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Minerva Foods diversifica negócios e aposta em azeite extravirgem

A Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne bovina da América do Sul, está ampliando sua atuação para além das proteínas animais. A companhia passou a distribuir nacionalmente o azeite extravirgem Alma Lusa, marca desenvolvida exclusivamente para a empresa e produzida com matéria-prima de origem 100% portuguesa.

A entrada no segmento faz parte da estratégia da companhia de expandir sua presença em categorias de maior valor agregado e fortalecer seu portfólio de alimentos. Segundo a Minerva Foods, o mercado brasileiro de azeites movimenta cerca de 100 mil toneladas por ano e apresenta potencial de crescimento, uma vez que o consumo per capita ainda está abaixo dos níveis observados em países europeus.

De acordo com Daniela Arantes, head global de Marketing e Comunicação da Minerva Foods, a decisão de ingressar na categoria foi baseada em estudos que identificaram oportunidades em um mercado concentrado em poucos grandes players.

“O azeite é uma categoria relevante para o consumidor e apresenta espaço para novas marcas. Além disso, possui aderência ao portfólio da companhia, que busca oferecer produtos complementares ao consumo alimentar”, afirma.

A executiva ainda aponta que o Alma Lusa foi desenvolvido para atender às preferências do consumidor brasileiro. “Com perfil sensorial mais leve e versátil, o produto pode ser utilizado tanto no preparo quanto na finalização de receitas. A empresa destaca ainda a tradição portuguesa na produção de azeites como um dos diferenciais da marca”, informou.

A iniciativa reforça o movimento de diversificação da Minerva Foods, que nos últimos anos ampliou sua atuação para segmentos como pescados, cordeiros, vegetais, batatas congeladas e produtos empanados.

Segundo a companhia, a inclusão do azeite no portfólio gera sinergias comerciais, fortalece a presença da marca nos pontos de venda e amplia as oportunidades de crescimento em categorias consideradas estratégicas.

Atualmente, o Alma Lusa já figura entre as principais marcas de azeite importado comercializadas no Brasil, de acordo com a empresa, o que demonstra a receptividade do produto no mercado nacional.

Para os próximos anos, a expectativa da Minerva Foods é consolidar o Alma Lusa como uma referência entre os azeites portugueses disponíveis no país. A estratégia inclui ampliar a participação de mercado da marca e diversificar a linha de produtos.

Recentemente, a companhia lançou uma nova versão de 250 mililitros, voltada a diferentes ocasiões de consumo e perfis de consumidores.

A aposta da Minerva Foods acompanha uma tendência observada no setor de alimentos, em que consumidores buscam cada vez mais produtos associados à qualidade, rastreabilidade e origem.

Nesse cenário, a empresa acredita que a combinação entre a tradição portuguesa na produção de azeites e sua estrutura de distribuição nacional pode impulsionar o crescimento da marca nos próximos anos.

 

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Demanda recorde dos EUA abre espaço para avanço da carne bovina brasileira

A necessidade crescente de importação de carne bovina pelos Estados Unidos pode abrir novas oportunidades para o Brasil nos próximos anos. Segundo estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o país deverá importar cerca de 2,77 milhões de toneladas da proteína em 2026 e um volume próximo disso em 2027. Mesmo sem mudanças nas regras atuais, a expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 318 mil toneladas para o mercado norte-americano.

A avaliação é de Geraldo Isoldi, analista da Terra Investimentos, que vê potencial para um crescimento ainda maior caso os Estados Unidos eliminem a chamada TRQ (Tariff-Rate Quota), sistema de cotas que limita a entrada da carne bovina brasileira no país.

“Desses 2,77 milhões de toneladas que os Estados Unidos devem importar, a gente já projeta que o Brasil exporte cerca de 318 mil toneladas. Isso sem nada acontecer, com a TRQ mantida e com os impostos aplicados depois que a cota é esgotada”, afirma Isoldi.

Atualmente, o Brasil participa da cota destinada ao grupo de “outros países”, que até 2025 era de 65.005 toneladas. Neste ano, porém, os Estados Unidos transferiram 13 mil toneladas desse volume para o Reino Unido, reduzindo a cota compartilhada para 52 mil toneladas. O problema, segundo Isoldi, é que esse limite costuma ser preenchido nos primeiros dias de janeiro, obrigando os exportadores a pagar uma tarifa de 26,4% sobre os embarques realizados posteriormente.

