O Mato Grosso já alcançou 3,82 milhões de hectares em recuperação de pastagens, o que representa avanço de 75,3% da meta estabelecida no Plano ABC+ para o estado.
O avanço foi destacado durante encontro com jornalistas promovido pela Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso) em que o governo apresentou resultados e estratégias do programa de agricultura de baixa emissão de carbono.
A secretária adjunta de Agronegócio da SEDEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Mato Grosso), Linacis Lisboa, afirmou que o estado combina alta produção agropecuária com preservação ambiental e uso eficiente do território.
“O estado utiliza cerca de 40% do território para produção e preserva o restante. Isso mostra que Mato Grosso é o estado que mais produz e preserva ao mesmo tempo”, disse.
Segundo ela, o Plano ABC+ é uma política de produção sustentável e não apenas ambiental, baseada na adoção de tecnologias que aumentam a produtividade ao mesmo tempo em que reduzem impactos.
“O plano não é um plano ambiental, é um plano de produção sustentável. Produzir mais com menos emissão, com mais eficiência e melhor uso da terra”, afirmou.
Linacis explicou que o Plano ABC+ no estado está estruturado em metas ambiciosas e integra diferentes frentes produtivas.
Mato Grosso participa com cerca de 17% da meta nacional do programa, o que representa aproximadamente 12,5 milhões de hectares a serem impactados com tecnologias sustentáveis.
Entre as principais ações estão os sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, que combinam diferentes atividades na mesma área para melhorar o uso do solo e elevar a produtividade.
“Esses sistemas permitem trabalhar a produção de forma integrada, seja lavoura com pecuária, seja pecuária com floresta, e em alguns casos os três componentes juntos. Isso aumenta a eficiência e recupera a capacidade produtiva da terra”, explicou.
A secretária também destacou o avanço das tecnologias de recuperação de pastagens degradadas, uma das bases do Plano ABC+.
Segundo ela, a classificação técnica utilizada no Brasil considera diferentes níveis de degradação, desde áreas com baixo vigor até estágios mais avançados de deterioração.
“Uma pastagem degradada é aquela que perdeu sua capacidade produtiva e precisa ser recuperada, independentemente do nível de degradação”, afirmou.
De acordo com Linacis, a recuperação dessas áreas traz ganhos diretos de produtividade e sustentabilidade.
“Você melhora a qualidade do pasto, aumenta a oferta de alimento para o rebanho, melhora a microbiota do solo, o controle hídrico e amplia a biomassa disponível. Tudo isso resulta em maior produtividade por área”, disse.
Ela reforçou que o modelo permite produzir mais sem necessidade de abertura de novas áreas.
“Com a recuperação de pastagens, conseguimos produzir mais na mesma área e evitar a expansão sobre novas terras, o que é fundamental para a sustentabilidade do sistema produtivo”, disse.
Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Flávio Wruck, o diagnóstico da qualidade das pastagens no Brasil mostra que ainda há espaço relevante para avanço no manejo e na recuperação dessas áreas dentro dos sistemas produtivos.
Para Wruck, a melhoria das pastagens depende diretamente da adoção de manejo adequado e da correção periódica do solo, o que impacta diretamente na produtividade do sistema pecuário.
O pesquisador destacou ainda que sistemas produtivos que integram lavoura e pecuária tendem a apresentar melhor desempenho das pastagens, especialmente quando combinados com práticas como plantio direto e recuperação de áreas degradadas.
Para os próximos anos, o pesquisador também ressaltou a importância do monitoramento contínuo da qualidade do solo como ferramenta de gestão.
Segundo o produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Rodrigo Destefani Minuzzi, a integração entre agricultura e pecuária tem sido fundamental para recuperar áreas degradadas e aumentar a eficiência da produção no campo.
De acordo com ele, o uso de culturas como soja e milho dentro do sistema contribui para melhorar a fertilidade do solo e devolver ao pasto melhores condições produtivas.
“A agricultura é usada como ferramenta para reformar as pastagens. Com o plantio de soja e milho, conseguimos melhorar o solo, aumentar a fertilidade e devolver uma pastagem mais estruturada. Isso reduz custos e eleva a produtividade”, afirmou.
Minuzzi também destacou que o manejo adotado na sua propriedade é sustentado por análises técnicas e pelo uso correto de tecnologias no campo.
“Tudo é baseado em análise de solo e em tecnologia aplicada da forma correta”, completou.
A jornalista viajou a convite da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso.



