Vylor vê Brasil como foco de crescimento e edição gênica como aposta

A Vylor, empresa de sementes e genética que iniciou nesta quinta-feira (1º) sua operação independente após a separação da Corteva, considera o Brasil um dos principais mercados para o desenvolvimento e a comercialização de novas tecnologias agrícolas. 

O Brasil é atualmente o segundo país mais relevante para a Vylor, segundo William Weber, presidente da unidade comercial Brasil e Paraguai. A companhia pretende concentrar parte dos investimentos no desenvolvimento de tecnologias para o mercado brasileiro.

“Brasil é um dos nossos focos de crescimento e onde estaremos desenvolvendo nossas novas tecnologias. O Brasil é hoje, para a Vylor, o segundo país mais relevante”, disse Weber em coletiva de imprensa no GAFFFF, em São Paulo.

A empresa também pretende ampliar a participação do negócio de licenciamento no país. Segundo Anelcindo Souza, diretor de Marketing da Vylor, a companhia já tem uma participação de dois dígitos no mercado brasileiro de tecnologias licenciadas de soja e pretende chegar a um terço desse mercado até o fim da década.

A companhia informou que seu portfólio de tecnologias é avaliado em US$ 19 bilhões e prevê 12 novas plataformas para milho, soja e trigo ao longo da próxima década.

Segundo os executivos brasileiros, a expectativa é lançar parte desse portfólio no mercado a partir da safra 2028/29. Os projetos, porém, têm diferentes horizontes de desenvolvimento, e parte das tecnologias está prevista apenas para a próxima década.

Destas 12 tecnologias em desenvolvimento pela companhia, quatro vertentes concentram os trabalhos: controle de insetos; flexibilidade e tolerância a herbicidas para o controle de plantas daninhas; resistência a doenças; e tolerância a condições extremas.

Edição gênica

A edição gênica é uma das principais frentes de pesquisa da companhia. No primeiro momento, os trabalhos estão concentrados em características de resistência a doenças, mas o pipeline inclui também pesquisas relacionadas à maturidade dos grãos.

A tecnologia não ficará restrita à soja. A Vylor também desenvolve projetos de edição gênica para milho e avalia aplicações em outras culturas.

“Estamos colocando todas as nossas forças em edição gênica. Não só para milho e soja. Elas são as primeiras culturas porque temos mais know-how nessas culturas. Mas outras culturas podem ser beneficiadas, como canola, arroz, trigo, sorgo, mostarda, então muitas vão poder usar essas tecnologias ao longo do tempo”, disse Souza.

Segundo Weber, a empresa possui uma das maiores estruturas privadas de pesquisa em edição gênica. “A Vylor é hoje a segunda empresa com maior potencial para edição gênica. Nós só ficamos atrás de um país inteiro, que é a China. O restante, tudo está com a Vylor. Somando a China inteira, ela está primeiro. Como empresa, está a Vylor”, afirmou.

A companhia também possui mais de 1 milhão de linhagens em sua biblioteca genética, que serve de base para os programas de melhoramento e desenvolvimento de novas variedades e tecnologias.

Culturas

Para a soja, a Vylor anunciou anteriormente quatro novas plataformas tecnológicas até 2035. Uma delas será voltada especificamente à América Latina e combinará genética com uma tecnologia de controle de insetos de amplo espectro. A companhia também trabalha em tecnologias para resistência à ferrugem asiática e em uma soja com resistência a múltiplas doenças por meio de edição gênica.

O pipeline também inclui sete novas plataformas tecnológicas para milho a partir de 2028. Entre elas está uma tecnologia voltada ao aumento da produtividade e à estabilidade de rendimento. A empresa também trabalha em milho com resistência a múltiplas doenças por meio de edição gênica.

Outra frente do pipeline é o milho de baixa estatura, tecnologia que está em desenvolvimento pela companhia.

No trigo, a Vylor prevê levar para a América do Norte, no fim de 2027,um sistema utilizado no desenvolvimento de trigo híbrido. Segundo a empresa, testes realizados ao longo dos últimos anos indicaram ganhos de produtividade e estabilidade de rendimento em diferentes condições.

A estratégia também começa a avançar para culturas além das três principais. A companhia está lançando neste ano no Brasil a mostarda indiana, segundo Weber.

A cultura também está relacionada à estratégia da Vylor para biocombustíveis. A empresa mantém uma joint venture com a bp (British Petrol), voltada ao desenvolvimento de matérias-primas para SAF (combustível sustentável de aviação).

Estratégia de longo prazo

Com a separação da Corteva, a Vylor passa a operar de forma independente e concentra seus negócios em sementes, genética e biotecnologia. As ações da companhia começaram a ser negociadas nesta quinta-feira na Bolsa de Nova York (NYSE), sob o código VYLR.

Para os executivos, o desenvolvimento das novas tecnologias não está concentrado em resultados imediatos. A estratégia envolve programas de pesquisa e melhoramento com ciclos mais longos, que devem gerar produtos ao longo dos próximos anos.

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