Categorias
economia

IPCA fraco reforça aposta em corte da Selic em agosto, mas petróleo mantém alerta


A desaceleração do IPCA para 0,16% em junho – cerca da metade da alta de 0,31% projetada em pesquisa da Reuters – reforçou a aposta entre economistas de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom de agosto.

O alívio, porém, veio acompanhado de uma ressalva quase unânime: a escalada recente do petróleo, em meio à tensão entre Estados Unidos e Irã, pode contaminar os próximos índices e limitar o espaço para cortes nos juros. 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou nesta sexta-feira (10) que o resultado de junho representou forte desaceleração frente aos 0,58% de maio e levou o acumulado em 12 meses de 4,72% para 4,64%. O índice ainda segue acima do teto da meta, de 4,5%.

Para além do dado cheio, a composição do índice foi o que mais animou os analistas. André Valério, economista do Inter, destaca que a média dos núcleos recuou de 0,45% para 0,21%, acumulando alta de 4,44% em 12 meses e voltando a rodar abaixo do teto da meta, enquanto o índice de difusão caiu de 65% para 54%. “O processo inflacionário dá sinais de que o aperto monetário empreendido nos últimos anos tem surtido efeito”, avalia. 

Na visão do Inter, isso permitiria ao Copom manter o atual ciclo de cortes mesmo diante de uma possível reaceleração dos alimentos provocada por um El Niño que tende a ser forte, com pressão concentrada no quarto trimestre deste ano e no primeiro de 2027. O banco projeta cortes de 0,25 ponto em todas as reuniões restantes de 2026, levando a Selic a 13,25% em dezembro.

Leonardo Costa, economista do ASA, observa que a surpresa esteve concentrada na alimentação. Ele destaca que a média dos núcleos registrou a menor variação mensal desde setembro de 2025, mas o quadro geral segue exigindo cautela: o resultado “representa um alívio moderado, mas insuficiente para alterar de forma relevante o diagnóstico de política monetária”, já que a inflação segue acima do teto, as expectativas permanecem desancoradas e a atividade continua resiliente. Ainda assim, avalia que cresce a chance de o BC voltar a cortar 0,25 ponto em agosto.

Continua depois da publicidade

Na SulAmérica Investimentos, a economista-chefe Natalie Victal também viu qualitativo “bom”, com surpresa nos núcleos, e avalia que o dado corrobora a virada do balanço de riscos da inflação para 2026, com potencial de leve viés de queda nas projeções do Focus para 2028. – segundo estudos da casa, as expectativas de dois anos à frente são altamente correlacionadas com a inflação corrente. 

No entanto, a economista pondera, que o quadro fiscal complexo e a proximidade das eleições devem impedir uma reancoragem mais clara das expectativas, e manifesta preocupação especial com o quarto trimestre, pelo potencial de contágio de um choque altista. “O panorama segue recomendando máxima cautela para o BC”, resume.

Geopolítica ainda preocupa

É justamente no front externo que se concentra a principal ressalva dos analistas. André Matos, CEO da MA7 Negócios, lembra que o IPCA considera preços coletados até o fim de junho e não captura a disparada do petróleo desta semana, com o barril encostando na casa dos US$ 80 após a nova escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã.

Continua depois da publicidade

“O número tranquiliza no campo doméstico, e a preocupação maior passa a ser o risco importado”, afirma, citando o potencial de contaminação sobre combustíveis, fretes e câmbio.

Cassio Viana de Jesus, diretor de investimentos e novos negócios da Pilar Capital, segue linha semelhante: o índice de junho foi apurado em um período em que prevalecia a expectativa mais otimista após a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, em 17 de junho.

Com a retomada das hostilidades, um petróleo mais caro pode chegar aos próximos índices via combustíveis, fretes, custos de produção e câmbio. “Se houver nova escalada no Oriente Médio, o Banco Central provavelmente manterá uma postura mais cautelosa”, diz, acrescentando que o Copom também monitora as decisões do Federal Reserve e do Banco do Japão, com potencial de afetar fluxos de capital e o câmbio.

