Quadrilha de golpistas baseada em Campo Grande, é alvo da Operação Viagem de Papel nesta quarta-feira (26), depois que o bando vendeu pacotes de viagens, um deles para o Japão no valor de R$ 90 mil a uma família e desapareceu. Entre as vítimas dos estelionatários figuram até jogadores de futebol. As investigações apontam que o golpe atinge dezenas de vítimas em vários estados, todas atraídas por promessas de viagens internacionais muito abaixo do preço de mercado.
Até o fechamento desta matéria três indivíduos, inclusive uma mulher, já haviam sido levados para o GARRAS. A operação é liderada por equipes do Gref (Grupo de Repressão a Estelionato e outras Fraudes), da Deic (Delegacia Estadual de Investigações Criminais) da Polícia Civil de Goiás, com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Golpe
As investigações iniciadas em julho do ano passado apontam que o bando vendia pacotes para o Japão a preços “imperdíveis”, sempre justificando os valores baixos com um suposto esquema de milhas e descontos especiais junto a companhias aéreas. Os integrantes da quadrilha se apresentavam como donos de uma agência de viagens e usavam indicações de conhecidos – inclusive empresários do ramo esportivo – para dar credibilidade ao golpe.
A família que pagou R$ 90 mil foi uma das primeiras a denunciar. Mas, conforme os investigadores avançaram, descobriram que o estrago era muito maior, o bando estaria atuando há quase 10 anos, fazendo vítimas em todo o país. Na trama, após fechar a negociação, as vítimas eram orientadas a pagar via Pix para contas de terceiros. Quando chegava o período de entrega dos bilhetes, os golpistas começavam a dar desculpas, paravam de atender telefonemas, bloqueavam mensagens e sumiam com o dinheiro. Em seguida, realizavam a chamada “pulverização” das transferências, espalhando o dinheiro entre várias contas para dificultar o rastreamento.
Em família
O líder da quadrilha usava um pseudônimo e tinha CNPJ ativo de agência de viagens. O principal “braço direito”, responsável por receber parte dos valores, é o cunhado dele. A esposa do líder também possui histórico de golpes semelhantes e chegou a ser proprietária de uma agência posteriormente inativada. O cabeça da quadrilha tem um longo histórico criminal em Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro, todos com golpes relacionados à venda de pacotes de viagens. Os nomes dos golpistas não foram revelados.



