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Ureia volta ao preço pré-guerra, mas vendas ainda não reagem | Blogs | CNN Brasil

Após oito semanas consecutivas de queda, os preços internacionais da ureia voltaram aos patamares registrados antes do conflito no Oriente Médio. No Brasil, porém, a recuperação da competitividade do fertilizante ainda não se traduziu em avanço das negociações, enquanto distribuidores acompanham estoques reduzidos e a necessidade de retomada das importações para atender a próxima safra.

Desde o início da guerra na região, em fevereiro, os preços da ureia chegaram a subir mais de 50%, impulsionados pelas preocupações com a oferta e com possíveis interrupções logísticas no Estreito de Ormuz. Agora, com a perspectiva de normalização das rotas marítimas, o mercado observa um movimento de correção.

Segundo Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, os preços dos fertilizantes nitrogenados já praticamente apagaram os ganhos registrados durante o conflito.

“Quando a gente olha o preço da última semana, ele caiu 15%. A gente já está praticamente no mesmo patamar do final de janeiro, antes da guerra“, afirmou à CNN Brasil.

Na avaliação do analista, a trajetória recente dos preços lembra o comportamento observado em 2022, após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. “A curva é muito similar ao que a gente observou em 2022. A gente começou na mesma semana da guerra da Ucrânia e o preço voltou para o mesmo patamar praticamente na mesma quantidade de semanas”, disse.

Apesar da forte correção das cotações, Fonseca avalia que o mercado físico ainda não absorveu completamente a nova realidade de preços. Segundo ele, muitos produtores permanecem influenciados pelas máximas registradas durante o período de maior tensão geopolítica.

“A ureia ainda sofre um efeito de memória. O produtor ainda está com aquele preço mais alto na cabeça. Muito embora a gente tenha visto o preço retornar ao patamar pré-conflito, a gente tem que entender quanto tempo isso vai demorar para chegar na ponta“, disse.

Além da questão dos preços, o Rabobank identifica outro fator de atenção para os próximos meses: os baixos estoques de nitrogenados disponíveis no país.

De acordo com Fonseca, os volumes armazenados atualmente estão abaixo do necessário para atender a demanda da próxima safra sem uma retomada das importações.

“Os estoques de nitrogenados no país estão mais baixos, a importação também está mais baixa e, se o produtor não começar a indicar a demanda, a gente pode observar uma oferta de fertilizantes para a safrinha um pouco menor por conta desse menor estoque e dessa menor importação”, afirmou.

O analista destaca que o período atual já corresponde, sazonalmente, a um dos momentos de menor estoque do ano, o que aumenta a necessidade de recomposição dos volumes.

“A gente precisa dessa importação até chegar na próxima safra para conseguir entregar. Não tem como seguir com o estoque atual. Sazonalmente, este é um ponto baixo da curva e não é suficiente para tocar uma safra”, disse.

Nesse cenário, a expectativa é de que as empresas do setor passem a estimular as negociações para garantir previsibilidade logística e comercial para os próximos meses, e “as empresas vão começar agora a forçar a demanda até para conseguir se programar”, afirmou Fonseca.

Negociações na região

O movimento de baixa ganhou força nos últimos dias com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira (15), o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a assinatura de um acordo provisório entre os dois países. A expectativa é de que o entendimento seja formalizado na sexta-feira, mesma data em que o Estreito de Ormuz deverá ser totalmente reaberto à navegação.

O acordo é acompanhado de perto pelo mercado de fertilizantes porque a região tem papel estratégico no comércio global de nitrogenados. O Oriente Médio concentra cerca de 35% do comércio marítimo mundial de ureia, com exportações anuais próximas de 20 milhões de toneladas. 

Para o Brasil, Irã e Omã responderam por 1,5 milhão de toneladas das importações brasileiras de ureia em 2025, o equivalente a 18,4% do total adquirido pelo país.

Para Tomás Pernías, analista da StoneX, o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã reforça um cenário baixista para o mercado global de fertilizantes ao reduzir parte das incertezas logísticas associadas ao Golfo Pérsico.

“Do ponto de vista logístico e da oferta, trata-se de um evento importante, considerando que o estreito é uma rota estratégica para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre”, afirmou.

Segundo ele, a reabertura do Estreito de Ormuz tende a favorecer o fluxo marítimo global, embora a normalização não deva ocorrer de forma imediata. Ainda existem incertezas relacionadas às condições de navegação na região e ao ritmo de liberação das embarcações afetadas pelas restrições.

Para os importadores brasileiros, o movimento ocorre em um momento considerado favorável. Tradicionalmente, as compras externas de nitrogenados ganham intensidade no segundo semestre, período em que o mercado se prepara para o abastecimento da próxima safra, pontuou Pernías.

Com os preços novamente próximos dos níveis pré-conflito, a atenção do setor passa a se concentrar mais na velocidade de retomada da demanda doméstica, na recomposição dos estoques e na capacidade de o mercado transformar o alívio das cotações internacionais em novos negócios. Mas nunca sem tirar os olhos da geopolítica.

