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Eco Invest mira fertilizantes verdes para reduzir importações

O governo federal lançou nesta segunda-feira (25) o 5º leilão do programa Eco Invest Brasil, com foco em inovação industrial e transição ecológica, incluindo fertilizantes verdes. 

O programa surge em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente das importações de fertilizantes, uma vez que cerca de 80% do consumo nacional, segundo o Ministério da Fazenda. A aposta do governo é usar recursos públicos para reduzir riscos e atrair capital privado para projetos de inovação capazes de ampliar a produção doméstica e desenvolver tecnologias nacionais.

A nova rodada cria instrumentos financeiros voltados a aproximar universidades, startups, empresas e investidores privados para desenvolver tecnologias consideradas estratégicas para a competitividade brasileira. Além de fertilizantes, o programa engloba minerais críticos, inteligência artificial aplicada à indústria, baterias e química verde.

Ao todo, o Tesouro Nacional poderá aportar até R$ 2,5 bilhões. Desse total, até R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação e até R$ 1 bilhão às linhas de crédito corporativo. O desenho exige participação privada mínima equivalente ao dobro do capital público, mecanismo usado pelo governo para ampliar o volume total de investimentos e reduzir o risco para investidores.

No caso dos fertilizantes verdes, o objetivo é estimular tecnologias ligadas à produção de insumos com menor pegada de carbono e reduzir a dependência externa. De forma simplificada, fertilizantes verdes são produtos fabricados com processos menos poluentes, geralmente usando energia renovável e também com produtos biológicos. A proposta é reduzir emissões sem comprometer produtividade agrícola.

Além da produção em si, o programa também tenta conectar a indústria com centros de pesquisa e startups. As empresas financiadas deverão contratar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligados às cadeias estratégicas do leilão, podendo recorrer tanto a universidades brasileiras quanto estrangeiras. O modelo também permite aquisição de empresas de base tecnológica no exterior para internalizar conhecimento.

O leilão prevê três frentes principais de financiamento: a criação de seis Fundos de Inovação Eco Invest; uma linha de crédito corporativo para empresas em fase de expansão; recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada e empreendedorismo tecnológico.

Cada instituição financeira participante disputará uma cadeia específica do leilão com base na capacidade de mobilizar capital privado. As vencedoras ficarão responsáveis pela estruturação dos fundos e dos demais mecanismos financeiros.

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Crédito rural piora enquanto mercado de capitais do agro avança, diz BC

O BC (Banco Central do Brasil) apontou deterioração dos indicadores de risco nas operações de crédito rural e agroindustrial de pessoas físicas no REF (Relatório de Estabilidade Financeira), divulgado nesta segunda-feira (25). Ao mesmo tempo, a autoridade monetária mostra avanço em instrumentos privados de financiamento do agronegócio que seguem crescendo em ritmo acelerado no país.

O documento aponta aumento da percepção de risco nas modalidades de crédito às famílias e destaca piora justamente nas operações rural e agroindustrial para pessoas físicas, cujos indicadores avançaram ao longo de 2024 e 2025. O relatório também indica que a trajetória de alta da probabilidade de inadimplência (default) nessas carteiras deve permanecer nos próximos períodos.

“As citações mencionando riscos de inadimplência e atividade aumentaram em um ambiente de elevado grau de alavancagem das famílias e empresas. Destaca-se a preocupação com o aumento do comprometimento de renda com pagamento de dívidas das PFs e da inadimplência no agronegócio, o que pode pressionar a oferta de crédito e contribuir para maior desaceleração do crescimento econômico”, diz o relatório.

Na parte voltada às empresas, o BC reconhece que a capacidade de pagamento segue pressionada em meio ao ambiente de juros elevados. Segundo o relatório, “a cautela identificada na PTC (Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito) permanece coerente com a desafiadora capacidade de pagamento de empresas e famílias”.

O documento também aponta pressão sobre a rentabilidade das instituições financeiras públicas, “sobretudo em função dos impactos da materialização de risco, em especial na carteira de crédito rural”, indicando que a deterioração no agro já afeta operações ligadas ao segmento empresarial.

Além disso, o BC afirma que “ainda há sinais de propensão ao risco, mas as IFs continuaram reduzindo o apetite”, em um cenário de maior cautela das instituições financeiras na concessão de crédito.

“A capacidade de pagamento das empresas segue desafiadora, sob a influência do aperto das condições financeiras. A despeito de uma política monetária ainda contracionista, a atividade econômica tem mostrado resiliência, o que influenciou positivamente no aumento das receitas e do Ebitda das empresas de maior porte”, diz o BC.

