saúde. “Ninguém pode negar que a notícia de sua doença e sua subsequente recuperação geraram um enorme impacto em todo o Paraguai. E isso não teria acontecido se ele não fosse uma figura tão importante no Paraguai”, afirmou. Questionado sobre o cenário eleitoral, reiterou que não lhe cabia comentar. “Não posso opinar sobre política interna, mas as eleições determinarão o que as pessoas querem, aprovam ou desaprovam em seus líderes”, observou. Ele ressaltou que as eleições são o verdadeiro barômetro do sentimento público. “É por isso que essas pesquisas são realizadas periodicamente, e elas são muito úteis porque fornecem uma medida real do que as pessoas sentem. As pesquisas são uma coisa. As pesquisas podem ser manipuladas, mas as eleições são muito definitivas e precisas ao refletir o que as pessoas estão sentindo”, sublinhou.

Fonte: ÚltimaHora



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