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FS capta R$ 500 milhões para construção de fábrica de etanol de milho em MT

A segunda maior produtora de etanol de milho no Brasil, a FS, vai construir uma nova unidade industrial em Campo Novo do Parecis (MT). O projeto recebeu aprovação de financiamento de R$ 500 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O investimento total previsto para o empreendimento é de R$ 2,07 bilhões. Os recursos aprovados pelo BNDES representam 24,2% desse montante.

A nova planta terá capacidade para processar até 1,2 milhão de toneladas de milho por ano e produzir até 540 milhões de litros de etanol anualmente. A unidade também deverá gerar cerca de 390 mil toneladas por ano de DDG, coproduto utilizado na fabricação de ração animal.

Com a nova unidade, a FS passará a contar com quatro plantas industriais em Mato Grosso. Atualmente, a empresa opera unidades em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste.

A empresa também espera uma segunda etapa de expansão. Nessa fase, a capacidade de processamento poderá ser ampliada para 2,4 milhões de toneladas de milho por ano, enquanto a produção anual de etanol poderá alcançar 1,08 bilhão de litros.

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África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção no agro

A busca por segurança alimentar tem levado países africanos a intensificar a procura pela tecnologia desenvolvida pela pecuária brasileira. Mais do que adquirir animais ou material genético, governos e produtores do continente vêm buscando no Brasil soluções completas para aumentar a produção de carne e leite em regiões de clima tropical, movimento que tem impulsionado as exportações de genética zebuína e ampliado a presença de empresas brasileiras na África.

A importância crescente desse mercado já aparece nos números do comércio exterior. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para países africanos, evidenciando o fortalecimento das relações comerciais entre o continente e o agronegócio brasileiro.

O cenário acompanha um momento positivo para o setor de genética bovina. Segundo o presidente da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), Luis Adriano Teixeira, 2025 foi um ano bastante favorável para a atividade, marcado pelo crescimento expressivo tanto na entrada de doses de sêmen no mercado quanto no volume de comercialização.

Dentro desse contexto, a África tem se consolidado como uma das principais apostas para a expansão da genética bovina brasileira. Segundo Bento Mineiro, sócio-fundador da Zebuembryo, o continente já responde por cerca de 40% das exportações de embriões da empresa e a participação deve aumentar nos próximos anos.

“A África é a nossa próxima fronteira. Temos um continente ainda completamente inexplorado, com baixa adesão à tecnologia, mas com potencial gigantesco do ponto de vista da demanda por segurança alimentar e produção de alimentos”, afirma.

De acordo com o empresário, o interesse africano vai muito além da compra de genética. Os países buscam conhecer e implementar o modelo de produção tropical desenvolvido pelo Brasil ao longo das últimas décadas, considerado hoje uma referência mundial para regiões com características climáticas semelhantes.

“A agropecuária tropical brasileira tem sucesso em todas as frentes e, no caso da pecuária, tem o zebu como protagonista. Eles vêm buscar não apenas o produto final, mas como montar toda uma cadeia de produção”, destaca.

Segundo Bento, o pacote tecnológico brasileiro engloba genética zebuína, pastagens adaptadas, sanidade animal, sistemas de manejo, equipamentos e outras soluções voltadas à produção eficiente de carne e leite em ambientes tropicais e subtropicais.

“Cada vez mais fica evidente que a agropecuária tropical brasileira é a solução mais adequada para essas realidades”, diz.

O interesse crescente também pode ser observado no aumento das missões internacionais ao Brasil. De acordo com Bento, a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) tem recebido quase mensalmente delegações africanas formadas por ministros da Agricultura, representantes de governos, pesquisadores e empresários interessados em conhecer a tecnologia desenvolvida no país.

Na última edição da Expozebu, realizada em Uberaba (MG), mais de 700 estrangeiros de mais de 40 países participaram do evento. Uma parcela significativa dos visitantes veio de países africanos.

“Eles estão buscando ser mais eficientes e fortalecer sua produção local. Existe uma demanda crescente por segurança alimentar e pela capacidade de produzir mais proteína dentro dos próprios países”, afirma.

Para o empresário da Zebuembryo, a preocupação dos governos com a produção local de alimentos ganhou força após eventos que expuseram vulnerabilidades nas cadeias globais de abastecimento.

“A pandemia mostrou uma certa fragilidade nas relações comerciais globais. Depois vieram a guerra da Ucrânia e outros conflitos internacionais. Isso despertou ainda mais a preocupação dos países com a garantia da segurança alimentar”, explica.

Segundo ele, embora a autossuficiência alimentar sempre tenha sido um objetivo de muitos países, o tema passou a ocupar posição ainda mais estratégica nos últimos anos.

“Esse assunto vem subindo cada vez mais na prioridade dos governos. Eles querem produzir mais localmente e garantir o abastecimento das suas populações”, observa.

Investimentos

O avanço dos negócios no continente africano tem impulsionado investimentos na estrutura da Zebuembryo. A empresa está ampliando tanto a capacidade do laboratório de produção de embriões quanto as áreas destinadas à quarentena e preparação dos animais para exportação.

