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Rastreabilidade no agronegócio impulsiona governança e competitividade nas cadeias produtivas globais

O Instituto CNA participou, em 27 de outubro de 2026, em São Paulo, do fórum “Agro em Código”, evento promovido pela Agência Brasileira de Automação em parceria com a Embrapa para debater a digitalização e a rastreabilidade na cadeia agroindustrial. O encontro reuniu lideranças empresariais, pesquisadores e representantes do setor produtivo com o objetivo de alinhar padrões globais de identificação e automação de dados às exigências dos mercados interno e externo. A iniciativa centralizou as discussões na transição do campo tradicional para arquiteturas de dados interoperáveis, capazes de conectar a produção primária aos canais de distribuição e consumo.

Transformação digital e regulamentação nos mercados globais

A adoção de sistemas de rastreabilidade deixou de figurar como um diferencial competitivo voluntário para se consolidar como exigência regulatória e mercadológica mandatória. Mercados consumidores de alta renda, com destaque para a União Europeia e os Estados Unidos, impõem critérios crescentes de compliance socioambiental e sanitário sobre as importações agrícolas. A comprovação de origem, o monitoramento do desmatamento e o controle de resíduos exigem que cada etapa da produção seja registrada sob padrões auditáveis.

No panorama sul-americano, o agronegócio brasileiro enfrenta o desafio de padronizar a coleta de informações em propriedades de variados portes. Enquanto grandes corporações exportadoras operam com sistemas integrados de gestão, médios e pequenos produtores rurais necessitam de suporte tecnológico e institucional para adequar suas rotinas operacionais aos novos protocolos internacionais de transparência.

Dimensão Estratégica Modelo Tradicional Modelo Digital Rastreável
Registro de Dados Manuais ou em cadernos de campo Sensores IoT e plataformas em nuvem
Conformidade Ambiental Declarações estáticas e pontuais Monitoramento georreferenciado contínuo
Acesso a Mercados Suscetível a barreiras não tarifárias Habilitação simplificada para exportação
Integração da Cadeia Fluxos de informação fragmentados Dados compartilhados via padrões globais

Arquitetura de automação e integração da cadeia de suprimentos

A implementação prática da rastreabilidade depende da harmonização de linguagens entre os elos da cadeia de suprimentos. A utilização de códigos de barras avançados, QR Codes bidimensionais e tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) possibilita a captura automatizada de dados desde o manejo inicial na fazenda até o ponto de venda final. Essa infraestrutura digital reduz erros operacionais, otimiza o gerenciamento de estoques e agiliza processos de recolhimento de lotes em casos de não conformidade sanitária.

A interoperabilidade entre os sistemas de gestão das fazendas e as plataformas de logística industrial constitui o pilar para a valorização do produto nacional. A digitalização dos registros de campo permite que métricas de produtividade e dados de sustentabilidade sejam anexados ao histórico de cada lote comercializado, criando um ativo reputacional financeiramente mensurável para o produtor rural.

  • Padronização de dados: Adoção de linguagens universais para leitura instantânea ao longo da distribuição.

  • Geolocalização de parcelas: Mapeamento de precisão para atestar a conformidade socioambiental das áreas produtivas.

  • Segurança da informação: Criptografia e registros imutáveis para garantir a integridade dos relatórios de auditoria.

  • Eficiência logística: Redução do tempo de permanência de cargas em entrepostos e postos de fiscalização.

Viabilidade econômica e metas de expansão tecnológica

O avanço das ferramentas digitais no campo exige investimentos contínuos em conectividade rural e capacitação técnica. As entidades do setor produtivo orientam suas ações para garantir que a transição tecnológica resulte em ganhos diretos de rentabilidade para os agricultores e pecuaristas, compensando os custos de implementação das novas ferramentas.

A convergência entre normativas estatais e demandas privadas orienta o cronograma de expansão das tecnologias de rastreabilidade para os próximos anos. A expectativa do setor é massificar o uso de plataformas acessíveis via dispositivos móveis, permitindo a inclusão produtiva de pequenos agricultores e consolidando o Brasil como fornecedor auditável de alimentos para o comércio internacional.