Mercado de capitais em alta

Ao mesmo tempo, o mercado de capitais ligado ao agronegócio segue avançando. O CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) cresceu 16,5% em 12 meses até dezembro de 2025, enquanto a CPR (Cédula de Produto Rural) avançou 18,3% no período. Outros instrumentos também registraram expansão, como os FIDC (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com alta de 22,9%, e as debêntures, que cresceram 18,4%.

O movimento reforça uma tendência destacada pelo próprio BC: “embora em desaceleração, o mercado de capitais segue crescendo em ritmo bastante superior ao crédito bancário”. Segundo o relatório, esse mercado vem absorvendo “parte da demanda de crédito de grandes empresas pela emissão de debêntures e notas comerciais, e parte do crédito rural com as emissões de CPR”.

Na parte de funding, o BC registra queda semestral de 2% no estoque de LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), movimento que atribui ao “cenário de menor apetite dos emissores em função da crise no crédito rural que se instalou em 2025”.

Cenário internacional preocupa

O cenário externo também aparece como fator adicional de preocupação. O BC afirma que “a eclosão do conflito entre EUA, Israel e Irã elevou consideravelmente a incerteza sobre o cenário global”, afetando “o fluxo de commodities pelo Estreito de Ormuz”.

Segundo o relatório, o conflito provocou “encarecimento dos preços de energia” e “reavaliação, pelos mercados, das perspectivas para a inflação”. O BC avalia ainda que “o prolongamento do conflito no Oriente Médio eleva a incerteza geopolítica e pode afetar fluxos globais de comércio e de commodities, com repercussões macrofinanceiras”.

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BC diz que impactos climáticos chegam ao sistema financeiro pelo agro

O BC (Banco Central do Brasil) afirmou que eventos climáticos extremos continuaram afetando operações de crédito rural em 2025 e provocaram aumento da inadimplência no setor agropecuário.

Segundo o REF (Relatório de Estabilidade Financeira), divulgado nesta segunda-feira (25), “as instituições foram impactadas principalmente no crédito rural, com aumento da inadimplência”.

Segundo a autoridade monetária, os impactos climáticos seguem chegando ao sistema financeiro principalmente por meio do risco de crédito ligado ao setor rural.

Na avaliação do BC, “o risco concentra-se na agropecuária e na indústria, especialmente a extrativista”. O relatório afirma ainda que, na agropecuária, “o risco alto é moda em todas as 122 atividades nas dimensões climáticas”.

O documento cita entre os eventos extremos registrados em 2025 tempestades no Sul do país, temporais no interior de São Paulo, enchentes e seca.

Segundo o BC, algumas instituições financeiras relataram ter usado a experiência dos eventos extremos de 2024 para aprimorar mecanismos de gerenciamento de risco climático.

O relatório também aponta redução no número de instituições financeiras que disseram ter sofrido impactos nas carteiras por conta da situação adversa no clima. O percentual caiu de 44% na pesquisa anterior para 21% no levantamento realizado em 2026.

Mesmo assim, na análise do BC o risco de crédito continua sendo o principal canal de transmissão dos riscos climáticos ao SFN (Sistema Financeiro Nacional).

O documento ressalta, porém, que “a inadimplência no agronegócio tem múltiplos fatores e que não é possível calcular o quanto é devido exclusivamente aos eventos climáticos”.

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Basf aposta em crédito digital e fidelização para ampliar vendas no agro

Com crédito mais caro e restrito no agronegócio, empresas do setor têm ampliado a oferta de ferramentas financeiras para sustentar as vendas de insumos e facilitar o acesso do produtor rural e distribuidoras ao financiamento. Nesse movimento, a Basf anunciou a ampliação da frente de crédito do ecossistema digital Conecta.ag, com previsão de disponibilizar até R$ 500 milhões em operações até o fim da safra 2025/26.

A iniciativa é realizada em parceria com a fintech Farmtech e tem foco nos distribuidores e cooperativas que integram a plataforma da companhia. O modelo prevê que a revenda receba o valor da venda à vista, enquanto o produtor mantém a compra a prazo, reduzindo a pressão sobre o capital de giro da distribuição em um momento de maior restrição financeira no campo.

