Três chapas disputam a Reitoria da Universidade Federal da Grande Dourados


A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) encerrou o período de inscrições para a consulta prévia que formará a lista tríplice destinada à escolha da nova Reitoria. Três chapas oficializaram candidatura, colocando em disputa não apenas cargos administrativos, mas os rumos acadêmicos e institucionais de uma universidade que administra um orçamento estimado em quase meio bilhão de reais, conforme dados do Portal da Transparência do Governo Federal.

A Comissão de Consulta Prévia tem até o dia 20 de fevereiro para homologar as candidaturas. A campanha eleitoral e os debates começam oficialmente em 23 de fevereiro, enquanto a votação, que envolverá docentes, técnicos e estudantes, está marcada para 26 de março. O processo ocorre em um momento de intensa discussão nacional sobre a autonomia das universidades federais e os limites da intervenção do Executivo na escolha de seus dirigentes.

Retorno à disputa e memória recente

Uma das chapas é liderada por Etienne Biasotto, doutor em Engenharia Elétrica pela USP e atual pró-reitor de Graduação. Ele retorna à disputa após o episódio de 2019, quando venceu a consulta prévia, mas não foi nomeado reitor em razão de uma intervenção federal que desconsiderou a preferência majoritária da comunidade acadêmica. A vice na chapa é Danielle Marques Vilela, doutora em Ciência dos Alimentos pela UFLA e diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais (FCBA).

O histórico recente ainda repercute nos corredores da universidade e promete influenciar o debate, especialmente diante da tramitação, na Câmara dos Deputados, de um projeto de lei que propõe extinguir a lista tríplice e tornar obrigatória a nomeação do candidato mais votado na consulta. A proposta busca fortalecer a decisão da comunidade acadêmica e reduzir a margem de interferência política externa.

Mulheres em destaque na corrida

A segunda candidatura é encabeçada por Gicelma Chacarosqui, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, que exerceu funções de destaque durante o período de intervenção federal. Seu vice é Arquimedes Gasparotto Junior, doutor em Farmacologia pela UFPR e ex-vice-reitor interino.

Já a terceira chapa é liderada por Marisa Lomba, doutora em Sociologia pela Unesp e ex-diretora da Faculdade de Ciências Humanas (FCH), unidade que comandou por 13 dos 20 anos de existência da UFGD. O vice é Sidnei Azevedo, doutor em Agronomia pela própria instituição e atual diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (FACET). Marisa é casada com Damião Duque de Farias, que acumulou nove anos à frente da Reitoria em mandatos anteriores — um dado que também integra o debate político interno.

A presença de duas mulheres na disputa amplia a representatividade e reforça o protagonismo feminino na gestão universitária, um movimento cada vez mais presente nas instituições públicas de ensino superior.

Orçamento robusto, cenário desafiador

Embora o orçamento da UFGD supere a arrecadação anual de alguns municípios da região da Grande Dourados, o cenário financeiro é desafiador. A instituição enfrenta cortes que impactaram diretamente o custeio e a assistência estudantil. Para 2025, houve redução superior a R$ 2 milhões, afetando manutenção, bolsas e serviços essenciais.

O novo reitor ou reitora terá, portanto, a missão de equilibrar responsabilidade fiscal, qualidade acadêmica e fortalecimento institucional em um contexto de restrições orçamentárias e pressão por maior autonomia.

Mais do que uma disputa administrativa, a eleição para a Reitoria da UFGD representa um momento decisivo para reafirmar a autonomia universitária, fortalecer a democracia interna e garantir que a instituição continue sendo motor de desenvolvimento científico, social e econômico para toda a região.



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