Atualmente, a companhia produz cerca de 22 mil embriões por ano. A expectativa é alcançar aproximadamente 30 mil embriões no próximo ciclo produtivo e, posteriormente, atingir capacidade para até 60 mil embriões anuais.

“Nós estamos ampliando nossas estruturas porque enxergamos uma possibilidade muito grande de crescimento. Nossa expectativa é crescer entre 30% e 40% nos próximos anos”, afirma Bento.

A expansão será realizada na unidade de Uberaba (MG), um dos principais polos mundiais da genética zebuína. A empresa também pretende dobrar sua capacidade de doadoras, passando das atuais 300 para 600 matrizes em produção.

Além da África, a Zebuembryo também mira novos mercados no Sudeste Asiático. Países como Indonésia, Vietnã, Tailândia e Camboja já demonstram interesse pela genética brasileira, e negociações para os primeiros embarques estão em andamento.

O trabalho de abertura de mercados conta com apoio da ABCZ, da ApexBrasil, do Ministério da Agricultura e da rede de adidos agrícolas brasileiros no exterior.

“Estamos buscando novos mercados de forma incansável. A genética zebuína é uma tecnologia genuinamente brasileira e pode desempenhar um papel estratégico em diversos países tropicais”, afirma.

Para Bento Mineiro, o avanço da genética bovina brasileira no exterior representa mais do que uma oportunidade comercial. Trata-se da exportação de um modelo produtivo desenvolvido no Brasil e que vem sendo adotado por países que buscam ampliar sua capacidade de produzir alimentos.

“É uma tecnologia criada no Brasil sendo utilizada como ferramenta estratégica em outras partes do mundo. Isso fortalece não apenas a exportação de genética, mas também a imagem da agropecuária brasileira e abre portas para outros produtos do país”, conclui.

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Crise na oferta de gado já impacta as indústrias frigoríficas dos EUA

A combinação entre a escassez de animais para abate e a disparada dos preços da carne bovina tem levado grandes frigoríficos a rever operações e fechar unidades em diferentes regiões do Estados Unidos.

A JBS USA encerrou, em junho de 2026, as atividades de sua planta de processamento de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, uma unidade com capacidade para processar cerca de 2 mil cabeças por dia.

No mesmo período, a companhia também fechou a planta em Memphis, no Tennessee, fábrica voltada à produção de alimentos processados que empregava aproximadamente 200 trabalhadores.

Em 2025, a companhia já havia fechado a Swift Beef Company, em Riverside, na Califórnia, unidade dedicada à preparação e embalagem de carne bovina para supermercados, com impacto de 374 empregos.

A Tyson Foods também promoveu ajustes importantes. Em janeiro de 2026, a empresa anunciou o fechamento de seu frigorífico bovino em Lexington, Nebraska. A unidade tinha capacidade para processar cerca de 5 mil bovinos por dia, o equivalente a quase 5% de todo o abate diário realizado nos Estados Unidos.

Além disso, a companhia reduziu as operações da planta de Amarillo, no Texas, que passou a funcionar com apenas um turno de trabalho, afetando cerca de 1.700 funcionários.

Outra empresa impactada pelo cenário foi a Cargill, que encerrou em maio de 2026 uma unidade de processamento de carne moída em Milwaukee, Wisconsin. O fechamento atingiu aproximadamente 221 trabalhadores e reforçou o movimento de ajuste da indústria diante da menor disponibilidade de matéria-prima.

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Somente os fechamentos das plantas da JBS em Souderton e da Tyson em Lexington retiraram do mercado uma capacidade estimada em cerca de 7 mil cabeças de bovinos por dia.

Para efeito de comparação, os Estados Unidos abatem atualmente entre 120 mil e 125 mil bovinos diariamente, conforme os dados apontados pela consultoria americana DTN.

Isso significa que os fechamentos recentes representam uma redução de aproximadamente 5% a 6% da capacidade nacional de processamento de carne bovina, evidenciando os impactos da menor oferta de animais sobre toda a cadeia produtiva do país.

Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que o rebanho total de bovinos e bezerros somava 86,2 milhões de cabeças no início de janeiro de 2026, sendo que no mesmo período do ano anterior esse volume era de 86,5 milhões.

Embora a queda anual tenha sido de apenas 0,3%, o número representa o menor estoque bovino norte-americano em 75 anos.

A situação é ainda mais preocupante quando se observa o rebanho de vacas de corte, responsável pela produção de bezerros. O efetivo caiu para 27,6 milhões de cabeças, recuo de 1% em relação ao ano anterior e o menor nível desde o início da década de 1950. Já total de bezerros está estimada em 32,9 milhões, queda de 2% frente ao ano anterior e o menor volume registrado desde 1941.

O resultado é reflexo de anos consecutivos de seca em importantes regiões pecuárias, custos elevados de alimentação e da liquidação de matrizes promovida por pecuaristas durante os períodos mais críticos da crise climática.

Embora alguns indicadores apontem para o início de uma recomposição do rebanho, analistas avaliam que a recuperação será lenta e poderá levar vários ciclos.