O analista destaca que a situação coloca o Brasil em desvantagem frente a concorrentes como Austrália e Nova Zelândia. A Austrália, principal fornecedora de carne bovina para os Estados Unidos, possui uma cota próxima de 550 mil toneladas e não paga tarifas dentro desse limite. Mesmo fora da cota, a alíquota aplicada é de 21,1%, inferior à cobrada sobre a carne brasileira.

“A Austrália tem uma cota muito maior e condições tarifárias mais favoráveis. Enquanto o Brasil paga 40 centavos de dólar por quilo dentro da cota e 26,4% quando ela estoura, os australianos entram sem tarifa dentro do limite e pagam menos imposto fora dele”, explica.

Para Isoldi, uma eventual eliminação da TRQ mudaria significativamente a competitividade brasileira no mercado norte-americano.

“Se por um acaso fosse realmente derrubada a TRQ, a gente competiria em pé de igualdade com a Austrália, com a Nova Zelândia e com os demais fornecedores por esses 2,7 milhões de toneladas de carne que os Estados Unidos precisam importar. E a gente sabe que a nossa carne tem um preço mais competitivo”, afirma.

Segundo ele, embora alguns cortes australianos tenham preferência entre consumidores norte-americanos, principalmente por questões ligadas à qualidade e ao perfil do produto, o Brasil teria condições de ampliar sua participação no mercado.

“Não é uma concorrência 100%, porque existem cortes específicos em que eles preferem a carne australiana. Mas certamente o Brasil conseguiria exportar muito mais do que as 318 mil toneladas projetadas hoje”, diz.

A avaliação ganha força diante do atual cenário da pecuária norte-americana. Dados do USDA mostram que o rebanho bovino dos Estados Unidos caiu para 86,2 milhões de cabeças em janeiro de 2026, o menor nível dos últimos 75 anos. Além disso, problemas sanitários enfrentados pelo México reduziram o fluxo de gado destinado aos confinamentos americanos, dificultando a recomposição da oferta local.

Nesse contexto, Isoldi acredita que o mercado americano pode se tornar ainda mais estratégico para a carne bovina brasileira.

“Quem sabe até a ponto de compensar parte da perda que a gente pode ter com a cota chinesa. Os Estados Unidos têm uma necessidade muito grande de importação e o Brasil reúne competitividade de preço, escala de produção e capacidade de fornecimento”, afirma.

Apesar do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre o fim da TRQ para a carne bovina, a medida acabou sendo adiada após forte reação de entidades ligadas aos pecuaristas americanos. A preocupação do setor é que uma maior abertura às importações possa pressionar os preços internos e dificultar a recuperação do rebanho nacional.

Enquanto a decisão não é formalizada, o Brasil segue ampliando sua presença no mercado. Em 2025, os Estados Unidos importaram 229,5 mil toneladas de carne bovina brasileira. Apenas entre janeiro e abril deste ano, os embarques já somaram 135,6 mil toneladas, reforçando a importância crescente do destino para as exportações nacionais.

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Câmara reage a corte no seguro rural e quer convocar ministros

Diante dos cortes recém-anunciados pelo governo no seguro rural, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) apresentou, nesta terça-feira (9) à noite, requerimento na Comissão de Agricultura da Câmara para convocar os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e André de Paula (Agricultura).

Diferentemente dos convites, as convocações — se aprovadas pela comissão — são de comparecimento obrigatório.

Para o deputado, integrante ativo da bancada ruralista e presidente da Comissão de Agricultura no ano passado, o bloqueio de quase metade do orçamento previsto para 2026 tem sua gravidade ampliada porque o programa “não constitui despesa acessória ou secundária”.

“Trata-se de mecanismo estruturante da política agrícola nacional, destinado a reduzir o custo de contratação das apólices pelos produtores rurais, ampliar a proteção contra perdas decorrentes de seca, excesso de chuva, geada, granizo, enchentes, tempestades e outros eventos climáticos, bem como preservar a capacidade produtiva, o acesso ao crédito rural e a continuidade da produção agropecuária” afirma Nogueira no requerimento, obtido pela CNN.

“Sem subvenção suficiente, a contratação de apólices se torna mais cara e inacessível. Com menor cobertura securitária, aumenta-se a exposição do produtor a riscos, reduz-se a segurança das instituições financeiras na concessão de crédito rural e cresce a probabilidade de futuras demandas por renegociação de dívidas, prorrogação de financiamentos e socorros emergenciais.”

