Selic vai cair mais em 2026? BC mantém suspense no ar e divide economistas


A análise dos economistas sobre o texto da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgado nesta terça-feira (22), aponta que a desaceleração da atividade econômica e a perda de ritmo na concessão de crédito livre reforçam a tese de continuidade no ciclo de cortes da taxa Selic, atualmente em 13,75%. No entanto, fatores como a instabilidade nos preços do petróleo, os impactos climáticos do fenômeno El Niño e as eleições trazem incertezas relevantes para o cenário, o que afeta as apostas do mercado. 

A conjuntura apontada na ata do Copom fez com que os economistas tivessem interpretações mistas sobre a condução dos juros com parte deles apontando mais cortes e outra parte vendo pausa na política monetária.

“O documento mantém em aberto a discussão sobre os próximos passos da política monetária e não oferece sinais mais claros sobre a trajetória futura da taxa de juros”, aponta o Itaú.

Para o Goldman Sachs, a reunião do Copom em novembro deve trazer mais um corte na Selic, mas há pouco espaço para continuidade à frente. “A próxima reunião do Copom ocorrerá após a eleição presidencial: o contexto externo e a reação do mercado ao resultado da eleição serão fatores-chave para as próximas decisões de política monetária”, afirma a instituição, em relatório.

Leia também: Copom leva Selic a 13,75%: eleições e riscos globais vão travar mais cortes?

O que a ata do Copom diz sobre o corte da Selic?

As análises apontam que o Banco Central demonstrou maior convicção na desaceleração da economia, com ênfase na perda de dinamismo dos setores mais cíclicos e no arrefecimento das modalidades de crédito livre com prazos mais longos, que são as mais sensíveis à política monetária. 

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Caio Megale, economista-chefe da XP, avalia que a trajetória dos indicadores “caminha de forma clara na direção desejada pelo Comitê”. 

A ata incluiu pontos de atenção inéditos ao citar o mercado de crédito, destacando o comportamento expansivo dos recursos direcionados. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, nota que “o crédito direcionado continua sendo um contrapeso expansionista, o que é coerente com a preocupação recorrente do Comitê sobre o impulso fiscal do governo”.  

Como El Niño e petróleo afetam os juros?

Apesar da melhora na inflação corrente ao consumidor, a ata reacendeu alertas ao apontar uma reversão na tendência de recuo dos preços ao produtor. 

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André Matos, CEO da MA7 Capital, aponta que o Banco Central elevou a própria projeção de inflação para este ano, de 5,1% para 5,2%, e a de 2027 subiu de 3,8% para 3,9%. Para ele, isso indica que há pressão se formando na origem da cadeia  produtiva.

A ata também destaca a permanência de um ambiente de incerteza global e doméstica, o que freiou o otimismo com a queda de juros. 

Megale pontua que “choques externos, como oscilações nos preços do petróleo e eventos climáticos associados ao El Niño, tornaram-se mais intensos”, além de frisar que o processo eleitoral pode influenciar a dinâmica do câmbio. 

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Projeções de juros

Os economistas se dividem na análise das expectativas para a continuidade no ciclo de corte de juros. 

Parte do mercado tem como cenário base a manutenção da taxa em 13,75%. Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, vê os próximos cortes apenas como uma via condicional, a depender dos dados.

A depender do cenário eleitoral, Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimento, projeta cortes que levariam a Selic a 13%. Outras casas, como a Wagner Investimentos e a XP, estimam a taxa básica em 13,25% ao fim do ano. 

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Para 2027, as dúvidas fiscais e o prêmio de risco da curva longa de juros são os fatores mais decisivos. 

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, destaca um descompasso entre a economia atual e as expectativas futuras, alertando que, para 2027, o comportamento da curva longa será determinante, uma vez que a política fiscal segue ditando as regras do custo do dinheiro.

Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, alerta que, sem melhora na trajetória fiscal, os juros longos tendem a permanecer elevados, mantendo alto o custo de capital e retardando a recuperação do crédito, do consumo e dos investimentos. 



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