Preços e Custos

A escassez de gado nos Estados Unidos elevou o custo da principal matéria-prima da indústria frigorífica. Segundo projeções do USDA, o preço médio do boi terminado para abate, conhecido como fed steer, deve atingir US$ 235,75 por 100 libras de peso vivo em 2026, estabelecendo um novo recorde para o mercado norte-americano.

O avanço é expressivo quando comparado aos anos anteriores. Em 2025, o preço médio do animal ficou próximo de US$ 213 por 100 libras de peso vivo, o que significa uma alta de aproximadamente 10,7% em apenas um ano. Se comparado à média de 2024, estimada em cerca de US$ 187 por 100 libras de peso vivo a valorização acumulada chega a aproximadamente 26% em dois anos.

Na prática, considerando um animal terminado com cerca de 1.400 libras, equivalente a 635 quilos, o custo de aquisição para os frigoríficos passou de aproximadamente US$ 2.620 por cabeça em 2024 para cerca de US$ 2.980 em 2025, alcançando agora valores próximos de US$ 3.300 por animal em 2026. Trata-se de um aumento superior a US$ 680 por cabeça em apenas dois anos.

O impacto sobre a indústria é significativo porque o valor do animal representa entre 80% e 90% dos custos operacionais de um frigorífico bovino. Com menos animais disponíveis no mercado, as empresas precisam disputar a compra dos lotes, elevando ainda mais os preços pagos aos pecuaristas.

Consumo

A menor oferta de gado já chegou ao bolso do consumidor americano. Segundo dados do USDA, o preço médio da carne bovina fresca atingiu US$ 9,64 por libra-peso em abril de 2026, alta de aproximadamente 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os bifes alcançaram US$ 12,80 por libra-peso, um dos maiores níveis já registrados no país.

A carne moída, considerada um dos principais itens da cesta alimentar das famílias americanas, também bateu recorde. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o preço médio da carne moída chegou a US$ 7,06 por libra-peso em maio, avanço de 13,1% em relação a maio de 2025. Na comparação com 2020, a valorização acumulada chega a cerca de 58%.

O aumento da proteína bovina ocorre em um contexto de inflação persistente nos Estados Unidos. Em maio, o índice de preços ao consumidor acumulou alta anual de 4,2%, enquanto os alimentos continuaram entre os itens que mais pressionam o orçamento das famílias.

Questões sanitárias

Além das dificuldades econômicas provocadas pela escassez de gado, a pecuária norte-americana passou a lidar com uma nova ameaça sanitária. A preocupação envolve a mosca-varejeira-do-novo-mundo, parasita considerado um dos mais destrutivos para a produção pecuária nas Américas.

Em maio deste ano, o USDA suspendeu temporariamente a importação de bovinos, cavalos e bisões provenientes do México após a confirmação de novos focos da doença em regiões mais próximas da fronteira norte-americana.

A preocupação do setor é que uma eventual disseminação da praga em território norte-americano aumente ainda mais os custos de produção justamente em um momento em que os pecuaristas escassez da oferta de animais. Além das perdas diretas nos animais, um surto poderia exigir investimentos adicionais em vigilância, controle sanitário, tratamentos veterinários e restrições ao trânsito de animais.

Especialistas do USDA avaliam que a reintrodução da mosca-varejeira representaria um risco significativo para uma cadeia pecuária que movimenta mais de US$ 100 bilhões por ano nos Estados Unidos.

Para evitar a entrada da praga, os Estados Unidos ampliaram as ações de monitoramento nas regiões de fronteira e reforçaram a cooperação com México e países da América Central. A estratégia segue o modelo utilizado nas décadas passadas, baseado no monitoramento permanente e na liberação de insetos estéreis para interromper o ciclo reprodutivo da mosca.

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4UM reduz participação na Vittia para menos de 5% do capital

A Vittia, empresa brasileira de insumos biológicos, informou ao mercado nesta quinta-feira (11) que recebeu comunicado da 4UM Gestão de Recursos sobre a redução de sua participação acionária na companhia. Após negociações realizadas na B3, os fundos administrados pela gestora passaram a deter, em conjunto, 7.635.843 ações ordinárias da empresa.

Com a movimentação, a participação da 4UM foi reduzida para aproximadamente 4,71% do total de ações emitidas pela Vittia, ficando abaixo do patamar de 5% do capital social da companhia.

De acordo com a notificação enviada à empresa, a alteração na participação acionária faz parte da estratégia de investimentos dos fundos geridos pela 4UM e não tem como objetivo modificar a estrutura de controle ou a administração da Vittia.

A companhia destacou que disponibilizou ao mercado a íntegra da comunicação recebida e reafirmou seu compromisso com a transparência e com a adoção das melhores práticas de governança corporativa.

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Produtora de biocombustíveis Be8 anuncia expansão para a Itália

A produtora de biocombustíveis brasileira Be8 decidiu ​expandir as operações para a Itália, com ​uma filial em Milão, o que poderá facilitar os negócios com os países da União Europeia, afirmou a empresa à Reuters nesta quinta-feira.

