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Boletim Focus eleva projeção da inflação e vê Selic em 13,75% no fim de 2026


O mercado financeiro elevou pela 14ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central. A estimativa para o IPCA deste ano passou de 5,11% para 5,30%. No mesmo relatório, os economistas elevaram a projeção para o PIB de 2026 de 1,91% para 1,96%, aumentaram a expectativa para a taxa Selic ao fim do ano de 13,50% para 13,75% e revisaram o câmbio de R$ 5,15 para R$ 5,20 por dólar.

Inflação

A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, marcando a 14ª alta consecutiva. Para 2027, a estimativa avançou de 4,03% para 4,10%, na quarta elevação seguida. Em 2028, a expectativa passou de 3,65% para 3,68%, na primeira alta após um período de estabilidade. Para 2029, a projeção foi mantida em 3,50% pela 41ª semana consecutiva.

As estimativas para o IGP-M também foram revisadas para cima. Para 2026, a projeção passou de 6,10% para 6,22%, na 15ª alta consecutiva. Para 2027, avançou de 4,00% para 4,04%, na primeira alta após estabilidade. Para 2028, permaneceu em 3,82% pela quinta semana seguida. Já para 2029, subiu de 3,70% para 3,77%, na primeira elevação.

Nos preços administrados, a projeção para 2026 aumentou de 4,98% para 5,00%. Para 2027, a estimativa recuou de 3,84% para 3,81%. Em 2028, a projeção avançou de 3,50% para 3,60%. Para 2029, permaneceu em 3,50% pela 48ª semana consecutiva.

PIB

A expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,91% para 1,96%, na quarta alta consecutiva. Para 2027, a projeção foi mantida em 1,70% pela terceira semana seguida. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, estáveis há 118 e 65 semanas, respectivamente.

Câmbio

A projeção para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20. Para 2027, a expectativa avançou de R$ 5,20 para R$ 5,25. Para 2028, a estimativa foi mantida em R$ 5,30 pela terceira semana consecutiva. Já para 2029, a projeção aumentou de R$ 5,35 para R$ 5,40.

Selic

A expectativa para a taxa básica de juros ao fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75% ao ano, na segunda alta consecutiva. Para 2027, a projeção avançou de 11,50% para 12,00%, também na segunda elevação seguida. Para 2028, a estimativa passou de 10,00% para 10,25%. Para 2029, a projeção permaneceu em 10,00% ao ano pela sexta semana consecutiva.



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Corte ou pausa da Selic? Copom enfrenta ‘ponto crítico’ na política sobre juros


O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira (16 e 17) para avaliar os indicadores da economia brasileira e global e deliberar se cabe mais um corte de juro na atual taxa Selic, que está em 14,5%, ou se já é hora de fazer uma pausa.

Pesam no cenário de avaliação os dados de inflação de maio, registrados em 0,58%, e o acumulado de 12 meses, que superou o teto da meta. A análise da autoridade monetária deve incluir a visão de longo prazo, o ritmo de alta da inflação e os dados de atividade econômica, que se mostraram robustos.

No cenário externo, o conflito no Oriente Médio adiciona incertezas aos preços de insumos, enquanto a reprecificação de juros nos Estados Unidos traz a possibilidade de reversão na trajetória de queda do dólar.

Para Paulo Vicente, professor associado da FDC, a palavra para a próxima reunião do Copom é “tensão”. “Trata-se de uma reunião marcada pela coexistência de pressões inflacionárias relevantes, sobretudo ligadas aos combustíveis e ao cenário internacional, ao mesmo tempo em que cresce a atenção dos agentes econômicos para os efeitos do ciclo eleitoral sobre as expectativas. O Banco Central precisará sinalizar firmeza no combate à inflação sem perder de vista os riscos para a atividade econômica”, afirma.

O dilema da manutenção

Neste contexto, parte dos agentes econômicos avalia que o Copom deverá fazer uma pausa nos cortes. Na Pilar Capital, o cenário-base ancora a manutenção da Selic em 14,5%, diz Cassio Viana de Jesus, diretor de investimentos e negócios. Ele avalia que há uma combinação de vetores que afetam a decisão desta reunião, incluindo a expectativa de inflação acima do teto da meta, o petróleo pressionado, a piora na leitura fiscal e o câmbio sensível. “Cortar juros agora poderia transmitir ao mercado uma mensagem de tolerância maior com a inflação, justamente quando as expectativas estão se deteriorando”, afirma o diretor. 

Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos, afirma que o Copom está em um “ponto crítico” na condução da política monetária. Para ele, o comitê deve manter os juros em pausa, já que os dados macroeconômicos e a situação geopolítica confirmam a leitura de “indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos” do conflito no Oriente Médio apresentada pelo Copom na última reunião. 