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Vittia conclui recompra de 4,5 milhões de ações e aprova novo programa

A Vittia, empresa brasileira de insumos biológicos, informou ao mercado nesta terça-feira (9) a conclusão de seu 5º Programa de Recompra de Ações, com a aquisição de 4,5 milhões de ações ordinárias, equivalente a 100% do limite aprovado pelo Conselho de Administração. O volume representa atualmente 2,8% do capital social da companhia.

Além do encerramento do programa, o Conselho de Administração aprovou o cancelamento de 4.455.436 ações ordinárias mantidas em tesouraria, adquiridas ao longo da iniciativa. A operação será realizada sem redução do capital social da empresa, utilizando saldos de reservas de lucro disponíveis, conforme previsto na regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Com o cancelamento, o capital social da Vittia permanece em R$ 618 milhões, mas passa a ser dividido em 157.589.984 ações ordinárias nominativas e sem valor nominal.

A companhia informou ainda que convocará uma Assembleia Geral Extraordinária para atualizar o Estatuto Social em função da alteração no número de ações emitidas.

Paralelamente, a empresa aprovou a criação de seu 6º Programa de Recompra de Ações. A nova iniciativa prevê a aquisição de até 4,5 milhões de ações ordinárias, também correspondentes a cerca de 2,8% do capital social da companhia e a 9,4% das ações atualmente em circulação no mercado.

Segundo a Vittia, o objetivo do programa é maximizar a geração de valor aos acionistas, permitindo que os papéis adquiridos sejam mantidos em tesouraria, cancelados ou utilizados em futuras operações estratégicas. Entre as possibilidades estão programas de remuneração baseados em ações, planos de opções para executivos e colaboradores, além de eventuais operações de fusões e aquisições.

O novo programa terá validade de 12 meses, com início em 9 de junho de 2026 e término em 8 de junho de 2027. A definição sobre o momento e a quantidade de ações efetivamente adquiridas ficará a cargo da diretoria da companhia, observadas as condições de mercado e a disponibilidade de recursos.

Atualmente, a Vittia possui 47,9 milhões de ações em circulação, o equivalente a 32,5% do capital social. Após o cancelamento aprovado pelo Conselho, a empresa informou que não permanecerão ações em tesouraria.

As operações de recompra poderão ser realizadas por meio das corretoras BTG Pactual, XP Investimentos, Itaú, Bradesco, Santander e Citigroup. Segundo a companhia, todas as informações detalhadas sobre o novo programa estão disponíveis nos canais de relações com investidores, da CVM e da B3.

https://www.cnnbrasil.com.br/agro/

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BB estima receber R$ 850 milhões em propostas de crédito na Bahia Farm Show

O Banco do Brasil (BB) estima receber R$ 850 milhões em propostas de financiamento durante a 20ª edição da Bahia Farm Show, que acontece em Luís Eduardo Magalhães (BA) até o proximo dia 13.

Segundo o banco, a expectativa é atender produtores de diferentes perfis, desde agricultores familiares até médios e grandes produtores, com linhas voltadas para aquisição de máquinas, armazenagem e investimentos em tecnologia.

Entre os produtos destacados pelo BB estão linhas de crédito rural como Moderfrota, Pronamp Investimento, Inovagro e Pronaf Mais Alimentos, voltadas para a compra de tratores, colheitadeiras, implementos agrícolas e modernização das propriedades.

A instituição também informou que dispõe de recursos para financiar silos e armazéns por meio do PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns), além de investimentos ligados à recuperação de pastagens, implantação de plantio direto e tecnologias voltadas à eficiência produtiva.

A expectativa do banco é reforçada pelo momento vivido pelo setor. Durante a abertura da feira, o governo federal anunciou uma nova linha de R$ 14 bilhões para financiamento de máquinas e implementos agrícolas, ampliando a oferta de crédito em um período marcado por juros elevados e demanda dos produtores por condições mais favoráveis de financiamento.

Segundo o diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Alberto Martinhago, a estratégia da instituição é oferecer linhas adequadas ao perfil de cada produtor e ampliar o acesso ao crédito rural.

Na agricultura familiar, as taxas de juros partem de 3% ao ano, enquanto para médios e grandes produtores os financiamentos começam em 8% ao ano. Os prazos podem chegar a 12 anos, com até três anos de carência para investimentos.

A Bahia Farm Show segue até sábado (13) e reúne fabricantes de máquinas, instituições financeiras, empresas de tecnologia e produtores de todo o país em uma das principais vitrines do agronegócio brasileiro.