A Be8, que já tem operações na Suíça — um país que não integra a União Europeia, diferentemente da Itália –, avalia que as operações italianas ⁠poderão servir como base ​de exportações de biocombustíveis e de matérias-primas para a Europa ​como óleo de soja, gorduras, óleo de cozinha usado e insumos ⁠residuais.

“Este é mais um passo importante ⁠para o cumprimento do nosso planejamento estratégico e para ​a ‌ampliação da presença geográfica da companhia com a oferta de energia ⁠renovável”, disse o presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella.

O empresário disse que o grupo, um dos maiores produtores de biodiesel do Brasil, não descarta investir ‌em ⁠produção de ‌biocombustíveis na Itália, em momento em que o acordo comercial entre União Europeia e o Mercosul acaba de começar a vigorar.

“Isso (o investimento em produção) ⁠dependerá da demanda a ser desenvolvida ⁠nos próximos anos”, frisou Battistella.

Além de atuar na exportação de produtos, a empresa avalia ‌investir numa estrutura logística na Itália, que funcionará como ponto de conexão e distribuição na região.

Para isso, a unidade buscará obter certificações de sustentabilidade, cumprindo critérios de rastreabilidade.

O grupo já mantém um escritório comercial ‌em Genebra e uma unidade industrial de biodiesel em Domdidier, na Suíça.

A companhia, com sede em Passo Fundo (RS), investe atualmente em uma ⁠unidade de etanol de trigo no Rio Grande do Sul, com previsão de inauguração no ano que vem.

Com unidades no Paraná, Mato Grosso, ​Piauí, Pará e Paraguai, a empresa tem entre os seus produtos um ​biodiesel bidestilado e aditivado chamado BeVant, que pode substituir 100% o diesel, sendo utilizado em várias iniciativas, entre elas a Copa Truck, competição de caminhões no Brasil.

(Por Roberto SamoraEdição ‌de Pedro Fonseca)

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Safra de trigo deve encolher 20% e ampliar dependência externa | Blogs | CNN Brasil

O Brasil, que já não é autossuficiente na produção de trigo e importa aproximadamente metade do cereal que consome, caminha para uma nova safra marcada pela redução da área cultivada e pela diminuição dos investimentos nas lavouras. O cenário ocorre apesar da importância estratégica do trigo para a fabricação de alimentos amplamente presentes na dieta dos brasileiros, como pães, massas, macarrão e biscoitos.

As projeções da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam uma produção de 6,3 milhões de toneladas na próxima safra, volume 20% inferior ao registrado no ciclo anterior. 

A área semeada foi estimada em 2,1 milhões de hectares, queda de 13,4% em relação ao ano passado. Além disso, a produtividade média nacional deve recuar 7,6%, para 2,9 toneladas por hectare.

A combinação entre menor área plantada e redução do potencial produtivo reflete um ambiente de maior cautela entre os produtores. Nos últimos anos, o setor tem enfrentado sucessivas frustrações de safra, oscilações de preços e elevados custos de produção. Em 2026, o cenário ganhou novos elementos com a alta dos custos dos insumos agrícolas, em especial fertilizantes. 

Segundo levantamento da TF Consultoria Agroeconômico, o custo geral de produção registrou aumento de 10,46% em maio, o maior avanço para o período nos últimos quatro anos.

Diante desse contexto, parte dos produtores optou por reduzir investimentos na cultura. A Conab observa que, em importantes regiões produtoras, houve diminuição no uso de insumos, menor adoção de sementes certificadas e ampliação da utilização de sementes salvas. 

Em alguns casos, áreas tradicionalmente destinadas ao trigo passaram a ser ocupadas por outras culturas de inverno consideradas mais atrativas do ponto de vista econômico ou menos expostas aos riscos climáticos, como a canola e o sorgo.

Outro fator que influencia as decisões para a safra é a preocupação com as condições climáticas. A possibilidade de influência do fenômeno El Niño durante o ciclo da cultura levanta expectativas de um inverno mais chuvoso em parte das regiões produtoras, cenário que pode afetar o desenvolvimento das lavouras e aumentar os riscos de perdas de produtividade.

Mercado 

A redução da produção nacional ocorre em um momento de sinais mistos no mercado de trigo. Em maio, os preços registraram alta nas principais regiões produtoras do país, impulsionados pela valorização do dólar frente ao real, pela base de comparação mais baixa e por revisões nas estimativas de produção em importantes países exportadores.

Apesar da valorização, a comercialização segue em ritmo moderado. Segundo Luiz Pacheco, analista da TF Consultoria Agroeconômica, os moinhos permanecem abastecidos e parte da demanda já está direcionada para a próxima safra. A chegada de trigo importado também reduz a necessidade de compras imediatas no mercado doméstico.

Ao mesmo tempo, a demanda por farinha continua presente, embora a indústria encontre dificuldades para repassar integralmente os custos ao consumidor final. No Sul do país, os estoques disponíveis seguem limitados. 