Segundo a Basf, o Conecta.ag reúne atualmente 60 canais de distribuição e opera em quatro frentes: marketplace digital, soluções financeiras, programas de fidelidade e logística. A plataforma foi criada em 2022 em parceria com a Vertem. Em 2023, a companhia lançou o programa de fidelidade Conecta Pontos e, em 2024, passou a incorporar ferramentas financeiras ao ecossistema.

“Uma das formas da gente atender a diferentes dores e necessidades é através de um ecossistema. Em vez de uma empresa só resolver tudo, por que não contar com diferentes empresas que são especializadas em seus setores?”, disse Almir Araújo, diretor de digital, novos modelos de negócios e excelência comercial da BASF. 

Dentro da plataforma, os distribuidores utilizam ferramentas digitais para ofertar insumos agrícolas e outros produtos aos produtores rurais, incluindo itens ligados à operação agrícola e à agricultura digital. Segundo a companhia, as campanhas podem ser direcionadas diretamente aos agricultores por canais digitais, como o WhatsApp, em uma tentativa de digitalizar parte da relação comercial já existente entre revendas e clientes. 

 

De acordo com o executivo, a estratégia busca integrar indústria, distribuidores, cooperativas e empresas de tecnologia financeira para manter o fluxo comercial em um mercado marcado por operações a prazo. “Essas ferramentas financeiras ajudam o agricultor, mas também ajudam o distribuidor”, disse.

A operação de crédito ocorre por meio dos canais de distribuição, responsáveis pela relação comercial com os produtores. A análise e aprovação são feitas com tecnologia da Farmtech, em uma jornada digital integrada ao processo de venda.

Além do crédito, a Basf também vem expandindo a plataforma de fidelidade integrada ao ecossistema digital da empresa. Segundo a companhia, o sistema reúne mais de 2 milhões de opções de produtos e serviços para resgate e conta atualmente com mais de 65 mil produtores cadastrados.

Os indicadores da plataforma mostram avanço no uso do programa. Segundo a Basf, o valor resgatado cresceu, em média, 91% ao ano nos últimos dois anos. O volume de pedidos avançou 8% em relação a 2024, enquanto o resgate de produtos agro aumentou 94% na comparação anual. Já o ticket médio teve crescimento de 51%, puxado por itens de maior valor agregado.

Araújo afirmou que parte dos produtores utiliza os benefícios para adquirir equipamentos e serviços ligados à digitalização das operações agrícolas. “Ele está resgatando drones, ferramentas de monitoramento, ferramentas de agricultura digital”, disse.

A companhia também negocia a entrada de empresas de outros segmentos no ecossistema, incluindo montadoras e seguradoras. Segundo o executivo, o objetivo é ampliar a oferta de serviços ao produtor rural sem alterar a dinâmica atual de comercialização baseada na distribuição.

“Não é o nosso intuito vender diretamente ao produtor”, afirmou. Segundo Araújo, a proposta da plataforma não é substituir o modelo tradicional de comercialização no agro, mas operar como ferramenta de apoio para distribuidores e cooperativas. 

“O Conecta não cria uma disrupção no modelo que existe hoje, mas o potencializa através dessas ferramentas.” De acordo com Araújo, a BASF avalia que distribuidores e cooperativas seguem tendo papel central na assistência técnica, no relacionamento comercial e no suporte aos agricultores nas diferentes regiões produtoras.

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ANP abre consulta e audiência sobre regras do etanol

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) publicou, nesta terça-feira (26), aviso de consulta e audiência pública sobre mudanças na regulamentação da comercialização de etanol anidro combustível e na formação de estoques para o período de entressafra da cana-de-açúcar.

O aviso trata de proposta de alteração da Resolução ANP nº 946/2023, norma que estabelece regras para a comercialização de etanol anidro combustível e para a constituição de estoques durante o período de menor produção do setor sucroenergético.

Segundo a ANP, a medida integra a ação 4.10 da Agenda Regulatória 2025-2026. O objetivo da consulta pública é receber contribuições de agentes econômicos, consumidores e demais interessados sobre a minuta de resolução e os documentos técnicos que embasam a proposta.

A consulta pública ficará aberta por 45 dias a partir da publicação do aviso no Diário Oficial da União. As contribuições deverão ser encaminhadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no portal da agência.

A audiência pública está marcada para 3 de agosto, em formato virtual. Durante o encontro, a Superintendência de Distribuição e Logística da ANP fará a apresentação do tema e, em seguida, haverá espaço para manifestações dos inscritos.

Os interessados em participar como expositores ou ouvintes deverão se inscrever até 20 de julho, também pelo site da agência. Cada expositor terá tempo definido pela presidência da audiência e seguirá a ordem de inscrição.

