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Druckenmiller dá puxão de orelha em Bessent


O megainvestidor Stanley Druckenmiller afirmou que a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de dobrar o tamanho das recompras de títulos longos configura tentativa de administrar o preço dos juros, e não de dar liquidez ao mercado. “Deixe mercado de títulos falar”, aconselhou o fundador da Duquesne family office, em artigo publicado na segunda-feira (24) no Wall Street Journal.

O Tesouro americano comunicou em 19 de agosto que ampliaria as recompras de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, com foco no trecho de 10 a 30 anos da curva e execução entre 9 de setembro e 4 de novembro. O anúncio veio depois de o rendimento do título de 30 anos alcançar o maior nível em 19 anos.

Os juros recuaram em minutos após o comunicado, mas já na tarde seguinte voltaram a patamares acima dos observados antes da medida. Para Druckenmiller, a leitura do mercado foi rápida e acertada. “Isso não era gestão de liquidez, era gestão de preço”, escreveu o gestor.

Ele sustenta que o próprio comunicado do Tesouro enfraquece a justificativa apresentada, para supostamente dar suporte de liquidez em trechos da curva com apoio consistente e forte dos participantes de mercado. Ele lembra que não houve leilões fracassados, travamento de balanço de dealers nem desmontagem forçada de posições, situações que marcaram o estresse dos Treasuries em março de 2020 e o dos gilts britânicos em setembro de 2022.

O que o mercado estava precificando

Druckenmiller, que atua há cinco décadas nos mercados globais, elenca os dados que, segundo ele, estavam sendo incorporados pela curva americana no momento da intervenção. A inflação corre entre 3% e 4% e está acima da meta do Federal Reserve desde 2021, enquanto a taxa de desemprego é de 4,1%, nível compatível com pleno emprego.

O déficit fiscal está próximo de 6% do PIB, combinação que, conforme o texto, os Estados Unidos nunca haviam produzido em tempos de paz com pleno emprego. A dívida nacional total superou US$ 40 trilhões na mesma semana da intervenção, e a despesa líquida de juros deve passar de US$ 1,1 trilhão neste ano fiscal, valor superior ao orçamento de defesa.

Mesmo após a desvalorização dos títulos no verão do Hemisfério Norte, o juro do papel de 10 anos segue igual ou inferior à taxa de crescimento nominal da economia, o que o gestor considera uma configuração acomodatícia, e não restritiva, das condições financeiras. Na leitura dele, o mercado não agia como vigilante fiscal, e sim começava apenas a se manifestar depois de longo período de complacência.

Para o investidor, o juro longo dos Treasuries é “o preço mais importante do mundo” e o único disciplinador fiscal que restou ao país, já que nenhum dos dois partidos deve disputar eleições defendendo reforma dos programas de benefícios sociais. Ele argumenta que democracias só corrigem suas contas quando o custo da inação se torna visível e imediato, com reflexo nas taxas de hipoteca e nos leilões de dívida.

O precedente do teto de juros

O artigo recorre à experiência entre 1942 e 1951, quando o Fed limitou os rendimentos dos títulos longos para financiar a Segunda Guerra Mundial. O teto sobreviveu ao conflito, passou a financiar déficits com emissão monetária e alimentou inflação de dois dígitos, até ser desmontado pelo acordo entre Tesouro e Fed em 1951, seguido de anos de repressão financeira que corroeram o poder de compra dos poupadores.

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Druckenmiller afirma que a separação entre gestão da dívida e gestão de preços foi construída por razões concretas e que a operação atual começa a dissolver essa fronteira. A crítica tem como alvo um velho conhecido do gestor, já que o atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, entrou na Soros Fund Management em 1991, chefiou o escritório de Londres por oito anos e integrou a equipe da aposta contra a libra esterlina, comandada por Soros e Druckenmiller em 1992.