Continua depois da publicidade

Peterson Rizzo, head de relações com investidores da Multiplike, avalia que a ameaça ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem potencial para elevar os preços internacionais da energia, embora a continuidade das negociações entre os dois países reduza, por ora, o risco de escalada militar mais ampla. “O resultado de hoje é favorável para os juros, mas não representa um sinal verde automático para novos cortes”, afirma.

Do lado do crédito, a melhora pode ser gradual. Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o petróleo funciona como risco de cauda – “não determina sozinho a decisão de juros, mas pode alterar rapidamente a percepção de risco” – e o dado tende a mudar mais o grau de confiança do mercado do que a velocidade do ciclo de flexibilização. 

Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, lembra que, para quem toma crédito, “o dinheiro ainda continua caro e seletivo no Brasil”, e que uma inflação mais comportada alivia a curva de juros, mas não altera de imediato as condições de aprovação de financiamentos.

Continua depois da publicidade



Veja matéria completa!

Categorias
economia

inflação sobe 0,16% em junho, abaixo do esperado pelo mercado


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho de 2026, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base de comparação anual, o avanço foi de 4,64%.

As expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,31% em junho e de 4,80% em 12 meses.

O grupo Habitação exerceu a maior pressão sobre o índice, com avanço de 0,63% e impacto de 0,10 ponto percentual, embora tenha desacelerado em relação à alta de 1,22% observada em maio. O principal destaque continuou sendo a energia elétrica residencial, cuja alta perdeu força, passando de 3,67% para 1,53%, mas ainda representou o maior impacto individual do mês, de 0,06 ponto percentual.

Além da manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, o resultado refletiu reajustes em concessionárias de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, a alta de 5,61% na energia elétrica incorporou a retomada de um reajuste tarifário de 15,10%, conforme determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto avançou 0,30%, influenciada por reajustes em Brasília, Rio Branco e Curitiba, enquanto o gás encanado recuou 0,57%, refletindo uma redução média de tarifas no Rio de Janeiro.

O grupo Despesas pessoais registrou a segunda maior alta entre os nove grupos pesquisados, com avanço de 0,25%, impulsionado principalmente pelos aumentos nos serviços de empregado doméstico (0,53%) e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%).

Continua depois da publicidade

Em Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,23%, destacaram-se os artigos de higiene pessoal, especialmente os perfumes, além dos planos de saúde. A alta de 0,34% nos planos reflete a incorporação do reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Já o grupo Transportes subiu 0,17%, influenciado principalmente pelo aumento de 7,12% nas passagens aéreas. Por outro lado, os combustíveis ajudaram a conter a inflação ao registrar queda de 0,48%, com recuos em todos os principais itens: etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).

No grupo Alimentação e bebidas, houve uma mudança significativa de direção. Após alta de 1,33% em maio, os preços recuaram 0,24% em junho, gerando o principal alívio para o índice, com impacto negativo de 0,05 ponto percentual.

Continua depois da publicidade

A alimentação no domicílio caiu 0,39%, influenciada pelas reduções nos preços do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). Entre as exceções, destacaram-se as altas do feijão-carioca (8,31%) e da batata-inglesa (3,57%).

A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de alta de 0,49% em maio para 0,15% em junho. Tanto os preços dos lanches quanto das refeições perderam força no período, contribuindo para o cenário de inflação mais moderada observado no mês.

(Com Agência IBGE)

Continua depois da publicidade



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Balança Comercial de julho registra superávit de US$ 2,273 bilhões na 1ª semana


A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 2,273 bilhões na primeira semana de julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 6, o valor foi alcançado com exportações de US$ 5,891 bilhões e importações de US$ 3,618 bilhões.

Até a primeira semana de julho, comparado ao mesmo período do mês de 2025, as exportações avançaram 40,6%. O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 1,5% em Agropecuária, a US$ 947 milhões; alta de 81,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,761 bilhão e, por fim, aumento de 39,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,167 bilhões

Em relação às importações, houve elevação de 10,4% na mesma comparação. Houve queda de 15,0% em Agropecuária, que somou US$ 75 milhões; crescimento de 86,6% em Indústria Extrativa, a US$ 245 milhões e, por fim, expansão de 7,4% em Indústria de Transformação, a US$ 3,288 bilhões.