A ANP informou ainda que pretende publicar o relatório das contribuições recebidas em até dez dias úteis após o encerramento da consulta pública. Já o relatório da audiência pública deverá ser divulgado em até 30 dias após a realização do evento. O posicionamento final da agência sobre as contribuições será publicado após deliberação da Diretoria Colegiada.

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São Martinho tem alta de 64,6% no lucro líquido do trimestre

A São Martinho encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 172,8 milhões, resultado 64,6% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. 

A receita líquida da companhia somou R$ 2,2 bilhões no trimestre, alta de 29,1% na comparação anual. 

O Ebitda ajustado atingiu R$ 1 bilhão no trimestre, avanço de 41,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

No acumulado da safra 2025/26, a empresa registrou lucro líquido de 836,2 milhões, 50,2% a mais na comparação interanual. 

A receita líquida totalizou R$ 7,4 bilhões, 3,3% maior que um ano antes. Já o Ebitda ajustado alcançou R$ 3,5 bilhões, crescimento de 1,7%.

A margem Ebitda ajustada fechou o período em 47,1%, recuo de 0,7 ponto percentual em relação à safra anterior. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou o ciclo em 1,41 vez, queda de 1,1% na comparação anual.

Produção e processamento

Durante a safra, a São Martinho processou cerca de 21,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e 521 mil toneladas de milho, totalizando 3,045 milhões de toneladas de ATR (açúcar total recuperável) produzido. 

Segundo a companhia, o período foi marcado por escassez de chuvas em uma fase considerada crítica para o desenvolvimento da lavoura, o que impactou a produtividade agrícola e o nível de ATR do canavial.

No período, a empresa comercializou aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de açúcar, 1,2 bilhão de litros de etanol, 1.113 mil MWh de energia elétrica renovável e 137 mil toneladas de DDGs.

Em comunicado, a companhia afirmou que o cenário da safra foi marcado por volatilidade nos preços das commodities, desafios climáticos e incertezas macroeconômicas. 

A empresa informou ainda que, diante da queda nos preços do açúcar e da volatilidade no mercado de etanol, alterou o mix de produção em setembro para ampliar a participação do biocombustível e concentrou 40% das vendas de etanol no quarto trimestre.

A São Martinho também destacou investimentos realizados ao longo de 2025, entre eles a aquisição de áreas de canavial da Santa Elisa. 

No segmento de novos negócios, a empresa informou o início da operação de sua planta de biometano na unidade Santa Cruz e anunciou novos investimentos em etanol de milho.

Segundo a companhia, os resultados da primeira planta acoplada na unidade Boa Vista motivaram a aprovação da expansão da capacidade de produção.

Projeção 2026/27

Para a próxima safra, a empresa projeta crescimento de 10,7% no ATR, totalizando 3,37 milhões de toneladas, e moagem recorde de cerca de 23,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar

De acordo com a companhia, a expectativa está relacionada aos índices pluviométricos registrados no encerramento do ciclo, à expansão na área de colheita e à gestão da massa verde nos canaviais.

Para a safra 2026/27, a empresa estima que a planta de etanol de milho contribua com 364,3 mil toneladas de ATR, a partir do processamento de 495 mil toneladas de milho, volume 5% inferior ao registrado anteriormente. A projeção considera produção de aproximadamente 209 mil metros cúbicos de etanol, queda de 5,4%, além de 134 mil toneladas de DDGs, recuo de 3,1%, e 8 mil toneladas de óleo de milho, redução de 0,3%.

Segundo a companhia, a estimativa considera níveis de eficiência industrial alinhados aos da safra 2025/26 e um período maior de manutenção em razão do cronograma de implementação da segunda fase da planta da unidade Boa Vista.

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O que é glifosato, alvo de ação do MPT na Justiça; entenda

O MPT (Ministério Público do Trabalho) pediu que a Anvisa e o governo federal proíbam o uso do glifosato, defensivo mais utilizado no Brasil. Mas o que é o glifosato e por que ele gera tanta controvérsia?

O glifosato é um herbicida usado para controlar plantas daninhas em áreas agrícolas, urbanas e de manejo florestal, bloqueando uma enzima essencial ao crescimento das plantas invasoras. 