Ele cita que, um dia após o anúncio, Bessent sinalizou que as operações podem superar os US$ 4 bilhões, e que analistas observaram que o volume pode ser dobrado sucessivas vezes. Como o mercado de títulos não reagiu a essa sinalização, autoridades da pasta afirmaram a jornalistas que o departamento poderia recorrer à Treasury General Account (TGA), a conta do Tesouro no Fed, para intervir.

Outro ponto levantado é o efeito de recomprar papéis longos financiando as operações com emissão de títulos curtos, o que transfere risco de duration das mãos do público e funciona, na prática, como uma dose reduzida de afrouxamento quantitativo conduzida pelo Tesouro em vez do Fed, com inflação acima da meta. O calendário também é questionado no texto, já que as operações ampliadas ocorrem na reta final da campanha das eleições de meio de mandato.

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O gestor reconhece o argumento em defesa das recompras, criadas em 2024 como ferramenta de liquidez e gestão de caixa e de tamanho reduzido diante de um estoque de dívida negociável que se aproxima de US$ 30 trilhões, cifra distinta do endividamento total do país. Para ele, porém, operações rotineiras não são anunciadas fora do calendário, com o dobro do tamanho, logo após a máxima de duas décadas do juro de 30 anos e com sinalização de que podem crescer sem limite.

Trajetória fiscal e as propostas

O gestor retoma posições que defende há mais de uma década. Durante o impasse sobre o teto da dívida em 2011, afirmou que um atraso técnico nos pagamentos seria péssimo, mas menos danoso do que mais uma década de postergação sem reforma. Em 2013, ao lado de Geoffrey Canada, percorreu universidades americanas classificando a trajetória dos programas de benefícios como roubo geracional, num momento em que as transferências, responsáveis por cerca de um quarto dos gastos federais em 1960, já consumiam 70% do total. “Eu amo os benefícios, mas os quero para vocês”, disse ele aos estudantes na ocasião, em referência ao momento em que a geração mais jovem chegar aos 65 anos.

Em 2023, o investidor comparou os gastos de Washington aos de marinheiros bêbados, observando que as despesas federais passaram de 20% do PIB antes da pandemia para 25% depois, e classificou como o maior erro da história do Tesouro a decisão da então secretária Janet Yellen de não alongar a dívida quando os juros estavam em mínimas históricas.

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Nas taxas vigentes, projeta o artigo, a despesa com juros alcança 4,5% do PIB em 2033 e equivale a 144% de todo o gasto discricionário em 2043. Para Druckenmiller, os benefícios serão cortados de um jeito ou de outro, e a única dúvida é se o ajuste será desenhado de forma deliberada e gradual ou imposto de uma só vez pelo mercado de títulos.

Como alternativa, ele propõe devolver as recompras à finalidade original, com operações pequenas, agendadas e anunciadas nos refinanciamentos trimestrais, sem respostas fora do calendário a movimentos de taxa. Defende também alongar a dívida pagando o preço que o mercado determinar. “Se o título de 30 anos precisa ser negociado a 5,5%, isso não é uma crise. É uma fatura”, escreve, em referência ao nível necessário para equilibrar oferta e demanda no papel.

A agenda sugerida inclui atacar o déficit primário e reformar os programas de benefícios de forma gradual, com testes de renda, mudanças nas regras de indexação e ajustes de elegibilidade distribuídos ao longo de décadas. Um pacote fiscal crível, argumenta o gestor, faria mais pela ponta longa da curva do que um programa de recompras mil vezes maior do que o atual. “Governos que defendem preços contra os fundamentos sempre perdem”, escreve, ao defender que Washington deixe o mercado de títulos se manifestar.



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comércio eletrônico em compras federais é regulamentado


O governo federal regulamentou nesta segunda-feira (24) o uso de plataformas de comércio eletrônico nas compras públicas de bens e serviços padronizados.

A medida foi oficializada por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cria as bases do Sistema de Compras Expressas (Sicx), que pretende tornar as contratações mais rápidas e simplificar a participação de empresas.