Etapa do Cronograma Meta Operacional Impacto na Cadeia
Fase I (Curto Prazo) Harmonização de padrões de identificação Redução de inconsistências em dados de origem
Fase II (Médio Prazo) Expansão da conectividade no meio rural Inclusão de pequenos e médios produtores
Fase III (Longo Prazo) Integração total via contratos inteligentes Automação de compliance e liquidação financeira

Análise Brasil Inovador

A institucionalização da rastreabilidade ponta a ponta consolida-se como a infraestrutura crítica para a sobrevivência e expansão do agronegócio nos mercados globais de alto valor agregado. A transição de um modelo de controle pontual para ecossistemas de dados em tempo real altera a dinâmica de financiamento, precificação de ativos e gestão de riscos na agroindústria. Empresas e produtores que integrarem a governança digital às suas operações obterão vantagens decisivas na captação de recursos via crédito verde e na mitigação de barreiras comerciais não tarifárias. O futuro da competitividade agrícola reside na capacidade de transformar conformidade socioambiental e eficiência operacional em dados auditáveis e acionáveis em escala global.

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A revolução das canetas emagrecedoras: do prato às cadeias globais de proteínas

Desde os anos 1980, a economia agrícola discute o chamado “efeito-graduação”: à medida que a renda per capita sobe e a urbanização avança as famílias mudam os seus padrões alimentares reduzindo a participação relativa de alimentos ricos em amido, como cereais e tubérculos, e passam a consumir mais proteínas animais (carnes, lácteos e ovos), além de frutas e hortaliças.

Foi esse movimento que transformou o Brasil no maior fornecedor mundial de proteínas, puxado pela China.Mais recentemente, a saudabilidade entrou na equação. Ganhou força o conceito de “food as pharma”, o alimento como parte essencial dos cuidados de nutrição e saúde, expresso nos alimentos funcionais e fortificados e na nutrição personalizada, que adapta a dieta às necessidades de cada pessoa. A pergunta deixou de ser apenas se o alimento fornece calorias e nutrientes e passou a ser como sua composição e seu consumo habitual afetam a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

As canetas emagrecedoras, combinadas a dietas equilibradas e atividade física, formam uma revolução inédita na saúde humana Foto: Shutterly/Adobe Stock

Agora surge uma terceira onda, bem mais disruptiva. Os agonistas de GLP-1 imitam um hormônio liberado pelo intestino após as refeições, que estimula a insulina, retarda o esvaziamento do estômago e sinaliza saciedade ao cérebro. A primeira molécula da classe chegou ao mercado em 2005, para o diabetes. O salto veio com a semaglutida (Ozempic de 2017 e Wegovy de 2021, da Novo Nordisk) e com a tirzepatida (Mounjaro de 2022, da Eli Lilly), que reduz o peso corporal com benefícios metabólicos e cardiovasculares relevantes.

Estamos passando do “food as pharma”, alimentos concebidos para promover saúde, para o “pharma as a modifier of food behavior”: fármacos que transformam a própria relação com a comida, regulando apetite e saciedade, com mais proteínas e menos carboidratos e aumentando a atividade física.

Os números impressionam. Após cerca de duas décadas de crescimento da obesidade nos Estados Unidos, pesquisas recentes apontam uma reversão dessa tendência, coincidente com a rápida expansão desses medicamentos. O Gallup estima que a taxa de obesidade dos EUA caiu de 40% da população adulta em 2022 para 36% hoje e que 11% dos adultos usam esses produtos para emagrecer, ante 3% há dois anos.

Em 2025, as vendas de tirzepatida (Mounjaro) somaram US$ 36,5 bilhões, hoje o medicamento mais vendido do mundo. No Brasil, as vendas de canetas emagrecedoras dobraram para cerca de R$ 11 bilhões em 2025 e devem chegar a R$ 20 bilhões em 2026. Elas já representam de 10% a 15% do faturamento das grandes redes de farmácia.

Os efeitos já aparecem no carrinho de compras. Estudo da Universidade de Cornell mostra que lares americanos com usuários de GLP-1 cortaram 5,3% dos gastos no supermercado, com queda de 10% em salgadinhos, doces e biscoitos, além de cortes significativos no consumo de álcool. Os restaurantes adotam versões menores dos pratos, e as redes já oferecem meias porções.