Acumulado do ano

De janeiro até a primeira semana de julho, o ano acumula superávit de US$ 44,630 bilhões, um crescimento de 39,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 37,184 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 90,0 bilhões neste ano, crescimento de 32,3% em relação a 2025. O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Em audiência sobre tarifas, exportadores brasileiros destacam riscos para EUA


Representantes de entidades empresariais e da sociedade civil do Brasil e dos Estados Unidos participaram, em Washington, de uma audiência pública que foi realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para discutir a proposta de aplicação de tarifas e outras medidas comerciais sobre produtos brasileiros exportados para a maior economia do mundo.

O governo brasileiro enviou observadores. Empresários brasileiros que participaram da reunião de hoje — a primeira de duas (a segunda está marcada para amanhã) — e falaram em nome de setores econômicos brasileiros atingidos pelas medidas disseram ao GLOBO que estão moderadamente otimistas sobre possível mudança de postura dos americanos, dado o tom técnico adotado pelas autoridades.

Neste primeiro dia de audiências, os depoimentos dos representantes de exportadores brasileiros se concentraram em mostrar principalmente como a decisão de Trump de tarifar adicionalmente importações do Brasil pode acabar ampliando custos para a indústria americana e para a sua cadeia de fornecedores, o que levaria a alta de preços para empresas e consumidores.

No Brasil, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “arbitrária” a decisão dos EUA, anunciada em junho, de aplicar um novo tarifaço contra o país após a conclusão de uma investigação comercial do USTR, contestada pelo Brasil.

O USTR também publicou manifestações feitas por escrito por empresas. Com data de 1º de julho, empresas americanas, como a gigante de bebidas Coca-Cola, a montadora de Elon Musk Tesla e o site de vendas de usados eBay recomendaram que os Estados Unidos não adotem tarifas sobre produtos brasileiros, sob pena de serem prejudicados o fornecimento, a produção e o comércio de seus itens em solo americano.

Seção 301

Continua depois da publicidade

A audiência de hoje faz parte da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974, que permite ao governo daquele país retaliar nações cujas políticas sejam consideradas injustificadas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio americano.

Nesta etapa, o USTR ouve empresas, especialistas e associações antes de elaborar sua recomendação final sobre a adoção das medidas propostas. Não é a primeira vez que empresários brasileiros participam desse tipo de reunião nos EUA. No ano passado, audiências públicas também foram realizadas em Washington após o presidente dos EUA, Donald Trump, decretar os primeiros tarifaços sobre produtos brasileiros.

‘Ambiente diferente’

Continua depois da publicidade

Durante a reunião, cada participante teve cinco minutos para sua manifestação. Em seguida, respondiam perguntas do USTR.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, um dos que falaram na reunião, avaliou que a audiência teve um ambiente mais técnico e favorável ao Brasil do que o observado em setembro do ano passado. Segundo ele, representantes de áreas como agricultura, comércio, Tesouro, trabalho e saúde participaram da sessão, elevando o nível das discussões.

— O ambiente foi muito diferente daquele que enfrentamos em setembro do ano passado. As perguntas foram mais técnicas, mais específicas e mais aprofundadas — afirmou.

Continua depois da publicidade

Importadores americanos defendem Brasil

Matos diz que o Brasil foi amplamente defendido por entidades nacionais e por representantes da indústria americana, que estão entre os importadores de produtos do Brasil, o que ele atribuiu a um resultado do trabalho realizado ao longo dos últimos meses para aproximar empreendedores dos dois países.

Na audiência, o Cecafé defendeu a manutenção da isenção tarifária para o café verde e para o café torrado e moído, além da inclusão do café solúvel na lista de exceções. A entidade argumentou que o produto é um insumo importante para a indústria americana, que o utiliza na fabricação de bebidas prontas para consumo e outros produtos de maior valor agregado.

Continua depois da publicidade

— A gente mostrou que o café solúvel brasileiro gera valor para a indústria americana, ajuda a manter a estabilidade de preços ao consumidor e beneficia diferentes segmentos do mercado nos Estados Unidos.

Na avaliação de Matos, a postura dos integrantes do USTR indicou maior abertura para compreender os impactos econômicos das medidas propostas, especialmente sobre a cadeia produtiva americana.

— Existe uma janela de oportunidade. É um otimismo com moderação, mas hoje há um contexto que não existia no ano passado.