A ideia é permitir que fornecedores usem plataformas digitais que já fazem parte de suas operações comerciais para vender ao poder público. Com isso, o governo espera aproveitar estruturas tecnológicas existentes no mercado e reduzir custos e etapas burocráticas nas compras. O decreto será publicado no Diário Oficial da União.

Cadastro simplificado

O novo sistema também prevê um credenciamento digital permanente dos fornecedores, integrado ao Registro Cadastral Unificado (RCU). O cadastro deverá valer para diferentes oportunidades dentro do Sicx, evitando que empresas tenham de apresentar os mesmos documentos a cada nova contratação.

O lançamento do RCU está previsto para o último trimestre de 2026.

O Sicx integra a Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (ENCP), que busca usar as compras do governo para estimular a economia e promover práticas de desenvolvimento sustentável.

Mais espaço para MEIs

Além da regulamentação do Sicx, o governo anunciou mudanças no Contrata+Brasil, plataforma que aproxima Microempreendedores Individuais (MEIs) de órgãos públicos interessados em contratar pequenos serviços.

A ferramenta passa a contar com a adesão formal de empresas públicas, estatais e autarquias. Entre elas estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Correios, Petrobras e INSS.

Ministérios como Defesa, Saúde e Educação já participavam do programa.

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Atualmente, a plataforma reúne oportunidades para MEIs que atuam em 272 atividades econômicas de prestação de serviços.

Dinheiro nas escolas

Uma das novidades é o incentivo ao uso da plataforma nas compras feitas por escolas públicas com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).

Segundo o governo, cerca de 109 mil escolas recebem recursos do programa. A proposta é ampliar a participação de pequenos empreendedores nesse mercado.

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Mercado de R$ 933 milhões
O governo também aposta no Contrata+Brasil como ferramenta de inclusão produtiva. O país tem 13,7 milhões de MEIs ativos, mas uma parcela ainda pequena desse grupo vende para o poder público.

Dados do Sebrae citados pelo governo indicam que 51,6% dos MEIs têm interesse em vender para órgãos públicos. No entanto, apenas 13,6% já realizaram algum negócio com a administração pública.

Como o MEI participa

O empreendedor pode entrar na plataforma com a conta Gov.br, completar o cadastro e informar quais serviços oferece. Depois, pode pesquisar oportunidades disponíveis em sua região e apresentar uma proposta com preço e prazo de execução.

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Se for escolhido, o MEI pode ser contratado diretamente pelo órgão público por meio do sistema, sem a necessidade de participar de processos com editais complexos.

A plataforma está disponível no portal oficial do Contrata+Brasil.



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Por que freio brusco no crédito se tornou a maior ameaça para a economia


A desaceleração econômica projetada para 2027 é certa. Economistas concordam que o ambiente de juros altos deve restringir ainda mais a capacidade de pagamento das empresas e dos brasileiros, a inadimplência irá aumentar e o consumo, estagnar. Caso esta desaceleração ocorra de forma mais rápida que o recuo dos juros, o país poderá entrar em recessão e encarar um ano de aperto no bolso. 

“As coisas estão gradualmente piorando e, se tiver um ‘sudden stop’ (parada brusca) no mercado de crédito, poderemos ter uma recessão”, afirma Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset Management. Ele explica que o mercado de crédito traduz melhor o cenário de risco em que vivemos porque reflete os desequilíbrios do endividamento, da política de crédito direcionado que tira poder da política monetária e mantém a Selic alta e do ambiente fiscal ruim que fez a dívida pública subir 12 pontos percentuais em quatro anos.

Caso a desaceleração ocorra a ponto de se tornar uma recessão, o país conviveria com um cenário de menor crédito, aumento do desemprego, inflação em alta e juros acima do ideal para a economia rodar. Atualmente, a taxa Selic está em 14%. 

