O Kremlin afirmou nesta segunda-feira que está tomando medidas para minimizar o impacto dos ataques ucranianos sobre as exportações russas de grãos, enquanto importadores mundiais de trigo se preparam para uma oferta mais restrita em meio a ataques contra a infraestrutura de grãos no Mar Negro.
Ataques de retaliação entre Rússia e Ucrânia — ambos grandes exportadores de grãos — contra portos e embarcações nas últimas semanas fecharam terminais de grãos e obrigaram transportadores a adiar ou cancelar o carregamento de dezenas de cargas durante o pico da temporada de exportação.
“Medidas foram identificadas e continuarão sendo desenvolvidas, garantindo que todos os grãos destinados à exportação sejam embarcados no prazo e integralmente”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas.
O presidente Vladimir Putin reconheceu na semana passada que a Rússia estava enfrentando problemas com suas exportações agrícolas, mas afirmou que eles seriam solucionados. O líder do Kremlin também garantiu que não haveria escassez nos mercados globais.
Putin estimou que a Rússia teria cerca de 60 milhões de toneladas de grãos disponíveis para exportação na atual temporada. As exportações russas de grãos devem aumentar para 2,2 milhões de toneladas métricas em agosto, ante 1,95 milhão em julho, segundo a consultoria Sovecon.
Ucrânia
Do outro lado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy afirmou que a Rússia “não está pronta” para um cessar-fogo nos ataques contra navios que transportam produtos agrícolas no Mar Negro, enquanto Moscou quer ampliar qualquer acordo para incluir ataques contra refinarias e oleodutos russos.
A Reuters informou neste mês que a Ucrânia havia enviado à Rússia uma proposta para interromper os ataques contra alvos civis no Mar Negro. A Rússia rejeitou a ideia, afirmando que não via motivos para “meias medidas” que proporcionariam um alívio à outra parte.
“Conversei com alguns líderes. Propus que eles utilizassem seus navios para transportar alimentos a partir de nossos portos, e nós não atacaríamos seus navios caso viessem buscar exportações agrícolas da Rússia”, disse Zelenskiy a jornalistas, em declarações autorizadas para divulgação no domingo.
Ele afirmou que Moscou, porém, queria uma troca: interromperia os ataques ao corredor de grãos da Ucrânia caso Kiev suspendesse os ataques contra a infraestrutura energética russa.
“Para (a Rússia), não se trata dos grãos. Trata-se exclusivamente do setor de energia deles, mas as duas coisas não são comparáveis”, disse Zelenskiy.
Qualquer acordo para interromper os ataques ucranianos contra refinarias de petróleo e sistemas de transporte de combustível russos teria de incluir uma suspensão recíproca dos ataques contra o sistema energético da Ucrânia, afirmou ele.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, não comentou imediatamente as declarações de Zelenskiy. O Kremlin afirmou nesta segunda-feira que estavam sendo tomadas medidas para minimizar o impacto dos ataques ucranianos sobre as exportações russas de grãos.
A Ucrânia intensificou seus ataques contra alvos econômicos russos nas últimas semanas, incluindo terminais de exportação de grãos.
No último inverno, o mais rigoroso da guerra, milhões de ucranianos frequentemente ficaram sem eletricidade e aquecimento enquanto a Rússia concentrava seus ataques na rede elétrica da Ucrânia, deixando muitos apreensivos com os meses seguintes.



