O governo do Paraguai iniciou uma ofensiva para conter a comercialização irregular de medicamentos utilizados para emagrecimento na região de fronteira. Agentes da Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa) estão em Pedro Juan Caballero com a missão de frear a venda clandestina da tirzepatida, fármaco indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 que vem sendo amplamente divulgado como solução para perda de peso rápida.
A operação tem como alvo estabelecimentos sem autorização sanitária e pontos de venda que oferecem produtos de origem duvidosa ou armazenados de maneira inadequada — um cenário que representa risco direto à saúde pública. A ação ocorre após sucessivas denúncias sobre a desordem no comércio de medicamentos controlados na região fronteiriça, onde a fiscalização enfrenta desafios logísticos e estruturais.
O Departamento de Pós-Comercialização da Dinavisa deu início a uma série de inspeções em farmácias e estabelecimentos comerciais, reforçando o cumprimento das normas sanitárias e combatendo práticas ilegais. A comitiva enviada de Assunção concentra esforços especialmente na tirzepatida, princípio ativo presente em medicamentos como o Mounjaro.
Embora tenha sido desenvolvido para o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, o medicamento ganhou popularidade entre pessoas que buscam emagrecimento acelerado. O aumento expressivo da demanda acendeu o alerta das autoridades sanitárias, principalmente diante da circulação de versões falsificadas e da venda em estabelecimentos sem licença.
A chefe regional da Dinavisa, Susana Goiris, explicou que o escritório local atua na fiscalização de farmácias devidamente habilitadas, enquanto a equipe deslocada da capital possui poder ampliado para intervir em pontos clandestinos. Segundo ela, os agentes têm autoridade para inspecionar locais não autorizados, apreender produtos e aplicar sanções administrativas. Diversas denúncias sobre a atuação irregular desses estabelecimentos já haviam sido encaminhadas aos órgãos competentes.
Nas farmácias regularizadas, os inspetores verificam o cumprimento rigoroso do Manual de Boas Práticas. A tirzepatida exige armazenamento em cadeia de frio e condições específicas de conservação para manter sua eficácia e segurança. O descumprimento dessas exigências pode comprometer o efeito terapêutico do medicamento e expor consumidores a riscos significativos.