Leia também: Recessão a caminho? O que fazer com seu dinheiro se o temor do mercado se confirmar

Pistas para uma recessão

Os sinais que a economia dá e que acendem o alerta para a recessão está na perda de dinamismo da atividade ainda neste ano. 

A XP reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 0,5% para 0,4%. Para a gestora, o ano de 2026 ainda deve fechar com avanço de 2% no PIB, mas em 2027, o ritmo deverá ser menor, de 1% e com viés de baixa, segundo a XP. 

A agropecuária, um dos principais motores da economia, deve sofrer o baque do El Niño, o que afetará a produtividade das safras, segundo a XP.

Os estímulos fiscais, que ajudaram a segurar o consumo neste ano, devem ser reduzidos em 2027 – o mercado cobra um corte de gastos profundo para ajustar as contas do governo. Se este estímulo cair em meio a um alto endividamento e inadimplência, a desaceleração deverá ser ainda mais intensa.

“Os principais riscos que vemos para 2027 são do lado do crédito e da agropecuária”, avalia Alexandre Maluf, economista da XP. Sobre o crédito, ele destaca o elevado comprometimento de renda das famílias e a inadimplência elevada, além das menores concessões de crédito pelos bancos, “o que pode gerar uma espiral negativa”. 

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Do lado da agropecuária, a projeção da XP ainda é de avanço de 1,5% em 2027. “El Niño pode ser um risco baixista adicional, além, também, de uma contração mais acentuada no número de abates de bovinos”, afirma Maluf.

Igor Barenboim, economista-chefe da Reach Capital, destaca que o principal risco para um cenário mais negativo viria de fora do controle doméstico, com uma parada súbita de fluxos de capital, seja por uma crise de confiança em relação ao próximo governo, seja por um choque externo, como um agravamento do conflito no Oriente Médio. “Nesse caso, a depreciação cambial poderia impedir o Banco Central de cortar juros mesmo diante de um ambiente recessivo, criando um cenário mais desafiador de estagflação”, afirma.

Risco do crédito

A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do Banco Central aponta a inadimplência e o comprometimento de renda como fatores para limitar o apetite dos bancos pela concessão de crédito ainda em 2026. E o balanço dos bancos do segundo trimestre comprova que as instituições estão fechando a torneira antes que o dinheiro fique na mão dos devedores.

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Em um ambiente ainda mais desafiador em 2027, a projeção é de que haja ainda menos recursos para financiar os sonhos dos brasileiros e o crescimento das empresas. 

Leia também: Efeito do juro chegou: Mercado teme crise de crédito e não descarta recessão em 2027

Chermont destaca o alto número de empresas pedindo recuperação judicial e extrajudicial como indício de que a economia não está nada bem e não deve melhorar sozinha em 2027. A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24) que o Conselho de administração aprovou o ajuizamento do pedido de recuperação extrajudicial da companhia, uma semana depois da Casas Bahia e Marabraz entrarem em recuperação judicial.

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Ajuste fiscal inevitável 

A urgência em equilibrar as contas públicas federais é a raiz desse freio na atividade. 

Para Ricardo Rocha, economista e professor do Insper, houve uma  “voracidade no gasto público”, o que piorou a perspectiva econômica à frente. Ele cita que a projeção de juros futuros aponta uma redução na Selic, seguido de novo aumento de juros até 2028 próximo aos atuais 14%. A projeção de inflação também está elevada, na casa dos 5%. Sem corte de gastos, o governo seguiria estimulando a economia e pressionando a inflação, o que mantém o juro alto. “Qual é a combinação perversa? Juro alto, inflação alta. O que o governo deveria fazer? Reduzir drasticamente os gastos públicos”, afirma.