Ao mesmo tempo, cresce a demanda por proteínas, essenciais para preservar a massa muscular durante o emagrecimento. 84% dos consumidores brasileiros afirmam ter aumentado o consumo de proteína animal. Carnes magras, ovos, iogurtes, as proteínas do soro do leite (whey protein) e fibras viraram a moda do momento. Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e de frango, abre-se uma oportunidade de ampliar mercados e agregar valor.

Os custos ainda são elevados. O tratamento com as marcas de referência passa facilmente de R$ 1.000 por mês, e a OMS estima que menos de 10% de quem precisa terá acesso até 2030. Mas a concorrência já age. A patente da semaglutida (Ozempic) expirou no Brasil em março; a EMS lançou a primeira semaglutida nacional por cerca de R$ 450 a caneta, e a Anvisa já aprovou genéricos e similares. Novas moléculas, comprimidos e mais competição tornarão esses produtos cada vez mais baratos e acessíveis.

O saldo é positivo. A maior longevidade depende de três pilares: alimento na quantidade certa (segurança alimentar, ou food security), qualidade e sanidade do que se consome (segurança do alimento, ou food safety) e nutrição e saudabilidade (healthy food).

As canetas não substituem nenhum deles, mas, combinadas a dietas equilibradas e atividade física, formam uma revolução inédita na saúde humana. O agro brasileiro, que soube abastecer a “graduação” asiática, tem agora a chance de alimentar essa nova onda global com mais proteína, qualidade e saúde no prato.

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Sada destaca novos projetos de atendimento aos produtores rurais em encontro voltado ao setor do agronegócio

O fortalecimento da pecuária leiteira e a ampliação do acesso ao crédito rural estão entre os temas debatidos na plenária 5 do Peagro Summit 2026, que conta com a participação do secretário da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada), João Rodrigues. Durante o evento, o gestor apresentou iniciativas do Governo do Piauí voltadas à defesa agropecuária, à assistência técnica e à modernização do atendimento aos produtores rurais.

Na área da defesa agropecuária, João Rodrigues destacou a conquista do reconhecimento do Piauí como Área Livre de Febre Aftosa sem Vacinação e a realização do primeiro inquérito soroepidemiológico para Brucelose e Tuberculose no estado. O levantamento recebeu investimentos de R$ 400 mil do governo estadual e R$ 200 mil do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Foto: Reprodução/Secom Piauí
Foto: Reprodução/Secom Piauí
Foto: Ascom Sada

O secretário também apresentou os resultados e as perspectivas do Programa Piauí Mais Genética, iniciativa que oferece suporte ao melhoramento genético dos rebanhos e contribui para o desenvolvimento da pecuária estadual. Na área de financiamento, ressaltou a reestruturação da captação de recursos junto ao Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Badespi. A equipe responsável pela elaboração de projetos de financiamento passou de cinco para 72 técnicos capacitados, com a finalidade de facilitar o acesso dos produtores ao Crédito Rural Orientado.

Entre as novidades apresentadas está o Sistema TeleATER, desenvolvido pela Sada em parceria com a Empresa de Tecnologia da Informação do Piauí (Etipi). Inspirada no modelo do Saúde Digital, a plataforma prevê três modalidades de atendimento: assistência técnica digital, atendimento presencial e suporte por inteligência artificial (IA). A proposta é oferecer alternativas de orientação aos produtores, de acordo com suas demandas e necessidades.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
Foto: Reprodução/Secom Piauí
Foto: Ascom Sada

Outra iniciativa é o projeto ATER da Porteira para Dentro, desenvolvido pela Sada com atendimento integralmente presencial e acompanhamento técnico diretamente nas propriedades rurais. As duas propostas foram planejadas para funcionar de maneira complementar, combinando recursos tecnológicos e presença dos profissionais no campo.

A Sada estabeleceu como meta elevar a cobertura da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no Piauí dos atuais 4% para 20% ao longo dos próximos quatro anos, percentual equivalente à média nacional, segundo dados do IBGE de 2017. A estratégia envolve ampliar o atendimento aos produtores, facilitar o acesso ao financiamento e oferecer melhores condições para o desenvolvimento das atividades agropecuárias, dando continuidade às políticas públicas desenvolvidas pelo Governo do Piauí, por meio da Sada, voltadas ao campo.