“Há de se observar que foram raros os casos na história recente do Brasil em que a autoridade monetária tomou decisão semelhante, ou seja, cortou juros enquanto as medidas de inflação corrente e as expectativas se deterioravam rapidamente em um ambiente de elevada incerteza”, afirma Vital, em relatório.

Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o Copom deve optar pela manutenção dos juros em 14,50%. “Ainda há riscos demais no cenário para continuar com o ciclo de flexibilização”, diz. Ele reforça que fatores como o crédito sustentando a demanda, efeitos climáticos sobre os alimentos e a possível saída de capital estrangeiro justificam a prudência na decisão. 

Espaço para o corte residual

Em contrapartida, especialistas de diferentes instituições projetam um corte residual na taxa. Leonardo Costa, economista do ASA, avalia que o Copom deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, sinalizando o encerramento do ciclo de cortes devido à deterioração do cenário e à resistência nos núcleos de serviços. 

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Arnaldo Lima, economista da Polo Capital, também espera um corte da mesma magnitude, pontuando que o choque de oferta provocado pela guerra aparenta ser temporário, sem espaço para alta de juros no momento. 

Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, reforça a previsão de queda de 0,25 ponto percentual. “O atual nível de juro real, bastante restritivo, permite a continuidade do ciclo de queda no ritmo atual”, diz. 

Relatórios institucionais corroboram a viabilidade do corte. O banco Itaú vê espaço para “um novo, modesto, corte de juros na decisão de junho”, de 0,25 ponto percentual, deixando “o futuro em aberto”, com a autoridade monetária comunicando que o espaço para calibração adicional é incerto, de acordo com relatório assinado pelo economista-chefe Mario Mesquita.

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A equipe do J.P. Morgan defende o corte sob o argumento de que a política permanece restritiva e atua como um seguro contra um aperto excessivo na economia. 

Leia também: Revisões de bancos e gestoras já colocam a Selic em até 14% no final de 2026 

Impactos da política restritiva na economia

A manutenção dos juros em patamares elevados gera consequências diretas na atividade produtiva. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a política monetária permanece em terreno excessivamente restritivo, com a taxa real em torno de 10% ao ano, o dobro da taxa neutra estimada pelo Banco Central. 

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A entidade aponta que interromper a queda da Selic neste momento configura um erro para a atividade produtiva. Segundo a CNI, o custo da restrição de crédito resultou em níveis recordes de endividamento corporativo e inadimplência no país. Para a confederação, os juros elevados representam a “corrosão da base produtiva e das indústrias de menor porte, que sustentam o emprego e o investimento”. 

Projeções e comunicação do Banco Central

Diante da pluralidade de fatores, a comunicação do Copom assume papel central na ancoragem de expectativas. Viana de Jesus atribui a palavra “cautela” para a reunião, definindo-a como uma atitude defensiva e de preservação de credibilidade. 

As projeções do mercado para o encerramento de 2026 refletem a reprecificação dos ativos. Costa, do ASA, revisou a projeção de Selic apra 14,25% ao fim do ano e inflação em 5,5%. Rondinelli, da MAG Investimentos, projeta a Selic a 14% e a inflação em 5,4% para o mesmo período. 

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Na Warren Investimentos, a projeção é de que o BC irá manter os juros inalterados e adotar tom neutro na comunicação, podendo voltar a encontrar espaço para corte na última reunião do ano. Neste cenário, a Selic terminaria 2026 em 14,25%.

A XP alterou seu cenário-base e, agora, prevê a taxa Selic em 14% e IPCA em 5,3% ao fim de 2026. O BTG Pactual ajustou a estimativa do IPCA de 4,9% para 5,3% em 2026, incorporando formalmente o repasse do choque do petróleo e os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño. O banco projeta corte de 0,25 p.p. nesta reunião, o último do ano, levando Selic a encerrar 2026 em 14,25%.



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África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção no agro

A busca por segurança alimentar tem levado países africanos a intensificar a procura pela tecnologia desenvolvida pela pecuária brasileira. Mais do que adquirir animais ou material genético, governos e produtores do continente vêm buscando no Brasil soluções completas para aumentar a produção de carne e leite em regiões de clima tropical, movimento que tem impulsionado as exportações de genética zebuína e ampliado a presença de empresas brasileiras na África.

A importância crescente desse mercado já aparece nos números do comércio exterior. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para países africanos, evidenciando o fortalecimento das relações comerciais entre o continente e o agronegócio brasileiro.

O cenário acompanha um momento positivo para o setor de genética bovina. Segundo o presidente da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), Luis Adriano Teixeira, 2025 foi um ano bastante favorável para a atividade, marcado pelo crescimento expressivo tanto na entrada de doses de sêmen no mercado quanto no volume de comercialização.