Em contrapartida, outras instituições projetam um pouso menos turbulento, afastando a tese de contração profunda. O Banco Daycoval projeta um avanço de 1,5% no PIB em 2027 e calcula que o governo precisará fazer um esforço de R$ 38 bilhões para cumprir o limite inferior do arcabouço fiscal, ou seja, só para ficar dentro da regra, sem fazer a economia necessária. A análise do banco aponta que, impulsionado por despesas obrigatórias de alto valor multiplicador como a Previdência, o impacto da política fiscal continuará positivo, de modo que o ajuste desacelera a economia, mas não a derruba. 

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Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, reforça que os riscos de recessão são baixos, prevendo que mesmo em um cenário de ajuste fiscal mais severo, o PIB avançaria em torno de 1%.

Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV/Ibre, acompanha a leitura mais cautelosa, argumentando que ainda é cedo para cravar uma recessão, pois as previsões apontam para expansão, mesmo após anos consecutivos de crescimento.

Tobler reconhece, no entanto, que a economia vai girar mais fraca dada o inevitável ajuste de contas após os impulsos fiscais recentes. “Acho que ainda não dá para falar em recessão com os dados que a gente tem visto, mas a tendência é essa”, pondera.

Como afeta o consumidor?

O freio econômico chegará rápido ao orçamento da população. O mercado de trabalho deve perder força, limitando os ganhos de massa salarial, ainda que em ritmo menor já que o emprego é a última variável a reagir às condições de aperto. Ainda assim, a proteção é de uma taxa de desemprego maior do que a de 2026 ao final do ano que vem.

Com uma economia desacelerando, a inadimplência das pessoas físicas — que já cresceu nos últimos anos e não caiu, mesmo com a renda recorde — tende a piorar substancialmente, diminuindo ainda mais o consumo. Tobler explica que os cidadãos já encontram extrema dificuldade em enxergar melhora em seus orçamentos por estarem endividados há bastante tempo, com taxas de juros elevando as dívidas, que ficam cada vez mais caras, mês a mês.

A pressão sobre o consumidor será intensificada pela dinâmica corporativa de sobrevivência. Rocha detalha que, diante do freio na atividade e da menor arrecadação, os setores produtivos precisarão subir suas margens de lucro, enquanto a alta do desemprego inibirá os reajustes salariais. 

Em um cenário com cerca de 80 milhões de pessoas devedoras no país, o professor alerta que a ausência de um forte ajuste fiscal agravará a perda de renda e trará desdobramentos ruins para o cidadão no dia a dia.



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Confiança do consumidor nos EUA cai em agosto, diz Conference Board


25 Ago (Reuters) – A ⁠confiança do consumidor ⁠nos Estados Unidos caiu em ‌agosto para o nível mais baixo em sete meses uma ‌vez que as perspectivas das famílias em relação ao mercado de trabalho e à inflação se deterioraram, segundo ⁠uma ‌pesquisa divulgada nesta terça-feira.

O ⁠Conference Board informou que seu índice de confiança do consumidor caiu para 89,4 neste mês — o menor nível desde ​janeiro —, ante 90,2 em julho em dado revisado para ​baixo. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice ficaria em 90,2, contra os 90,8 de julho ‌divulgado inicialmente.

A queda foi ​liderada por uma perda de 7,8% no índice de expectativas, compensando a ⁠primeira ​melhora na ​percepção das famílias sobre a situação atual ⁠em quatro meses.

“Os ​consumidores estavam mais pessimistas em relação às condições dos negócios ​e ao mercado de trabalho nos próximos seis ​meses”, afirmou ⁠Dana Peterson, economista-chefe do Conference Board.

Os consumidores ⁠previram que a inflação vai acelerar nos próximos 12 meses, passando de 5,6% em julho para 5,8%.



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Durigan afirma que Orçamento do ano que vem terá superávit


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou nesta terça-feira, 25, que o Orçamento do ano que vem prevê superávit primário. A fala foi feita durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da revista Exame.

“O Orçamento do ano que vem está robusto e prevê superávit primário. Basta que sigamos na trajetória de reduzir gasto obrigatório, sigamos recompondo a receita, estabelecendo a reforma tributária como horizonte de boa medida fiscal para o futuro, reduzindo o risco País e abrindo o mercado para o mundo”, disse o ministro.