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Brasil abre 13 novos mercados para produtos do agronegócio

O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) anunciou nesta terça-feira (9) a abertura de 13 novos mercados para produtos agropecuários nacionais, após a conclusão de negociações sanitárias e fitossanitárias com países da América do Sul, América Central, África e com a União Econômica Euroasiática. Com os novos acordos, o agronegócio brasileiro alcança 639 aberturas de mercado em 97 destinos desde o início de 2023.

Entre as autorizações obtidas estão a exportação de sêmen de pacu-caranha para a Argentina, couro bovino salgado para a Bolívia, material genético bovino para El Salvador e Honduras, milho pipoca para o Equador e a República Dominicana, além de sementes de coco, mamona, maracujá e pimenta habanero para diferentes mercados da região.

Também foram liberadas as vendas de ovos férteis para a Nigéria e de farinhas, gorduras animais e hemoderivados destinados à alimentação animal para a Etiópia.

Um dos destaques é a autorização para exportação de castanha de caju para a União Econômica Euroasiática, bloco formado por Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia. Segundo o governo, o bloco importou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários brasileiros no último ano, com destaque para soja, carnes e café.

De acordo com nota conjunta do Ministério da Agricultura e do MRE (Ministério das Relações Exteriores), as novas habilitações ampliam as oportunidades para produtores e exportadores brasileiros, diversificando a pauta de produtos com acesso ao mercado internacional.

Com os novos acordos, o agronegócio brasileiro alcança 639 aberturas de mercado em 97 destinos desde o início de 2023.

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Faep repudia bloqueio de quase metade dos recursos do seguro rural em 2026

O Sistema FAEP (Federação de Agricultura do Paraná) manifestou preocupação com o novo bloqueio previsto para o orçamento do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) em 2026. Segundo dados do Painel do Orçamento Federal, divulgados nesta terça-feira (9), o contingenciamento previsto é de R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% dos R$ 1,01 bilhão inicialmente destinados ao programa neste ano.

A entidade defende que o governo federal reverta imediatamente a medida para garantir previsibilidade e segurança aos produtores rurais que dependem do seguro para proteger a atividade contra perdas causadas por eventos climáticos.

De acordo com a FAEP, a redução dos recursos agrava um cenário já marcado por sucessivos cortes no programa. Em 2025, cerca de 42% do orçamento previsto para o PSR foi bloqueado. Já em 2024, a execução dos recursos ficou aproximadamente 40% abaixo do montante aprovado pelo Congresso Nacional.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a efetivação do bloqueio representaria um duro impacto para o setor agropecuário.

“Esperamos que o governo federal não efetive esse novo corte. Do contrário, será um golpe duro no produtor rural, que já enfrenta inúmeras dificuldades nas últimas temporadas”, afirma. “Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, já que somos o Estado que mais contrata o seguro rural no país”, acrescenta.

Os números reforçam a relevância do programa para os produtores paranaenses. Em 2025, o Estado registrou a contratação de 28,02 mil apólices, o equivalente a 43,7% de todos os contratos firmados por meio do PSR no Brasil, que somaram 64,17 mil apólices.

A entidade também chama atenção para a redução gradual da cobertura do seguro rural nos últimos anos. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que o número de apólices subvencionadas caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, uma retração de 68,3% em quatro anos.

No Paraná, a área segurada acompanhou essa tendência. Enquanto em 2021 mais de 3,8 milhões de hectares estavam protegidos pelo programa, em 2025 a cobertura recuou para 1,25 milhão de hectares, uma queda de 63,8%.

Segundo Meneguette, a diminuição da cobertura ocorre em um momento de maior exposição do setor às adversidades climáticas, aumentando os riscos para a produção agrícola.

“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta”, afirma. “Sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, conclui.

A preocupação do setor ocorre em meio ao bloqueio de recursos federais anunciado para 2026, que reduziu significativamente o orçamento disponível para o seguro rural, considerado uma das principais ferramentas de gestão de risco da agropecuária brasileira.

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Governo bloqueia metade do valor do seguro rural em 2026

O governo federal bloqueou R$ 461,7 milhões destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), segundo dados do Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento). O valor faz parte de uma contenção total R$ 1,01 bilhão aplicada ao orçamento do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).

Os números mostram que o seguro rural concentra 45,7% de todo o contingenciamento realizado na pasta, tornando-se a ação mais afetada pelo ajuste fiscal promovido pela equipe econômica.