Defesa do Pix

O professor de Economia e Finanças da FGV Gustavo Pessoa, que participou do sexto painel da audiência como representante da sociedade civil, também avaliou que boa parte das manifestações foi favorável ao Brasil.

Ao lado de Vinícius Nunes Pinto, executivo brasileiro com experiência no setor de pagamentos, Pessoa fez uma defesa do Pix como um meio de pagamento democrático no Brasil que não ameaça os negócios das bandeiras de cartões americanas. Um representante do Departamento do Tesouro dos EUA perguntou como os EUA poderiam se beneficiar de eventual integração como o Pix.

— Respondi que o Pix não é o maior sistema de pagamentos instantâneos do mundo, porque o sistema indiano é quatro vezes maior que o nosso (em volume transacionado), mas que o caso brasileiro é o de maior sucesso, dada a adesão da população e das empresas. Eu disse que a tecnologia veio para ficar, assim como os pagamentos digitais, e que seria interessante para os EUA, que são a maior potência financeira do Ocidente, aprenderem e se adaptarem, se integrarem — afirmou o professor da FGV.

Pinto diz ter sugerido uma integração entre o Pix e o Fed Now, que está sendo desenvolvido pelo Federal Reserve, o BC dos EUA, que segundo ele são sistemas muito parecidos.

— Eles são parecidos, baseados na mesma tecnologia, no mesmo padrão de mensageria, então existe a possi8blidade de criar pontes entre os dois, fortalecendo ainda mais o comércio entre os dois países.

Dados desatualizados

Algumas falas de americanos na audiência em favor de novas tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente durante o segundo painel — que reuniu entidades relevantes do agronegócio dos dois países — chamaram a atenção de Pessoa:

— Durante os depoimentos, muitos representantes usaram como justificativa para a aplicação de medidas com base na Seção 301 um suposto aumento do desmatamento no Brasil. O que me chamou a atenção é que praticamente todos utilizaram dados com recorte até 2022, sem apresentar números mais atualizados.

Próximo passo

Após a audiência, as entidades terão cinco dias para enviar documentos complementares, caso considerem necessário reforçar algum ponto apresentado. Em seguida, o USTR dará sequência à elaboração da recomendação final da investigação da Seção 301 à Casa Branca.

A Câmara de Comércio Americana (Amcham Brasil) teve sua fala conduzida pela representante da entidade em Washington, Kristina Rosales. Ela centrou sua argumentação na perspectiva dos EUA.

— O ponto central foi mostrar que a eventual aplicação de sobretaxas sobre importações brasileiras vai ter efeitos negativos para a própria economia americana em relação a aumento de custos e perda de competitividade do setor produtivo, que usa insumos, máquinas e equipamentos e produtos exportados pelo Brasil — contou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, que esteve diretamente em contato com Kristina, após sua fala no início da tarde.

Outro ponto destacado, segundo ele, é que tornar a importação do Brasil mais cara abriria mercado para concorrentes asiáticos, como a China, mercados com os quais os EUA já mantêm um déficit em comércio exterior, enquanto com o Brasil o resultado é superavitário. Ou seja, o Brasil importa mais do que exporta para os EUA.

— A China exporta mais de 90% dos produtos que seriam afetados. E está entre os principais fornecedores de mais de 52% das categorias que podem ser alvo da taxação adicional — ponderou Neto. — Outra coisa é que reduz a influência econômica dos EUA no Brasil. De janeiro a maio deste ano, a participação do país no comércio exterior brasileiro caiu ao menor patamar histórico.

Via diplomática

Kristina foi questionada pelas autoridades americanas sobre que alternativas seriam adequadas em alternativa à aplicação de tarifas ao Brasil. De largada, ela reforçou que há tempo para um esforço de negociação entre os governos dos dois países para alcançar um acordo que evite a tarifação adicional. O governo do presidente Lula já tem equipes em negociações com técnicos da gestão de Trump.

Entre possibilidades sugeridas pela Amcham estão discutir maior acesso a mercados de alguns setores no Brasil, como de componentes para indústria e infraestrutura digital; elaborar um acordo bilateral em minerais críticos, além de, no comércio digital, mirar na prorrogação de longo prazo da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a cobrança de tarifas alfandegárias sobre transmissões eletrônicas.