Durigan frisou ser importante limitar o gasto obrigatório, abrindo espaço para o discricionário e, assim, mantendo a estrutura do arcabouço fiscal. “O fiscal é parte importante do projeto de nação, que tem sido construído com gradualismo e com debate na sociedade. Por isso que conseguimos aprovar as coisas no Congresso.”

Ao pontuar os feitos do governo, Durigan afirmou que foram revistas uma série de distorções, como a questão dos fundos e da tributação de bets.

Ressaltou também que o governo aprovou entre 70 e 80 proposições no Congresso.

Em crítica ao governo anterior, do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, disse que 2026 será diferente de 2022, quando foi apresentado um “Orçamento fictício”.



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Brasil e EUA farão reunião sobre tarifas na próxima segunda-feira, diz MDIC


BRASÍLIA, 25 Ago (Reuters) – O governo brasileiro terá reunião na próxima segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informou nesta terça-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A reunião foi agendada após conversa na sexta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro contato entre ambos desde que os Estados Unidos decidiram adotar novas tarifas contra os produtos brasileiros.

Após a ligação entre os dois presidentes, Greer entrou em contato com o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, para marcar a reunião.

A Reuters mostrou na sexta-feira que, apesar da retomada do diálogo entre os dois líderes e do agendamento da reunião entre os ministros, o governo brasileiro não vê em um futuro próximo uma possibilidade concreta de avanço na questão das tarifas.

O governo dos EUA adotou em julho tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob alegação de supostas práticas comerciais desleais. Poucos dias depois, o país também aplicou uma tarifa de 12,5% alegando uma legislação fraca para combater o trabalho forçado. O Brasil rechaça todas as acusações.



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Senadores pressionam Warsh a manter reuniões do Fed após rumor de mudanças


Senadores democratas instaram nesta terça-feira, 25, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, a manter o cronograma de longa data do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) de realizar pelo menos oito reuniões por ano.

Segundo Ruben Gallego, que liderou o grupo de sete parlamentares que endereçou uma carta a Warsh, o posicionamento veio após relato recente do New York Times de que o presidente está considerando reduzir a frequência das reuniões.

“Desde 1981, o FOMC realiza um mínimo de oito reuniões anuais programadas. Nessas reuniões, o Comitê analisa as condições econômicas e financeiras, define a postura adequada da política monetária e avalia os riscos aos seus objetivos estatutários de estabilidade de preços e pleno emprego”, escreveram os senadores.

“Essa cadência tem proporcionado uma estrutura previsível para a condução da política monetária há 45 anos. Uma redução no número de reuniões para definição de taxas representaria o maior corte programado na história moderna do Fed”, afirmaram.

“A função do Fed é acompanhar a economia em tempo real, e não reduzir a frequência de monitoramento na esperança de que tudo corra bem. Se o Fed continuar seguindo esse caminho cada vez mais opaco, estará colocando a economia em geral em risco”, concluíram os senadores.

No ano passado, o senador Gallego apresentou a lei bipartidária Fed Forward Act para formalizar em lei o cronograma de oito reuniões anuais e outras práticas de longa data de transparência e prestação de contas do Fed.



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Governo deve prorrogar subsídio de R$ 0,44 na gasolina até 9 de setembro


O governo federal deve prorrogar até o dia 9 de setembro a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina, que venceria nesta semana, informaram duas fontes com conhecimento do assunto nesta terça-feira (25).

O prazo extra de poucos dias se deve à vigência da medida provisória que tem a base legal para a concessão do subsídio, que vencerá no dia 9 de setembro e ainda não foi apreciada pelo Congresso Nacional.

A informação foi inicialmente publicada pelo Valor Econômico e confirmada à Reuters pelas duas fontes da área econômica. Procurado, o Ministério da Fazenda informou que não vai comentar.

