XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026


Os riscos inflacionários estão mais claros e devem pressionar o Banco Central a pausar o ciclo de corte de juros antes do esperado. Para a XP, o cenário-base mudou e, agora, prevê a taxa Selic em 14% ao fim de 2026. Isso significa mais tempo com juros restritivos no país, o que encarece a concessão de crédito e limita os investimentos. O cenário só não é pior porque a valorização do real consegue conter, em partes, a inflação.

A mudança de projeção considera não apenas a guerra no Oriente Médio, que se estende além do previsto inicialmente, mas também crescem as pressões inflacionárias sobre componentes voltados à Inteligência Artificial e produtos agrícolas com a chegada de um El Niño severo, além das medidas domésticas de estímulo fiscal e crédito, que devem pressionar a demanda, avalia Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos.

E inflação pressionada vira objeto de combate do Banco Central, que tenta segurar o consumo com a taxa básica de juros.

Estímulo fiscal deve segurar atividade econômica

A estimativa da XP é que as medidas de estímulo fiscal e de crédito lançadas desde o quarto trimestre de 2025 somem cerca de R$ 200 bilhões. Esse montante tem o potencial de adicionar até 1,5 ponto percentual à taxa de variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. 

Com essa injeção de recursos na economia, a corretora manteve a projeção de crescimento do país em 2,0% para este ano. 

No entanto, a perspectiva para 2027 é de desaceleração, com o avanço do PIB caindo para 1,2%, reflexo direto da política monetária restritiva prolongada e de um impulso fiscal negativo esperado para o período.

Continua depois da publicidade

Inflação além de 5%

A gestora revisou a projeção de inflação de 5,3% para 5,5% em 2026 (era de 3,8% em fevereiro), e de 4% para 4,2% em 2027. 

Segundo Megale, pesou na avaliação “a maior inércia inflacionária, o mercado de trabalho aquecido e algum transbordamento dos efeitos do “El Niño” para o próximo ano”.

Os dados de desemprego e renda no trimestre móvel encerrado em abril de 2026  mostraram relativa estabilidade, indicando que haverá mais renda disponível para pressionar o consumo. A taxa de desocupação está em 5,8%, e o rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.732) teve crescimento de 5,3% no ano.

Selic para em 14%

Com previsão de inflação maior, a XP vê espaço agora para mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, indo dos atuais 14,5% para 14%, seguido de pausa. Antes, a projeção era de três cortes da mesma magnitude.

“Ao recalibrar o curso da política monetária, acreditamos que o Banco Central conseguirá evitar uma elevação adicional das expectativas de inflação no horizonte de médio prazo”, escreve Megale, em relatório.

Além do aquecimento artificial da demanda, o custo fiscal dessas medidas compõem o quadro que exige cautela do Banco Central. A aceleração das despesas financeiras, necessárias para bancar as ações de estímulo ao crédito, mais do que compensam qualquer melhora primária e mantêm a dívida pública em firme trajetória de alta. 

Continua depois da publicidade

A projeção da gestora aponta que a Dívida Bruta do Governo Geral saltará para 83,3% do PIB ao final de 2026, alcançando 88,1% em 2027, destaca Tiago Sbardelotto, economista da XP. 

Paralelamente, o setor público consolidado, que engloba União, estados e estatais, deverá registrar déficit primário de 0,5% do PIB neste ano.

Câmbio segue ancorando a inflação

Os riscos inflacionários só não são piores porque o câmbio está valorizado. Megale destaca que a taxa de câmbio brasileira segue acumulando valorização próxima de 10% ao ano e deve ficar ao redor de R$ 5, ainda que com volatilidade.

Continua depois da publicidade

Saiba mais: Câmbio favorável e exportação de petróleo amortecem a inflação. Qual o limite disso?

A resiliência da moeda brasileira frente a um cenário global e doméstico incerto encontra respaldo nas contas externas do país. Na avaliação da economista da XP Luíza Pinese, a projeção para o superávit da balança comercial foi elevada para 85 bilhões de dólares em 2026, fortemente impulsionada pelas exportações de commodities. 

O grande destaque é o setor de petróleo, que acumula expansão próxima a 30% no ano em volume exportado. Além disso, a entrada de capital estrangeiro segue em alta. A XP revisou para cima sua projeção de Investimento Direto no País (IDP), que deve alcançar 85 bilhões de dólares, o equivalente a 3,1% do PIB, compensando a piora nas contas de serviços e renda.

Continua depois da publicidade

Outros bancos e corretoras também revisam Selic

Itaú, Banco Pine e MAG Investimentos também reduziram as apostas de cortes na taxa básica de juros e agora projetam a Selic entre 13,5% e 14% ao fim de 2026.

No relatório do Focus, que acompanha as medianas do mercado, a Selic terminal ainda está mantida em 13,25%. Há quatro semanas, a projeção era de 13%. 

Saiba mais: Revisões de bancos e gestoras já colocam a Selic em até 14% no final de 2026



Veja matéria completa!

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.