Risco de inflação a partir do arroz

Na vez da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), o questionamento dos americanos foi outro, conta Andressa Silva, diretora-executiva da entidade.

— A pergunta feita pelo comitê foi por que o arroz produzido nos EUA não substitui o brasileiro. Explicamos que isso ocorre em função da preferência e do perfil dos consumidores atendidos — explicou ela. — Falamos sobre os potenciais impactos sobre pequenas e médias empresas americanas que atendem a comunidade latina, além de toda a cadeia de valor envolvida e do potencial aumento de custo para o consumidor americano.

A defesa da inclusão do arroz brasileiro na lista de exceções à nova tarifa feita pela associação também sublinhou que as relações comerciais no setor entre os dois países são bem estabelecidas e não poderia ser substituídas de forma imediata, pontuou a executiva:

— Foi um ambiente receptivo, oportunidade importante de esclarecimento por parte dos setores privados. Esperamos ter uma avaliação cuidadosa, no sentido de manter as exportações brasileiras de arroz sem a incidência de tarifa adicional.

Líder pecuarista associa boi brasileiro a desmatamento

Segundo Pessoa, um dos discursos mais contundentes foi o de Jenna Stanton, diretora de Política e Assuntos Públicos da Associação de Pecuaristas dos Estados Unidos (USCA, na sigla em inglês). Em sua apresentação, ela associou produtos brasileiros ao desmatamento, à corrupção e ao trabalho ilegal e defendeu que a carne brasileira deixasse a lista de exceções e passasse a ser tarifada.

Pessoa participou da audiência por iniciativa própria e levou uma defesa técnica do Pix, um dos temas citados na investigação do USTR. O órgão americano sustenta que como o sistema foi estruturado pelo Banco Central pode conferir uma vantagem competitiva considerada injusta em relação a empresas americanas de pagamentos eletrônicos.

Na apresentação, o economista argumentou que o Pix não deve ser tratado apenas como um meio de pagamento, mas como uma infraestrutura financeira estratégica, essencial para o funcionamento da economia brasileira. Segundo ele, a discussão deveria se concentrar em aspectos como transparência, governança, interoperabilidade e acesso ao sistema, em vez da adoção de tarifas comerciais.

— O Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento. Hoje ele é uma infraestrutura crítica para o funcionamento da economia brasileira. Em vez de enxergá-lo apenas como um problema comercial, os Estados Unidos poderiam aprender com essa experiência e buscar formas de cooperação nessa área — disse.

Inflação de alimentos

João Marcello Varrichio Messas, representante da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), saiu otimista deste primeiro dia de audiências:

— Tivemos uma visão 360 graus. Falamos do mel orgânico brasileiro e da importância no atendimento da demanda dos EUA, uma vez que eles não produzem esse mel e consomem muito, tendo sua demanda atendida em 95% pelo Brasil — destacou: — E em outro painel, tivemos os dois maiores importadores e o maior engarrafador de mel orgânico americanos, mostrando que cada US$ 1 de mel orgânico importado se transforma em US$ 5,50 para a economia do país.

Segundo ele, o Brasil reúne condições únicas para a produção de mel orgânico, contando com uma mescla entre abelha europeia e abelha africana. Com a forte resistência a doenças, dispensam o uso de antibióticos e medicamentos, como exige a regulação, com coleta de pólen e mel diretamente de florestas naturais nos maiores biomas brasileiros, distantes e fontes de contaminação. Todas caraterísticas que buscou destacar nos EUA.

Messas respondeu ao comitê que não é possível atender o mercado americano com outras fontes de produção por falta de escala comparável à do Brasil. Incentivar essa produção nos EUA, acrescentou, também não é viável pelo clima do país, do tipo de abelha e outros fatores. O risco é a escassez levar a aumento de preços ao consumidor americano.

Combate à falsificação

Já Rodrigo Ouro Preto Santos, vice-presidente da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI), reforçou que a área pode fazer aprimoramentos contínuos, mas que o país conta com legislação atualizada de proteção de marcas e produtos e que cumpre as determinações de proteção de propriedade intelectual determinadas em acordos com o de Paris e os no âmbito da OMC.

— Eles reclamam que há práticas discriminatórias a empresas americanas, mas isso não é verdade. Temos mecanismos de combate à violação de marcas e patentes inclusive no judiciário — disse ele.