A última prorrogação do benefício, criado como forma de amortecer o choque do preço do petróleo diante da guerra no Oriente Médio, havia sido feita no mês passado, quando o governo estendeu a subvenção por 30 dias a partir de 26 de julho.

O custo mensal da subvenção à gasolina é estimado pelo governo em R$ 1,3 bilhão. A equipe econômica tem argumentado, porém, que a medida é neutra para as contas públicas, já que altas na cotação do petróleo geram ganhos para o governo com royalties, tributos pagos por empresas do setor e imposto de exportação do produto.

Membros da equipe econômica têm afirmado que pretendem encerrar os subsídios a combustíveis quando houver um arrefecimento do conflito no Oriente Médio, mas ainda não há sinais desse movimento. Uma subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel também segue em vigor.



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Governo soltará decreto zerando IPI, diz ministro da Fazenda


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira, 25, que o governo vai soltar um decreto zerando o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Eu ouvi falar que a indústria paga muito tributo. Nós vamos soltar um decreto zerando o IPI do País. A indústria não vai acumular crédito como hoje acumula. O tributo vem por fora, vai ficar disponível para todo consumidor saber o quanto está pagando de tributo, como imposto sobre valor agregado, como acontece nas boas economias do mundo”, disse o ministro.

Durigan disse que muita gente fala contra a reforma tributária, mas que ela foi a “melhor resposta que o País deu” a um sistema tributário que é historicamente ruim.

Ponderou, na sequência, que o Ministério da Fazenda enviou um texto com menos exceções do que o que foi aprovado pelo Congresso. “Sempre o nosso esforço foi esse, aprovar uma reforma tributária de maneira que a gente amplie a barra de arrecadação, acabando com sonegação, acabando com privilégio, de modo que a gente tenha uma alíquota na reforma tributária para todo mundo. Essa é a primeira grande resposta para a produtividade.”

As declarações foram realizadas em evento organizado pela revista Exame e o Movimento Brasil Competitivo (MBC) em São Paulo, com coordenadores de campanha dos candidatos à Presidência da República.



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Warsh encara prova de fogo após ruído que abalou mercados


O primeiro grande discurso de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve (Fed) transformou-se em um teste inesperado para seu novo estilo de comunicação, mais enxuto e menos explícito.

O desafio de Warsh é responder às críticas de que não tem sido suficientemente transparente sobre sua visão da economia sem abrir mão de sua determinação de evitar sinalizações detalhadas ao mercado sobre os próximos passos da política monetária.

O simpósio anual do Fed em Jackson Hole, no estado de Wyoming, onde Warsh discursará na sexta-feira, oferece a oportunidade de encontrar esse equilíbrio.

A pressão vinda de Wall Street aumentou após uma entrevista coletiva considerada confusa no mês passado, que desencadeou uma forte reação negativa no mercado de títulos. Desde então, analistas e economistas vêm criticando o dirigente por, na visão deles, levar longe demais a tentativa de reduzir a comunicação do banco central.

A situação ficou ainda mais delicada na semana passada, quando o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou inesperadamente um programa de recompra de dívida pública para tentar reduzir os rendimentos dos títulos de longo prazo.

“Claramente, Warsh quer dizer menos, não mais”, afirmou Anwiti Bahuguna, copresidente de investimentos da Northern Trust Asset Management. “Mas alguma transparência e explicações sobre por que você está onde está e o que está vendo na economia hoje são demandas razoáveis do mercado.”

Isso não significa que o novo presidente do Fed deva pedir desculpas.

Defensores de Warsh argumentam que a reação dos mercados à coletiva de julho foi exagerada. As expectativas de inflação, que deveriam subir caso a confiança no Fed fosse abalada, permaneceram relativamente estáveis e compatíveis com a meta de 2% da instituição.

