XP vê Selic a 14,25% e alerta para freio nos cortes, mesmo com fim da guerra


A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta terça e quarta-feira, deve levar a Selic a 14,25%, com um corte de 0,25 ponto percentual. Mas, mesmo com o recuo do petróleo impulsionado pela sinalização de um acordo entre Estados Unidos e Irã sobre o fim do conflito no Oriente Médio, a decisão deverá vir acompanhada de um comunicado mais duro, de tom hawkish. A XP projeta que a autoridade monetária deve sugerir a possibilidade de uma interrupção no ciclo de afrouxamento, refletindo a piora no cenário de inflação. 

O relatório “Esquenta do Copom”, assinado pelos economistas Caio Megale, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, mostra que as projeções de inflação do Banco Central devem se distanciar ainda mais da meta oficial. A corretora avalia que a expectativa para o índice oficial da inflação, o IPCA, no quarto trimestre de 2027 — o atual horizonte relevante de política monetária — subirá de 3,5% para 3,6%. 

Apesar da piora no balanço de riscos, a XP avalia que o nível atual de juros permite a manutenção do ciclo de cortes. “Entendemos que, na avaliação do Comitê, os juros ainda estão excessivamente elevados e, portanto, podem ser reduzidos. Especialmente à luz da queda recente nos preços do petróleo, os quais vêm merecendo destaque na comunicação do Copom”, escrevem os economistas. 

Câmbio pressionado e reaceleração da demanda

A cautela do Copom deve ser motivada pela composição da inflação e a taxa de câmbio, que acenderam sinais de alerta. O real deixou de ajudar a conter as projeções inflacionárias e sofreu uma depreciação de cerca de 2% nas últimas semanas, com a cotação de referência subindo para a faixa de R$ 5,10. Além disso, a média dos núcleos do IPCA tem oscilado em torno de 5,5%, patamar que beira o dobro da meta central de 3% perseguida pelo Banco Central. 

Essa pressão sobre os preços ocorre em meio a uma expressiva reaceleração da demanda. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre registrou um crescimento anualizado superior a 4,0%. Segundo os analistas, esse avanço é explicado, em grande medida, pelo amplo conjunto de medidas fiscais e parafiscais implementadas pelo governo desde o final do ano passado. Tais estímulos possuem um impacto potencial estimado em 1,5 ponto percentual sobre o crescimento anual, limitando a ociosidade da economia. 

Choques externos e gargalos de oferta

No cenário internacional, os choques globais de oferta persistem. O documento destaca o aumento da inflação ao produtor na Ásia, reflexo da pressão nos custos de insumos tecnológicos gerada pela forte expansão dos investimentos atrelados à Inteligência Artificial (IA).

Adicionalmente, as chances de um fenômeno climático El Niño severo cresceram, o que pode resultar em menor produção agrícola e elevar os preços dos alimentos a partir do segundo semestre deste ano. 

O futuro da Selic e a comunicação

O foco das atenções do mercado financeiro deve se voltar ao comunicado pós-reunião. A XP avalia que o Banco Central evitará indicar explicitamente o término do ciclo de flexibilização monetária, optando por manter espaço para cortes adicionais caso o cenário evolua de forma favorável. No entanto, a expectativa é que o Comitê retire de seu texto oficial a tradicional menção aos “próximos passos da calibração dos juros”, sinalizando que uma pausa pode ocorrer em breve. 

O cenário-base inclui mais duas reduções de 0,25 p.p. na taxa Selic, segundo a XP, o que levaria os juros a 14% até o fim do ano. Contudo, considerando os desafios à frente, os economistas alertam que o Comitê pode optar por interromper o ciclo após a redução desta semana, pausando a Selic em 14,25%. 

Continua depois da publicidade

A retomada dos cortes mais sólidos ficará restrita ao próximo ano e estará condicionada ao avanço de reformas que coloquem as contas fiscais brasileiras em uma trajetória mais sustentável. Sob essa hipótese, e considerando a postura mais conservadora de curto prazo para conter as pressões correntes, a corretora projeta que a taxa Selic encerrará 2027 no patamar de 11,50%.



Veja matéria completa!

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.