De acordo com o Siop, os R$ 461,7 milhões contingenciados estão vinculados à ação “Concessão de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural”. O restante da contenção atinge programas de fomento ao setor agropecuário, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, além de ações ligadas à Embrapa.

O seguro rural é considerado uma ferramenta estratégica para proteger produtores contra perdas provocadas por eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, geadas e tempestades. Por meio do programa, o governo subsidia parte do custo das apólices contratadas pelos produtores.

O bloqueio ocorre em meio às medidas adotadas pelo governo para cumprir as metas fiscais previstas para 2026. A equipe econômica tem promovido contingenciamentos em diferentes áreas do Orçamento para adequar as despesas aos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal.

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Queda do petróleo pressiona contratos futuros do açúcar em Nova York

Os preços futuros do açúcar encerraram a sessão desta terça-feira (9) em queda na bolsa de Nova York, influenciados principalmente pelo recuo expressivo do petróleo no mercado internacional.

O contrato com vencimento em julho registrou desvalorização de 0,28%, encerrando o dia cotado a 14,08 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo análise da Barchart, os contratos do adoçante chegaram a atingir os menores níveis da última semana antes de fecharem em baixa. A pressão veio da forte queda do petróleo WTI, que recuou mais de 3% e atingiu a mínima de sete semanas.

A desvalorização do petróleo reduz a competitividade do etanol, o que pode incentivar usinas ao redor do mundo a destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, em vez do biocombustível. Esse movimento aumenta a perspectiva de oferta global da commodity e contribui para pressionar as cotações no mercado internacional.

Cacau

Os preços futuros do cacau encerraram em queda, devolvendo os ganhos observados no início do pregão diante de mudanças nas perspectivas climáticas para os principais países produtores da África Ocidental.

O contrato com vencimento em julho fechou o dia com desvalorização de 1,83%, cotado a US$ 3.831 por tonelada.

A pressão sobre as cotações ocorreu após atualizações meteorológicas indicarem a chegada de condições mais secas à África Ocidental nos próximos dias. O cenário reduziu parte das preocupações do mercado em relação aos danos causados pelas chuvas intensas registradas recentemente na região.

No início da semana, os preços haviam avançado depois que produtores da Costa do Marfim relataram que fortes chuvas e ventos afetaram os cacaueiros, destruindo botões florais e comprometendo o desenvolvimento das lavouras.

Além dos fatores climáticos, o mercado acompanha o posicionamento dos fundos de investimento. Segundo o relatório semanal COT (Compromissos dos Traders), os gestores ampliaram em 2.963 contratos suas posições vendidas líquidas em cacau na bolsa de Nova York na semana encerrada em 2 de junho, totalizando 21.111 contratos, trata-se do maior volume de apostas na queda dos preços em mais de três anos.

De acordo com analistas, esse elevado nível de posições vendidas pode aumentar a volatilidade do mercado e favorecer movimentos de recuperação caso investidores sejam forçados a recomprar contratos para encerrar suas apostas baixistas.

Café

Os preços futuros do café arábica finalizaram em baixa nas bolsas internacionais, refletindo a expectativa de ampla oferta com o avanço da colheita no Brasil.

O contrato do café arábica com vencimento em julho recuou 0,31%, encerrando o dia cotado a US$ 2,45 por libra-peso.

Durante o pregão, as cotações foram pressionadas pelo avanço da safra brasileira, cuja produção deve alcançar um volume expressivo neste ciclo. O Barchart apontou que houve um aumento da disponibilidade do grão no mercado tem reforçado as perspectivas de oferta e contribuído para a desvalorização dos contratos.

Com isso, o café arábica atingiu o menor patamar em 19 meses, enquanto o café robusta recuou para a mínima de dois meses. O mercado segue acompanhando o ritmo da colheita no Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, fator que continua exercendo influência sobre a formação dos preços internacionais.

Algodão

Os contratos futuros do algodão fecharam a sessão com desvalorização na bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em julho recuou 2,90%, fechando cotado a 71,26 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado segue acompanhando o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos. De acordo com o relatório de acompanhamento de lavouras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), 77% da área prevista para o cultivo de algodão já havia sido plantada até o último domingo, índice alinhado à média histórica para o período.

Suco de laranja

O vencimento em julho para o suco de laranja registrou alta de 6,07% na bolsa de Nova York, encerrando o pregão cotado a US$ 1,70 por libra-peso.