Além disso, eles apontam que os juros dos títulos vêm sendo impulsionados por fatores como o aumento do endividamento do governo e das empresas, e não apenas pela comunicação do banco central.

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Segundo Randall Kroszner, ex-diretor do Fed e professor da Universidade de Chicago, Warsh está apenas iniciando uma reformulação na forma como o banco central se comunica.

“Os mercados às vezes erram. Eu estava no Fed quando os mercados erraram diversas vezes”, disse. “Sempre há um período de adaptação quando surge uma nova abordagem.”

Outros dirigentes do Fed também rejeitaram as críticas de que a credibilidade da instituição teria sido prejudicada.

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A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, afirmou em entrevista à Bloomberg Television que não vê riscos à confiança na autoridade monetária.

Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, declarou nesta terça-feira que apoia a manutenção dos juros nos níveis atuais, desde que haja progresso adicional no combate à inflação rumo à meta de 2%.

Após assumir o comando do Fed em maio, Warsh ganhou elogios ao enfatizar repetidamente seu compromisso com a meta de inflação de 2%.

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Durante um depoimento ao Congresso em julho, ele afirmou que o banco central não teria tolerância com a inflação, o que ajudou a reduzir temores de que, por ter sido indicado por Donald Trump, resistiria a elevar juros se necessário.

Seu primeiro grande tropeço ocorreu após a reunião de política monetária de julho.

Embora a decisão de manter os juros inalterados já fosse amplamente esperada, a entrevista coletiva posterior desagradou o mercado.

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Observadores apontam três problemas principais:

  • Falta de explicação clara para a manutenção dos juros;
  • Recusa em tratar futuras altas de juros como uma possibilidade explícita;
  • Comentário considerado ambíguo sobre a meta de inflação de 2%, levando alguns investidores a especular sobre uma possível revisão dessa meta em janeiro.

O resultado foi a pior venda de títulos do Tesouro americano em anos. Após a entrevista, o rendimento dos Treasuries de 30 anos atingiu o maior nível desde 2007.

“Warsh não conseguiu, ou não quis, explicar nem mesmo a decisão de não agir em julho, mesmo quando questionado diretamente”, afirmou Robert Tetlow, ex-conselheiro do Fed. “Era algo que ele poderia ter feito facilmente sem cair em orientação futura de política monetária.”

A pressão sobre os títulos americanos não pode ser atribuída apenas ao Fed.

Investidores também estão preocupados com o crescimento da dívida pública dos EUA, enquanto empresas de tecnologia elevam a demanda por capital para financiar investimentos em inteligência artificial.

Além disso, o aumento dos rendimentos de títulos soberanos na Europa e no Japão mostra que as preocupações vão além da economia americana.

“Há uma combinação de fatores contribuindo para juros mais altos nos títulos de longo prazo”, afirmou Adam Schickling, economista da Vanguard.

Outro ponto de atenção é o plano de Bessent para recomprar títulos de longo prazo. Caso seja financiado por emissões maiores de papéis de curto prazo, a iniciativa pode interferir em uma área tradicionalmente associada à atuação do Fed.

Dados divulgados desde a reunião de julho indicam uma desaceleração da atividade econômica, o que pode reduzir a necessidade de novas altas de juros.

As vendas no varejo registraram em julho a maior queda em mais de um ano, enquanto a inflação subjacente permaneceu contida.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho mostrou sinais de enfraquecimento: houve cortes inesperados de vagas e revisões para baixo nos números de contratação dos meses anteriores.

Mesmo assim, muitos analistas acreditam que Warsh precisará responder às críticas em Jackson Hole.

Para Ellen Meade, professora da Universidade Duke e ex-assessora do Fed, o presidente da instituição terá de encontrar um equilíbrio entre reduzir a orientação futura ao mercado e preservar a transparência.

“Warsh não está facilitando sua própria vida”, afirmou. “Ele acabou se colocando em uma situação bastante difícil.”

© 2026 Bloomberg L.P.



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