Santos citou mudanças como o plano de combate ao estoque de pedidos de patentes INPI, que normatiza o setor. A fila, destaca ele, encolheu de mais de 147 mil pedidos, em 2019, para 527 no início deste ano, quando o contador de solicitações em estoque foi desativado.

Outra medida destacada é a regra que permite à Receita Federal, nas aduanas do país, reter e apreender produtos identificados como falsificados após consulta ao titular do direito de marca e propriedade intelectual.

Questionado pelos americanos sobre como seria possível contornar a taxação, ele afirmou que o caminho é a colaboração entre entidades do setor dos dois países.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

IGP-DI passa a cair 0,79% em junho e recua mais que o esperado, mostra FGV


SÃO PAULO, 7 Jul (Reuters) – ⁠O Índice Geral de Preços-Disponibilidade ⁠Interna (IGP-DI) caiu mais do que o esperado ‌em junho, a uma taxa de 0,79%, depois de avanço de 0,87% no mês anterior, ‌informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de uma deflação de 0,60%. O resultado do mês levou o índice a acumular em 12 meses avanço ⁠de ‌3,59%.

No período, o Índice de Preços ao ⁠Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, caiu 1,36%, de alta de 0,95% no mês anterior.

‘No IPA, a queda do índice foi influenciada principalmente pelas commodities ​minerais e agrícolas’, destacou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

Os dados do IGP-DI mostram que ​o minério de ferro passou a recuar 4,12% em junho, de alta de 0,31% em maio, enquanto o café em grão teve queda de 8,68%, após taxa negativa ‌de 7,69% no mês anterior.

Já o ​Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — mostrou que a pressão aos consumidores diminuiu ao ⁠desacelerar a ​alta a ​0,36% em junho, de 0,60% em maio.

Continua depois da publicidade

Esse resultado reflete a desaceleração ⁠dos grupos Alimentação e ​Habitação, que representam, em conjunto, 40% do IPC, segundo Dias. Enquanto o primeiro teve alta de 0,47% em ​junho, de 1,29% antes, o segundo avançou 0,37%, ante 1,18%.

O Índice Nacional de ​Custo de ⁠Construção (INCC), por sua vez, registrou desaceleração da alta a 0,78% em ⁠junho, de 0,88% antes.

O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.

Continua depois da publicidade

(Por Camila Moreira; Edição de Eduardo ​Simões)



Veja matéria completa!

Categorias
economia

XP reduz projeção do Brent e vê IPCA mais baixo, mas mantém Selic em 14% em 2026







A XP Investimentos revisou suas projeções macroeconômicas após a queda mais forte do petróleo no mercado internacional, com a expectativa de que o Brent encerre o segundo semestre de 2026 em US$ 75 por barril, ante estimativa anterior de US$ 85.

Segundo os economistas da casa, o movimento reduz receitas de exportação e arrecadação no Brasil, mas também diminui a pressão inflacionária global e reduz a chance de o Federal Reserve (Fed, banc central dos EUA) elevar juros no curto prazo.

No cenário doméstico, a XP manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,0% em 2026, com viés de alta diante do acúmulo de medidas expansionistas. Para 2027, porém, reduziu a estimativa de expansão de 1,2% para 1,0%, refletindo o fim dos estímulos de curto prazo e uma possível desaceleração do crédito.

No campo fiscal, a menor arrecadação relacionada ao petróleo deve ser parcialmente compensada pela redução da subvenção aos combustíveis. A XP projeta déficit primário de 0,3% do PIB em 2026, mas destaca que despesas financeiras maiores ampliam o impulso fiscal e pressionam a trajetória da dívida pública.

A casa também elevou a previsão de déficit em conta corrente para 2,5% do PIB em 2026, contra 2,1% anteriormente, diante da queda das exportações de petróleo e do aumento dos gastos com serviços. O Investimento Direto no País (IDP) deve permanecer robusto, alcançando 3,1% do PIB.

Câmbio e inflação

A XP aponta que a incerteza política, a queda nos preços das commodities e a valorização global do dólar podem pressionar o câmbio. Apesar disso, o balanço de pagamentos segue favorável, mantendo a projeção de dólar a R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027.

