Produtores de maconha investem na mecanização das lavouras na fronteira. SENAD destrói 60 hectares da droga  


Uma ofensiva estratégica de grande escala contra o narcotráfico resultou na destruição de quase 60 hectares de plantações clandestinas de maconha no distrito de Piray, no município de Capitán Bado, região de fronteira com Coronel Sapucaia.

A ação foi coordenada pela Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), por meio do Departamento Regional nº 1, com apoio de forças especiais e acompanhamento do promotor de Justiça Celso Morales. Batizada de “Toro Expo”, a operação é considerada um dos golpes mais expressivos contra a produção de cannabis na região nos últimos meses.

O que mais chama a atenção das autoridades é a evolução do modelo de cultivo utilizado pelas organizações criminosas. As antigas roças rudimentares deram lugar a um sistema mecanizado de produção, com uso de adubação planejada, aplicação de defensivos agrícolas e técnicas que garantem maior produtividade.

Segundo os investigadores, o complexo era composto por 15 parcelas interligadas, somando aproximadamente 60 hectares de cultivo de Cannabis sativa. O método empregado se assemelha ao utilizado por produtores tradicionais de grãos, com preparo técnico do solo, manejo agrícola estruturado e otimização da colheita.

Essa modernização do plantio demonstra um alto nível de organização logística e investimento financeiro por parte das facções. O objetivo é claro: ampliar escala, reduzir perdas e maximizar lucros.

Impacto bilionário para o crime

Durante a operação, foram erradicados 57 hectares de plantações em fase ativa de crescimento, além do desmantelamento de seis acampamentos clandestinos utilizados como bases operacionais e pontos de armazenamento da droga.

A estimativa técnica é de que a área eliminada impediria a circulação de pelo menos 171 toneladas de maconha. Caso chegasse ao mercado consumidor brasileiro, essa produção poderia gerar aproximadamente US$ 25,6 milhões às organizações criminosas.

O prejuízo financeiro imposto pela operação representa um duro golpe na estrutura econômica do tráfico na faixa de fronteira entre Paraguai e Brasil — região historicamente utilizada como corredor estratégico para o envio de drogas ao território brasileiro.

A localização estratégica de Capitán Bado, vizinha a Coronel Sapucaia, torna a área especialmente sensível. A extensa área rural e a permeabilidade territorial favorecem a instalação de lavouras clandestinas em larga escala.

A mecanização observada nesta operação revela que o narcotráfico tem adotado métodos cada vez mais profissionais e estruturados, aproximando-se do agronegócio formal em termos de produtividade — porém com finalidade ilícita.



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