 

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Mercado de fertilizantes atrasa ritmo, e demanda final ainda é incerta

A comercialização de fertilizantes no Brasil acumula atraso de cerca de 7 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano passado, segundo estimativas apresentadas pela Mosaic. O movimento ocorre em um contexto de forte alta dos custos de matérias-primas, especialmente do enxofre, e de incertezas geopolíticas que afetam a cadeia global de suprimentos.

Ao mesmo tempo, a companhia decidiu interromper operações em unidades no Brasil e nos Estados Unidos diante do desequilíbrio econômico entre os custos de produção e os preços praticados no mercado de fertilizantes.

Nesta época do ano passado, cerca de 32 milhões de toneladas de fertilizantes já haviam sido entregues, enquanto neste ano o volume está em aproximadamente 25 milhões de toneladas, disse Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic, em evento promovido pelo Brazil Journal e The Agribiz nesta terça-feira (9).

“A pergunta que vem é: o mercado vai reduzir 7 milhões? Não sabemos”, disse. Segundo ele, parte dos produtores adiou as decisões de compra após perder o momento considerado mais favorável para aquisição dos insumos.

Monteiro destacou que ainda há espaço para recuperação da demanda nos próximos meses, já que, em algumas regiões do país, as compras para a safra de verão podem ocorrer até julho, agosto e, em determinados casos, até setembro.

Além do atraso nas negociações, a oferta também apresenta sinais de restrição. Dados citados pelo executivo apontam queda de aproximadamente 10% nas importações de fertilizantes fosfatados e de 12% nas de nitrogenados. O executivo ressaltou, porém, que a situação do fósforo é mais crítica.

O cenário é agravado pela escalada dos custos de produção. Um dos principais fatores é a valorização do enxofre, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Segundo Monteiro, o produto era negociado em torno de US$ 500 por tonelada antes do início do conflito no Oriente Médio e, atualmente, alcança cerca de US$ 1.250 por tonelada.

As tensões geopolíticas também têm ampliado as dificuldades logísticas e de abastecimento. Monteiro citou os impactos dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, além da recente decisão da Rússia de restringir o trânsito de enxofre proveniente do Cazaquistão.

“Imagine o que é você estar 11 semanas com os fluxos logísticos interrompidos e os preços subindo, com a matéria-prima cada vez mais restrita”, disse.

Segundo ele, Rússia e Cazaquistão respondem juntos por cerca de 15% da produção mundial de enxofre. A restrição ao transporte do produto aumentou a pressão sobre os fabricantes de fertilizantes fosfatados, que, em alguns casos, enfrentam custos de produção superiores aos preços de venda do produto final.

Nesse contexto, a Mosaic anunciou paralisações em suas operações. A empresa já interrompeu atividades em cinco unidades, incluindo duas parcialmente nos Estados Unidos, localizadas em Baton Rouge e Louisiana.

No Brasil, a companhia encerrou de forma permanente as operações da unidade de Araxá (MG), colocada à venda, e suspendeu temporariamente as atividades dos complexos de Tapira (MG) e Catalão (GO).

Segundo Monteiro, as paralisações temporárias estão diretamente relacionadas ao aumento do custo do enxofre e à dificuldade de repassar essa alta aos preços dos fertilizantes.

“O que a gente tem controle é efetivamente a gestão dos nossos custos, a segurança e a forma como interagimos com os clientes”, afirmou.

A empresa também participa de discussões com entidades do setor e órgãos do governo federal em busca de medidas para apoiar a produção nacional de fertilizantes fosfatados. Entre as propostas em debate está a criação de mecanismos temporários de suporte para a cadeia do enxofre. De acordo com o executivo, a indústria defende a adoção de subsídios temporários para o insumo, em modelo semelhante ao já existente para o diesel.

Apesar das dificuldades, Monteiro afirmou que ainda não é possível determinar se haverá escassez de fertilizantes no mercado brasileiro. Segundo ele, a combinação entre possível redução da demanda e diminuição da oferta torna difícil prever o equilíbrio do mercado nos próximos meses.

“O debate hoje é se faltará fertilizante em função da guerra ou se a redução potencial da demanda poderá funcionar como um ponto de equilíbrio”, disse.

Para o executivo, os meses de agosto e setembro tendem a concentrar os principais gargalos logísticos e de abastecimento. 

Diante desse cenário, “a palavra que predomina dentro desse mercado hoje é incerteza”, afirmou.

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gabriella-weiss/agro/por-que-o-brasil-precisa-importar-fertilizantes/

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