Quanto poder Trump realmente terá depois da derrota no Congresso? | Blogs | CNN Brasil


As Midterms alteraram as condições em que decisões presidenciais serão financiadas e contestadas daqui para frente. Isso é fato. Até aqui, o alinhamento entre Casa Branca e Congresso reduziu os custos de governar. A partir de janeiro, Trump perderá o controle da agenda legislativa e enfrentará comissões capazes de convocar autoridades, exigir documentos e investigar sua administração. Fiscalização não garante responsabilização. Intimações podem ser contestadas. Mas o governo já não escolherá sozinho quais conflitos merecem escrutínio público.

A conquista do Senado torna a mudança particularmente relevante. Em 2018, Trump perdeu a Câmara, mas preservou uma maioria senatorial que confirmou juízes e integrantes de seu governo. Desta vez, nomeações para tribunais, agências e embaixadas dependerão de adversários. Adiar vagas judiciais, sobretudo na Suprema Corte, pode limitar o legado institucional de uma Presidência.

Isso não transforma a oposição em governo, no entanto. Em boa parte da legislação, são necessários 60 votos no Senado para encerrar o debate, número que os democratas não possuirão. Trump também poderá vetar projetos, cuja aprovação definitiva exigiria então dois terços de cada casa. Os Democratas poderão investigar, bloquear e negociar, mas não impor sozinhos sua agenda.

O orçamento será o terreno mais palpável dessa mudança. Financiar o governo e elevar o teto da dívida exigem ação do Congresso. Trump terá de negociar prioridades, inclusive despesas militares, saúde e políticas sociais. Uma paralisação administrativa, contudo, pode desgastar a Casa Branca e os Democratas, agora responsáveis por encontrar soluções para problemas que prometeram enfrentar. O poder de bloquear também implica dividir os custos da paralisia.

Na imigração, nas tarifas e na política externa, Trump conserva autoridade executiva expressiva. A Casa Branca já preparava formas de agir sem a necessidade de novas leis. A guerra com o Irã ilustra o dilema. O Congresso poderá condicionar recursos, investigar decisões e contestar a condução de conflitos, mas não conseguirá, apenas com maiorias simples, impor a retirada de forças diante de um veto. A capacidade presidencial de agir permanece, embora sujeita a controles judiciais, fiscais e políticos.

Há ainda o poder de disciplinar o próprio partido, que nenhuma regra constitucional garante. As derrotas enfraquecem a ideia de que a lealdade a Trump basta para vencer eleições. Republicanos atentos a 2028 poderão buscar maior autonomia, sem necessariamente romper com um presidente que conserva influência entre seus eleitores. A capacidade de comandar a coalizão também será testada.

O resultado dessa semana tensiona a relação entre autoridade e responsabilidade. Trump poderá atribuir impasses ao Congresso, enquanto os Democratas tentarão demonstrar que a fiscalização produz efeitos concretos na vida dos eleitores. Os próximos dois anos mostrarão quem conseguirá transformar esses limites em decisões e quem pagará politicamente pelo que permanecer sem solução.



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.