Dentro desse contexto, a África tem se consolidado como uma das principais apostas para a expansão da genética bovina brasileira. Segundo Bento Mineiro, sócio-fundador da Zebuembryo, o continente já responde por cerca de 40% das exportações de embriões da empresa e a participação deve aumentar nos próximos anos.

“A África é a nossa próxima fronteira. Temos um continente ainda completamente inexplorado, com baixa adesão à tecnologia, mas com potencial gigantesco do ponto de vista da demanda por segurança alimentar e produção de alimentos”, afirma.

De acordo com o empresário, o interesse africano vai muito além da compra de genética. Os países buscam conhecer e implementar o modelo de produção tropical desenvolvido pelo Brasil ao longo das últimas décadas, considerado hoje uma referência mundial para regiões com características climáticas semelhantes.

“A agropecuária tropical brasileira tem sucesso em todas as frentes e, no caso da pecuária, tem o zebu como protagonista. Eles vêm buscar não apenas o produto final, mas como montar toda uma cadeia de produção”, destaca.

Segundo Bento, o pacote tecnológico brasileiro engloba genética zebuína, pastagens adaptadas, sanidade animal, sistemas de manejo, equipamentos e outras soluções voltadas à produção eficiente de carne e leite em ambientes tropicais e subtropicais.

“Cada vez mais fica evidente que a agropecuária tropical brasileira é a solução mais adequada para essas realidades”, diz.

O interesse crescente também pode ser observado no aumento das missões internacionais ao Brasil. De acordo com Bento, a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) tem recebido quase mensalmente delegações africanas formadas por ministros da Agricultura, representantes de governos, pesquisadores e empresários interessados em conhecer a tecnologia desenvolvida no país.

Na última edição da Expozebu, realizada em Uberaba (MG), mais de 700 estrangeiros de mais de 40 países participaram do evento. Uma parcela significativa dos visitantes veio de países africanos.

“Eles estão buscando ser mais eficientes e fortalecer sua produção local. Existe uma demanda crescente por segurança alimentar e pela capacidade de produzir mais proteína dentro dos próprios países”, afirma.

Para o empresário da Zebuembryo, a preocupação dos governos com a produção local de alimentos ganhou força após eventos que expuseram vulnerabilidades nas cadeias globais de abastecimento.

“A pandemia mostrou uma certa fragilidade nas relações comerciais globais. Depois vieram a guerra da Ucrânia e outros conflitos internacionais. Isso despertou ainda mais a preocupação dos países com a garantia da segurança alimentar”, explica.

Segundo ele, embora a autossuficiência alimentar sempre tenha sido um objetivo de muitos países, o tema passou a ocupar posição ainda mais estratégica nos últimos anos.

“Esse assunto vem subindo cada vez mais na prioridade dos governos. Eles querem produzir mais localmente e garantir o abastecimento das suas populações”, observa.

Investimentos

O avanço dos negócios no continente africano tem impulsionado investimentos na estrutura da Zebuembryo. A empresa está ampliando tanto a capacidade do laboratório de produção de embriões quanto as áreas destinadas à quarentena e preparação dos animais para exportação.

Atualmente, a companhia produz cerca de 22 mil embriões por ano. A expectativa é alcançar aproximadamente 30 mil embriões no próximo ciclo produtivo e, posteriormente, atingir capacidade para até 60 mil embriões anuais.

“Nós estamos ampliando nossas estruturas porque enxergamos uma possibilidade muito grande de crescimento. Nossa expectativa é crescer entre 30% e 40% nos próximos anos”, afirma Bento.

A expansão será realizada na unidade de Uberaba (MG), um dos principais polos mundiais da genética zebuína. A empresa também pretende dobrar sua capacidade de doadoras, passando das atuais 300 para 600 matrizes em produção.

Além da África, a Zebuembryo também mira novos mercados no Sudeste Asiático. Países como Indonésia, Vietnã, Tailândia e Camboja já demonstram interesse pela genética brasileira, e negociações para os primeiros embarques estão em andamento.

O trabalho de abertura de mercados conta com apoio da ABCZ, da ApexBrasil, do Ministério da Agricultura e da rede de adidos agrícolas brasileiros no exterior.

“Estamos buscando novos mercados de forma incansável. A genética zebuína é uma tecnologia genuinamente brasileira e pode desempenhar um papel estratégico em diversos países tropicais”, afirma.

Para Bento Mineiro, o avanço da genética bovina brasileira no exterior representa mais do que uma oportunidade comercial. Trata-se da exportação de um modelo produtivo desenvolvido no Brasil e que vem sendo adotado por países que buscam ampliar sua capacidade de produzir alimentos.

“É uma tecnologia criada no Brasil sendo utilizada como ferramenta estratégica em outras partes do mundo. Isso fortalece não apenas a exportação de genética, mas também a imagem da agropecuária brasileira e abre portas para outros produtos do país”, conclui.

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