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a disponibilidade remanescente é estimada em cerca de 190 mil toneladas, o que o analista estima que não é capaz de chegar até a próxima safra.

Com uma produção menor, a tendência é de aumento da necessidade de importações. A Conab projeta compras externas de 6,8 milhões de toneladas em 2026, enquanto os estoques finais devem encerrar o período em 1,5 milhão de toneladas, abaixo do registrado na safra anterior.

Dependência externa

Historicamente, a Argentina ocupa posição central no abastecimento de trigo do mercado brasileiro. O país vizinho responde por parcela significativa das importações realizadas pelos moinhos nacionais, beneficiado pela proximidade geográfica e pelas condições estabelecidas no Mercosul.

Entretanto, agentes do setor têm relatado preocupações relacionadas à qualidade de parte do trigo argentino disponível recentemente no mercado. Esse fator se soma às incertezas sobre a produção doméstica e torna mais complexa a avaliação sobre o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.

Com menor produção interna e dependência crescente das importações, o comportamento do mercado internacional e a disponibilidade de trigo de qualidade adequada tendem a ganhar relevância para o abastecimento nacional.

Canola avança

A redução da área destinada ao trigo também ocorre em paralelo à expansão de outras culturas de inverno, especialmente a canola.

No Rio Grande do Sul, a Conab estima crescimento de 52,5% na área cultivada com a oleaginosa, passando de 209,9 mil para 320,1 mil hectares. Entre os fatores apontados para essa expansão estão os contratos de compra garantida com a indústria, a demanda associada à produção de óleos e biodiesel e as condições de mercado consideradas favoráveis para a cultura.

No Paraná, a canola também registra expansão e mantém boa liquidez comercial. O movimento indica uma ampliação gradual da participação da cultura nos sistemas produtivos de inverno.

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Exportações de algodão baiano crescem 1.350% em três safras

Em apenas três safras, o fluxo de escoamento do algodão produzido no Oeste da Bahia atingiu um volume 14,5 vezes. As exportações da pluma pelo Tecon Salvador, terminal de contêineres do Porto de Salvador, saltaram de modestos 545 contêineres na safra 2022/23 para impressionantes 7.914 contêineres na safra 2025/2026 — um crescimento exponencial de mais de 1.350%. Bangladesh (com 2.315 contêineres) e China (com 1.240) lideram a corrida pelo produto baiano, que abastece os parques têxteis mais exigentes do planeta.

Os números ganham sustentação no campo. Na safra 2025/2026, o estado cultivou 417,9 mil hectares da cultura, consolidando-se isoladamente como o segundo maior produtor de algodão do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso. O avanço ajuda o país a pavimentar sua posição de liderança no suprimento global da fibra.

No entanto, o sucesso traz também grandes desafios: quanto maior o volume exportado, mais a sobrevivência financeira do negócio passa a depender do controle na ponta do lápis dos custos de produção de dentro da porteira.

Sérgio Pitt, produtor de algodão na região, resume o nó estratégico que o setor tenta desatar. Embora o manejo de solo, a biotecnologia e o clima distribuído do Oeste baiano — com chuvas no crescimento e estiagem rigorosa na abertura dos capulhos — garantam recordes sucessivos de produtividade, a rentabilidade final tem sido corroída antes mesmo de chegar ao caixa da fazenda.

“Os custos vêm comendo os ganhos de produtividade. O que impacta mais hoje são as taxas de juros, os impostos e os fertilizantes. A logística também pesou, com o aumento do preço dos combustíveis, o frete subiu junto. Nós temos um dos melhores custos de produção do mundo, mas não temos incentivos como os americanos, indianos e chineses, que possuem políticas claras de equalização de preços”, afirmou à reportagem.

Nos últimos dois anos, a maior pressão concentrou-se na linha dos fertilizantes, especialmente pela alta dependência externa histórica que, em alguns casos, chega a mais de 90%.

Tensões geopolíticas internacionais, especialmente nos últimos três anos, encareceram o fornecimento de macronutrientes essenciais, impactando diretamente o planejamento da safra de uma cultura que consome muitos insumos químicos.

O cenário econômico doméstico também adiciona um componente que compromete as margens no campo, especialmente com a taxa básica de juros do país em 14,5%.

​A logística é outro gargalo citado. O volume exportado cresceu 14 vezes, mas a infraestrutura de transporte não acompanhou o ritmo. Na ponta final, o escoamento depende de operadoras retroportuárias como Wilson Sons, 3ALOG e TPC, que gerenciam uma capacidade de estufagem de 167 contêineres por dia.

​”O que tem aumentado o nosso custo, então, são a taxa de juros, os impostos, a questão da logística também, queira ou não, ela impactou bastante, porque com o aumento do preço dos combustíveis o frete também subiu, então é uma das variáveis. Os demais eu diria assim: a gente consegue fazer uma gestão bem apropriada e de uma forma bem competitiva dentro do nosso agro”, explicou o produtor.

