O Brasil sedia, de forma inédita, realiza um dos maiores exercícios multinacionais que reúne Forças Aéreas Americanas em um treinamento conjunto voltado à pronta resposta a desastres naturais: o Exercício Cooperación.
A cerimônia de abertura, realizada na Base Aérea de Campo Grande (BACG), foi presidida pelo Comandante de Operações Aeroespaciais, Tenente-Brigadeiro do Ar Alcides Teixeira Barbacovi, sendo recebido pelo Diretor do Exercício e Comandante da BACG, Brigadeiro do Ar Newton Abreu Fonseca Filho, com a presença de Oficiais-Generais das Forças Armadas e de Delegações de Nações Amigas que participam do treinamento. Após a solenidade, foi realizada uma apresentação aos integrantes do Exercício sobre orientações gerais e ritmo de batalha do cenário fictício.
O Cooperación XI reúne cerca de 14 delegações, entre países-membros do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), observadores e convidados, com o objetivo de aprimorar a coordenação de apoio mútuo, adestrar procedimentos de Comando e Controle (C2) das Operações Aeroespaciais em resposta a incêndios e fortalecer a capacidade de coordenação do país afetado diante de desastres naturais ou antrópicos.
“O Brasil é referência com relação a operações conjuntas e combinadas. Fazer o Exercício com as Forças Aéreas Americanas traz ao País uma maior expertise para que possamos rever o Comando e Controle e como fazê-los com outras Forças Aéreas, especialmente, em caso de desastres naturais. Temos um exemplo muito grande, na Taquari, em que países, aqui, da nossa América, vieram nos ajudar, e somos muito gratos a isso. Aqui, vamos fazer uma atividade de Comando e Controle, com operações reais e na carta, e vamos desenvolver novas doutrinas e manuais”, disse o Comandante de Operações Aeroespaciais.
Ao todo, participam do Exercício mais de 1.200 militares da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro, do efetivo de Unidades da FAB distribuídas por todo o País e das Forças Aéreas ou equivalentes da Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai. Além disso, também são empregados cerca de 18 aeronaves das aviações de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), Asas Rotativas e Transporte, a exemplo do KC-390 Millennium, C-105 Amazonas, C-98 Caravan, RQ-900 e helicópteros H-60 Black Hawk.
Durante as duas semanas de operação, em um cenário simulado, o esforço multinacional será submetido a situações complexas impostas pela Direção do Exercício (DIREX), com o objetivo de treinar processos decisórios em diferentes níveis, culminando na viabilização de missões de Combate a Incêndios em Voo, Busca e Salvamento e Evacuação Aeromédica (EVAM), em apoio às autoridades civis. O planejamento e a coordenação da execução do Exercício estão a cargo do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).
“A presença de cada país representado neste Exercício demonstra um princípio simples e poderoso: quando as Nações das Américas se unem em torno de valores compartilhados para enfrentar desafios comuns, o esforço de cada uma contribui para o sucesso de todos. Assim, o espírito de cooperação entre as Américas se fortalece, no qual as Américas agem pelas Américas. Aprendizado mútuo e intercâmbio profissional. Nos próximos dias, esta Base Aérea se transformará em um espaço de trabalho conjunto”, destacou o Diretor do Exercício, Brigadeiro do Ar Newton.
SICOFAA
O SICOFAA foi criado em 1961 e idealizado pelo General Thomas Dresser White, então Chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos Estados Unidos e ex-adido de Defesa no Brasil. O sistema nasceu no contexto da Guerra Fria como parte da Aliança para o Progresso, com o propósito de fortalecer a amizade, a cooperação e o apoio mútuo entre as Forças Aéreas das Américas. Desde então, consolidou-se como uma organização apolítica, voluntária, respeitadora da soberania nacional e dedicada ao intercâmbio de experiências, doutrina, meios, treinamento e procedimentos que favoreçam operações integradas.
Atualmente, o Sistema reúne 23 Forças Aéreas ou instituições equivalentes, atuando com foco especial em interoperabilidade, padronização de procedimentos e cooperação em situações de emergência e resposta a desastres.