Desenvolvido na década de 1970 e comercializado inicialmente pela empresa Monsanto, o produto tornou-se um dos defensivos mais utilizados no mundo, especialmente em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

Mas o glifosato é alvo de debate científico e regulatório há anos. Em 2015, a IARC (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde), classificou a substância como “provavelmente cancerígena para humanos”. A classificação levou diversos países a revisar regras de uso e estimulou disputas judiciais e debates públicos sobre segurança sanitária e impactos ambientais.

Ao mesmo tempo, outras agências reguladoras internacionais, como a Autoridade Europeia para Segurança dos Alimentos e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, concluíram que não havia evidências suficientes para classificar o glifosato como cancerígeno nas condições autorizadas de uso. 

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realizou uma reavaliação toxicológica e afirmou, em parecer publicado em 2019, que não encontrou evidências conclusivas de carcinogenicidade, mutagenicidade ou desregulação hormonal relacionadas ao produto nas condições avaliadas.

“Avaliações conduzidas em diferentes países ou por organismos internacionais podem adotar metodologias, parâmetros e objetivos distintos, considerando características próprias de cada sistema regulatório. Por esse motivo, comparações diretas ou interpretações isoladas de estudos e classificações podem não refletir integralmente as condições de uso, exposição e os referenciais adotados em cada jurisdição”, disse o Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), em nota.

As controvérsias também chegaram aos tribunais. Nos Estados Unidos, milhares de ações judiciais foram movidas contra a Bayer, que adquiriu a Monsanto, acusando a companhia de não alertar adequadamente consumidores e trabalhadores rurais sobre possíveis riscos associados ao herbicida. 

Alguns processos resultaram em indenizações milionárias a agricultores diagnosticados com linfoma não-Hodgkin. A empresa afirma que o produto é seguro quando utilizado conforme as orientações regulatórias e contesta a relação causal entre o glifosato e o câncer.

Além das discussões sobre saúde humana, estudos e movimentos sociais levantam preocupações relacionadas à contaminação ambiental, impactos sobre biodiversidade, resistência de ervas daninhas e presença de resíduos em água e alimentos. Em alguns países e regiões foram adotadas restrições parciais ou planos de redução do uso da substância.

No Brasil, o uso do glifosato é regulamentado por órgãos federais como a Anvisa, o Ministério da Agricultura e o Ibama. A legislação prevê regras de segurança para armazenamento, preparo e aplicação do produto. Entre as exigências estão o uso de equipamentos de proteção individual, treinamento de aplicadores, respeito a distâncias mínimas de moradias e fontes de água, além da observância das instruções presentes em bula e receituário agronômico.

As normas também estabelecem cuidados para evitar a deriva da pulverização, descarte inadequado de embalagens e contaminação ambiental. Segundo o Sindiveg, a segurança nas operações com defensivos agrícolas depende da adoção de protocolos de aplicação, planejamento das atividades e observância dos parâmetros técnicos específicos de cada modalidade de uso.

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MBRF investe R$ 500 milhões na Gelprime para ampliar produção de colágeno

A MBRF anunciou nesta terça-feira (26) um investimento de R$ 500 milhões na Gelprime, empresa especializada na fabricação e distribuição de gelatina e colágeno, da qual a MBRF detém 50% de participação desde outubro. Os recursos serão destinados à expansão da capacidade produtiva da companhia.

Segundo comunicado divulgado pela MBRF, os aportes permitirão a inauguração de uma nova linha de colágeno funcional no segundo semestre. O investimento inclui a aquisição de equipamentos para a produção do ingrediente, utilizado pela indústria alimentícia em produtos com maior valor agregado.

O plano de expansão também prevê a ampliação da linha de colágeno hidrolisado, com entrada em operação prevista para 2027. O produto é utilizado em suplementos e pode ser incorporado a diferentes categorias, incluindo bebidas e alimentos industrializados.

De acordo com a empresa, as novas operações devem permitir que a Gelprime dobre sua capacidade de produção. A expectativa é que a companhia alcance cerca de 30 mil toneladas de capacidade até 2030, posicionando-se entre as cinco maiores produtoras globais de gelatina e colágeno.

No comunicado, o chairman da MBRF, Marcos Molina, afirmou que a estratégia de crescimento da companhia está alinhada ao aumento da demanda global por proteínas e produtos de maior valor agregado, como gelatinas e colágenos.

Já o CEO da Gelprime, Vinícius Vanzella, declarou que a operação conjunta entre as empresas amplia a oferta de soluções proteicas derivadas da cadeia da carne, com foco em ingredientes de alta concentração de proteínas e pureza voltados à indústria alimentícia.

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