Continua depois da publicidade

Com o petróleo mais barato, a instituição reduziu a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 5,5% para 5,2%. Para 2027, a projeção permanece em 4,2%, embora os riscos continuem concentrados para cima.

Juros

A XP avalia que uma inflação menos pressionada no curto prazo reforça a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto. No entanto, fundamentos ainda desfavoráveis devem levar o Banco Central a adotar cautela posteriormente.

A projeção para a Selic ao fim de 2026 foi mantida em 14,0%. Para 2027, a XP espera retomada do ciclo de cortes, com a taxa básica encerrando o ano em 11,5%, diante de uma desaceleração da atividade e da hipótese de algum avanço no ajuste fiscal.

Continua depois da publicidade

Eleições presidenciais

Analistas da XP destacam que as eleições começam a ganhar espaço nos debates de mercado, com pesquisas recentes indicando uma recuperação da popularidade do Presidente Lula, à medida que os consumidores sentem o impacto dos estímulos econômicos recentes.

Por outro lado, a XP comenta que o principal candidato de oposição, Flavio Bolsonaro, perdeu algum terreno após eventos que o associaram a Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Mas ele continua sendo um candidato competitivo, de acordo com a maioria das pesquisas”, pontua. “Por ora, as notícias relacionadas às eleições criaram volatilidade de curto prazo, mas não uma tendência para os preços dos ativos, já que as incertezas permanecem elevadas.”



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Governo estuda fórmula automática para ajustar juro do consignado do INSS, diz jornal


O governo estuda criar uma regra automática para ajustar o teto de juros do crédito consignado do INSS, hoje em 1,85% ao mês. A ideia é substituir o modelo atual, em que a definição depende de decisão do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), por uma fórmula que acompanhe indicadores de mercado. As informações são da Folha de S.Paulo.

Segundo o jornal, a fórmula em análise deve considerar a Selic e a taxa DI de dois anos, vista como termômetro mais fiel do custo de captação dos bancos. O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, confirmou à Folha a intenção de adotar um mecanismo automatizado, mas disse que o modelo ainda está em estudo.

Enquanto a regra não é fechada, o ministro também quer discutir uma possível redução do teto atual na reunião do CNPS marcada para o fim do mês. A proposta surge em meio à queda da Selic, hoje em 14,25% ao ano, após ter ficado em 15% até março.

Bancos e entidades do setor financeiro defendem que a revisão leve em conta não só a Selic, mas também juros futuros, custo de captação, tributos e risco da operação. Segundo essas instituições, um teto muito baixo pode desestimular a oferta de crédito, especialmente para aposentados mais velhos e beneficiários de maior risco.

O debate ganhou peso após precedentes recentes. Em 2023, uma redução do teto levou bancos públicos e privados a suspender temporariamente a concessão do consignado do INSS. Em maio deste ano, o estoque da modalidade somava R$ 281 bilhões, com taxa média de 1,82% ao mês, segundo o Banco Central.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Tarifa sobre café solúvel do Brasil afeta consumidores e empresas dos EUA, diz setor


Uma proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre o café instantâneo brasileiro corre o risco de aumentar os custos para as empresas e os consumidores norte-americanos, ao interromper o abastecimento de um produto que o país em grande parte importa, afirmou o setor brasileiro de café solúvel.

Mais de 90% do café solúvel brasileiro é destinado aos EUA, representando mais de um quinto das importações de café instantâneo dos EUA, o que equivale a cerca de 15.500 toneladas por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

“Ao criar essa sobretaxa, negócios e os empregos serão impactados. E os custos mais altos serão repassados aos consumidores americanos”, afirmou Aguinaldo José de Lima, diretor-executivo da Abics.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito de uma investigação da Seção 301, enquanto o governo do presidente Donald Trump anunciou separadamente uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias, incluindo o café instantâneo brasileiro, provenientes de mais de 60 países.

Representantes da Abics, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e da Associação Nacional de Café dos EUA participaram das audiências públicas do USTR em Washington na segunda e na terça-feira, argumentando que a tarifa proposta aumentaria os preços ao consumidor, reduziria as margens de lucro das empresas e afetaria desproporcionalmente as famílias de baixa renda que dependem de café a preços acessíveis.