Incerteza fiscal e foco na qualidade

​A curto prazo, a principal fonte de preocupação atende pelo nome de Reforma Tributária. A implantação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) gera muitas dúvidas sobre como o setor vai competir no mercado externo contra países que subsidiam fortemente os seus produtores.
​”A reforma tributária que está vindo agora, ela também é muito apreensiva, porque, o que nós temos hoje? O produtor, sobre a receita da atividade rural, ele tem três impostos: Funrural, SAD e Senar, são três. É o único que tem em cima da receita. Com a reforma, na primeira fase, nós já vamos manter esses três e vamos incluir o CBS, com a alíquota de até 11%. Então, nós sabemos que, de qualquer forma, nós vamos ter uma tributação a mais a partir do ano que vem. Isso também nos preocupa o futuro”, alertou Pitt.

A engenharia financeira para manter a pluma competitiva lá fora obriga o setor a investir pesado no único fator capaz de ditar preços em Nova York: a qualidade absoluta.

Como resposta, a Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão) inaugurou na 20a edição da Bahia Farm Show a expansão do seu Centro de Análise de Fibras, em Luís Eduardo Magalhães.

O laboratório, considerado o maior da América Latina na classificação da pluma por HVI (Alto Volume de Instrumentação), recebeu aportes que somam R$ 120 milhões em investimentos acumulados. Com uma estrutura modernizada de 5,2 mil metros quadrados, a capacidade de processamento saltou de 34 mil para até 70 mil amostras analisadas por dia.

A expectativa para esta safra é ambiciosa: atingir a marca de 5 milhões de amostras testadas em uma operação ininterrupta, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.

Energia na mesa: A nova fronteira da eficiência

É justamente nessa conjuntura de margens espremidas e expansão tecnológica que a energia elétrica deixou de ser vista como um custo fixo inevitável e passou a figurar como uma variável estratégica para diminuir custos.

Percebendo esse nicho de consumo pesado, a Neoenergia montou uma ofensiva comercial no Oeste baiano, mirando toda a cadeia algodoeira — desde o produtor que opera os pivôs até as usinas de beneficiamento (as algodoeiras) — para o Mercado Livre de Energia.

Trata-se de um ambiente de contratação no qual o consumidor industrial deixa de se submeter às tarifas fixas da distribuidora regulada e passa a negociar prazos, volumes e preços diretamente com o fornecedor.

Embora o Oeste da Bahia abrigue parques industriais modernos, a adesão ao mercado livre ainda é considerada tímida na região, sobretudo entre os produtores que cultivam áreas não irrigadas (sequeiro).

Conforme dados divulgados pela Neoenergia, quem realizou a migração até o ano passado capturou uma redução de custos de até 30%.

Para os novos entrantes vindos do mercado regulado, o alívio estimado na conta chega a 10%, mitigando os impactos imediatos do acionamento de bandeiras tarifárias.

“Existe uma enorme quantidade de carga de necessidade de energia aqui nessa região e a gente sabe que redução de custo para eles é muito importante”, explicou Leonardo Souza, gerente comercial da Neoenergia.

“Então a gente tem um alto potencial aqui de custo de energia para essas empresas e a gente tem trazido para eles oportunidades de redução de custo de 20%, 30%. Isso ele consegue investir mais no negócio dele, ele consegue buscar mais ferramentas, mais desenvolvimento para o próprio negócio”, continuou.

​A empresa já tem mais de 50 clientes na região que fizeram a migração, entre eles algumas fazendas de algodão. O processo leva 180 dias e, ao final, o produtor passa a pagar duas faturas (distribuidora e comercializadora), mas a soma fica abaixo do que pagava antes. Contratos de cinco a dez anos garantem previsibilidade de custos ao longo de várias safras.

​Com grande quantidade de painéis solares pela região, Leonardo Souza também esclareceu que o sistema livre não compete com a autogeração.

“Não existe a impossibilidade de ele [produtor] migrar para o mercado livre porque ele tem energia solar. Na verdade, eu entendo que ele tem ainda mais potencial de redução de custo ali, de produção. Então, o que a gente faz é associar os dois benefícios. Ele vai ter energia solar, onde vai bater ainda mais a carga dele, mas nós vamos também migrar para o mercado livre. Existe hoje uma tecnologia onde a gente consegue fazer essa não injeção dessa energia solar no sistema da distribuidora. Então, por isso, ele vai ter a redução tanto da energia solar quanto do mercado livre. Ele tem um ganha-ganha, nesse caso, chamado ganha-ganha de verdade”, frisou.

Rastreabilidade verde como ativo comercial

Além do fator financeiro, há uma moeda de troca invisível que começa a pesar nas mesas de negociação das grandes tradings internacionais: a sustentabilidade. A energia fornecida pela comercializadora é gerada a partir dos ativos próprios do grupo — composto por 44 parques eólicos, além de complexos solares e hidrelétricos —, operando com mais de 90% da matriz baseada em fontes renováveis.

Essa energia chega ao cliente com certificação internacional de origem (I-REC), permitindo que o produtor e a algodoeira comprovem o abatimento nas emissões de gases de efeito estufa.

