O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou 41 casos de mosca-varejeira-do-novo-mundo no país entre 3 de junho e 20 de julho. Segundo o APHIS (Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal), 31 ocorrências foram registradas em junho e outras 10 em julho.
Do total de casos, 12 ainda permanecem ativos e 29 já foram encerrados pelas autoridades sanitárias. A maioria dos focos foi identificada no sul do Texas. Apenas um caso foi registrado fora do estado, no sudeste do Novo México.
Os registros envolvem diferentes espécies animais, sendo 21 bovinos, 13 ovinos, quatro caprinos e três cães.
A confirmação dos casos marca o retorno da mosca-varejeira-do-novo-mundo aos Estados Unidos após mais de seis décadas. A praga havia sido erradicada do país na década de 1960 por meio de um amplo programa de controle biológico, que restringiu sua presença à América Central por muitos anos.
A mosca-varejeira é considerada uma das principais ameaças à pecuária. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas dos animais e, após a eclosão, as larvas passam a se alimentar de tecido vivo, provocando lesões profundas, redução do ganho de peso, queda na produtividade e, em casos mais graves, até a morte dos animais se não houver tratamento.
Nos últimos anos, a praga voltou a avançar pelo continente, com registros no Panamá, Costa Rica, Nicarágua e Honduras. Em 2024, o México também confirmou novos casos, levando os Estados Unidos a suspenderem, em maio de 2025, a importação de gado vivo do país vizinho.
A restrição às importações ocorre em um momento delicado para a pecuária norte-americana. O rebanho bovino dos Estados Unidos está no menor nível dos últimos 75 anos, o que aumenta a preocupação com a oferta de animais.
Para conter a disseminação da mosca-varejeira, o USDA ampliou o programa de controle biológico com a liberação de moscas estéreis. Desde o fim de 2025, foram inauguradas três unidades de dispersão aérea, sendo uma em Tampico, no México, outra na Base Aérea de Moore, no Texas, e uma terceira em Chiapas, no sul do México, reforçando a estratégia para impedir que a praga avance pelo território norte-americano.