Os EUA produzem menos de 6% de seus próprios produtos de café instantâneo, acrescentou Lima.

Continua depois da publicidade

“Os Estados Unidos dependem de importações, e não há países com capacidade suficiente para suprir o fornecimento do Brasil com a mesma competitividade de preço”, disse ele.

O café instantâneo brasileiro está atualmente sujeito à tarifa global temporária de 10% imposta pela Casa Branca depois que os tribunais dos EUA revogaram uma tarifa anterior de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros.

O café instantâneo tem crescido em popularidade nos EUA, com 11% dos consumidores diários de café agora optando por ele, ante 6% em 2021, de acordo com a Associação Nacional do Café dos EUA (NCA).

Continua depois da publicidade

O setor brasileiro de café solúvel vê pouca justificativa técnica para excluir seus produtos da lista de outros itens de café isentos de tarifas, disse Lima.

“Todos os outros produtos de café foram isentados, só não foi o solúvel. Até o café solúvel com sabor está isentado. Então não há justificativa técnica para que o solúvel fique fora”, afirmou.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

FMI nomeia Silvana Tenreyro como nova economista-chefe


A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, anunciou nesta terça-feira (7) a nomeação de Silvana Tenreyro como nova economista-chefe da instituição e diretora do departamento de pesquisa.

Tenreyro substituirá Pierre-Olivier Gourinchas, que retornou à carreira acadêmica. Segundo Georgieva, Tenreyro combina sólida produção acadêmica com experiência em formulação de política econômica, em um momento de “profunda transformação e elevada incerteza” para a economia global.

Atualmente professora da London School of Economics, Tenreyro também foi membro externo do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra entre 2017 e 2023. Antes disso, trabalhou como economista no Federal Reserve de Boston.

Georgieva afirmou ainda que Tenreyro se destaca pela capacidade de comunicar temas econômicos complexos com clareza e de liderar o debate sobre as perspectivas da economia global. Ela assumirá o novo cargo em 10 de agosto de 2026.

Nascida na Argentina e com nacionalidades britânica e italiana, Tenreyro é doutora em economia por Harvard e atualmente integra o grupo consultivo externo da diretora-gerente do FMI.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

FMI corta previsão do PIB global em 2026, eleva a de 2027 e vê desinflação estagnada


O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global de 2026, de 3,1% previsto em abril para 3%, de acordo com a atualização de julho do relatório de Perspectivas Econômicas Globais (WEO, em inglês), divulgado nesta quarta-feira. A projeção de aceleração do ritmo econômico global em 2027, em contrapartida, foi elevada do nível de 3,2% previsto em abril para 3,4%. O dinamismo segue inferior à média de 3,5% observada em 2024-2025, disse o FMI.

O organismo internacional menciona que a modesta desaceleração reflete os efeitos da guerra no Oriente Médio, ainda que parcialmente atenuada pelo momentum de demanda acelerada do ciclo tecnológico global graças ao avanço da inteligência artificial e de sua adoção. Para o FMI, as projeções dependem dos desdobramentos do Oriente Médio e uma escalada das tensões pode afetar o crescimento e a inflação. Se a reabertura do estreito de Ormuz transcorrer de maneira mais suave do que a esperada no cenário base do FMI, a expansão será mais firme e a inflação, mais baixa.

A atividade também pode surpreender com um ritmo ainda mais robusto se as despesas com capital associadas à inteligência artificial seguirem “excepcionalmente fortes” ou se as condições financeiras ficarem mais flexíveis.

Sobre a inflação global, o FMI revisou a projeção de aceleração para 4,7% em 2026, ante 4,4% anteriormente previsto. Segundo o fundo, “a tendência desinflacionária vista desde o início de 2024 ficou estagnada”. Os preços da energia e de alimentos mais elevados são os responsáveis pela revisão.

Para 2027, o FMI projetou uma amenização mais branda da inflação global, projetando 3,9%. No relatório de abril, a projeção era de uma taxa de inflação global de 3,7% no próximo ano. A dinâmica inflacionária não será linear para todos os países, já que refletirá as diferenças em repasses cambiais, na persistência da inflação de serviços, as condições do mercado de trabalho e a crescente importância de especificidades de cada nação.



Veja matéria completa!

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.