Em um cenário global onde a rastreabilidade socioambiental da moda sustentável dita as regras do consumo, comprovar que o “ouro branco” baiano foi colhido e beneficiado utilizando eletricidade limpa transformou-se em um poderoso argumento de vendas.

“Essa energia vem certificada, então o cliente pode utilizar tanto para abatimento de gases de efeito estufa, ele pode utilizar também como marketing, porque ele está produzindo o seu produto com uma fonte de energia renovável, que é mais ainda importante, tanto para demonstração para a sociedade do seu compromisso, quanto para redução mesmo ali do seu custo, porque é uma energia mais barata”, destacou Leonardo Souza.

​A área plantada no Oeste baiano tem capacidade de dobrar nos próximos anos, impulsionada pelo manejo que protege as lavouras dos riscos do clima.

“Graças a Deus que a gente tem variedades e temos aprendido muito na questão do manejo, da estruturação de solo, que a gente consegue mitigar questões, por exemplo, climáticas e garantindo médias de produtividades mais satisfatórias. Essas produtividades estão, de certa forma, equilibrando esse aumento de custos”, avaliou Sérgio Pitt.

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Europa anuncia €540 milhões para auxílio em compra de fertilizantes

A Comissão Europeia anunciou, nesta sexta-feira (12) um pacote de 540 milhões de euros destinado ao auxílio na aquisição de fertilizantes pelos agricultores do bloco, diante da escalada dos preços causada por tensões geopolíticas e interrupções nas cadeias globais de abastecimento. 

A medida busca assegurar o fornecimento de insumos essenciais ao setor agrícola e garantir a continuidade da produção nas próximas safras, reduzindo os impactos da volatilidade do mercado sobre a segurança alimentar europeia. 

Do total anunciado, 300 milhões de euros deverão vir de um reforço da reserva agrícola da União Europeia previsto no orçamento de 2026. Os Estados-Membros poderão complementar os recursos com aportes nacionais de até 200% do valor recebido, elevando o potencial total de apoio para até 1,5 bilhão de euros.

Além do suporte financeiro, a Comissão propôs ajustes na PAC (Política Agrícola Comum) para acelerar o acesso dos agricultores à assistência. Entre as medidas está a criação de um novo mecanismo de liquidez para situações de crise no desenvolvimento rural.

O instrumento poderá ser cofinanciado em até 65% pelo Feader (Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural) e utilizar recursos não empregados anteriormente. O apoio poderá ser concedido por meio de pagamentos fixos por hectare e implementado através dos Planos Estratégicos da PAC.

Outra medida permitirá aos Estados-Membros antecipar pagamentos diretos aos agricultores antes de 16 de outubro, com taxas de adiantamento ampliadas. A proposta inclui ainda a possibilidade de ajustes nos orçamentos destinados aos pagamentos diretos referentes ao ano civil de 2027.

As alterações legislativas na PAC serão encaminhadas ao Parlamento Europeu e ao Conselho da União Europeia para análise e aprovação. Já a proposta relacionada à reserva agrícola será submetida à votação dos Estados-Membros no Comitê da Organização Comum dos Mercados. Se aprovada, a adoção final está prevista para o final de julho de 2026.

O pacote integra o Plano de Ação para Fertilizantes, apresentado pela Comissão Europeia em maio deste ano. A iniciativa reúne medidas emergenciais para ampliar o acesso aos fertilizantes e ações de longo prazo voltadas ao fortalecimento da produção interna e da segurança de abastecimento no bloco.

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Raízen eleva adesão ao plano de recuperação extrajudicial para 80,15%

A Raízen, de açúcar, etanol e bioenergia, informou ao mercado que recebeu novas adesões ao seu Plano de Recuperação Extrajudicial, elevando o percentual de apoio de credores de 75,45% para 80,15% dos créditos abrangidos pela proposta.

A atualização foi divulgada em comunicado encaminhado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

Segundo a companhia, o plano contempla créditos financeiros e quirografários sujeitos à recuperação extrajudicial, que somam R$ 64,7 bilhões, excluídos os créditos intercompany.

De acordo com a empresa, as novas manifestações de adesão foram protocoladas após a apresentação formal do plano à Justiça. A companhia afirma que o aumento do percentual de apoio reforça a adesão dos credores à proposta de reestruturação de seu endividamento financeiro.

O plano foi protocolado em 5 de junho na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. A proposta prevê uma ampla reorganização das obrigações financeiras da companhia, com o objetivo de adequar sua estrutura de capital e atender às necessidades de liquidez de curto e médio prazo.

Entre as medidas apresentadas está a possibilidade de um aporte de até R$ 4 bilhões pelos acionistas. Pela proposta, a Shell deverá contribuir com R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Participações, veículo de investimentos ligado à família do empresário Rubens Ometto, poderá aportar até R$ 500 milhões, caso formalize adesão ao plano.

Outro ponto central da reestruturação é a conversão de 45% da dívida sujeita à recuperação extrajudicial em ações da companhia. Os 55% restantes deverão ser renegociados por meio da emissão de novos instrumentos financeiros, com prazos mais longos e condições compatíveis com a capacidade futura de geração de caixa da empresa.

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