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o que esperar do governo Lula para o agronegócio?

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os reflexos da eleição para o agronegócio e as perspectivas para os mercados foram os destaques do Radar Rural desta semana. O episódio também trouxe uma análise da valorização do boi gordo e o avanço do plantio da soja no Brasil.

Assista:

Agro aposta no diálogo com o governo

Após a eleição, lideranças do agronegócio sinalizaram disposição para dialogar com o governo federal. A expectativa é avançar em pautas como crédito rural, seguro rural, custos de produção e condições de financiamento.

No programa, a avaliação foi de que, independentemente das diferenças políticas, os produtores precisam de previsibilidade para planejar a atividade e enfrentar os riscos da produção. O acesso ao seguro rural também ganhou destaque, diante das perdas registradas no campo e da necessidade de proteção contra eventos climáticos.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, afirmou que a bancada apoiará pautas convergentes com os interesses do setor. A frente conta com 200 parlamentares eleitos e reeleitos, além de uma participação expressiva no Senado.

Boi gordo supera R$ 400 na B3

Na pecuária, o contrato futuro do boi gordo com vencimento em dezembro opera acima de R$ 400 na B3. A valorização ocorre em um cenário de escalas de abate curtas, entre cinco e seis dias úteis, em média, e demanda aquecida.

A procura chinesa pela carne bovina brasileira é um dos fatores que sustentam as cotações. Segundo analistas ouvidos pelo Canal Rural, o Brasil poderia embarcar até 400 mil toneladas para a China entre novembro e dezembro, movimento que aumentaria a pressão sobre os preços.

A gestão das cotas de exportação para o mercado chinês também está entre as questões acompanhadas pelo setor.

No mercado interno, o consumo de carne bovina tende a ganhar impulso com as confraternizações de fim de ano e o pagamento do 13º salário. Ainda assim, a alta da arroba não significa necessariamente maior rentabilidade para o pecuarista, já que os custos operacionais e de alimentação continuam pesando sobre as margens.

Plantio da soja avança, mas clima preocupa

O plantio da soja alcançou 42,8% da área prevista no Brasil, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ante 34% no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, a semeadura chegou a 60% da área estimada, contra 47% um ano antes.

O avanço ajuda a preservar a janela de plantio da segunda safra de milho, mas o desenvolvimento das lavouras dependerá da distribuição das chuvas nos próximos meses.

A Conab estima a produção brasileira de soja em 181,6 milhões de toneladas na safra 2026/2027. Entretanto, os efeitos do El Niño podem comprometer o resultado. Estudo da Serasa Experian aponta que, em um cenário de impactos semelhantes aos da safra 2023/2024, a produção poderia cair para 163,6 milhões de toneladas.

As estimativas ainda podem mudar conforme as condições climáticas ao longo do ciclo da cultura.

O Radar Rural é transmitido ao vivo pelo YouTube do Canal Rural às quintas-feiras, às 18h, e exibido na TV aos sábados, às 9h15.

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Bunge fecha fábrica de amônia na Argentina

🔍 A amônia é uma matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, aplicada em culturas como milho, trigo, cevada e arroz. Já o tiossulfato de amônio é usado na formulação de fertilizantes líquidos que fornecem nitrogênio e enxofre, nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas.

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Aportes em agtechs recuaram 79% no primeiro semestre

As agtechs brasileiras captaram R$ 94,7 milhões em investimentos no primeiro semestre de 2026, distribuídos em oito operações, segundo levantamento do Itaú BBA obtido pelo Valor. O número é 79% inferior ao do mesmo período de 2025, quando foram investidos R$ 450 milhões em 17 transações registradas.

A queda foi potencializada por uma base de comparação elevada, já que, no primeiro semestre de 2025, houve uma rodada de captação da Solinftec, empresa de inteligência artificial e robótica aplicada à agricultura, que movimentou, sozinha, R$ 300 milhões, segundo o Itaú BBA. Se esse investimento for desconsiderado da comparação, a queda no valor dos investimentos teria sido menor, de 37%.

Do total negociado no primeiro semestre, 92% das movimentações envolveram startups posicionadas “antes da porteira”, definição de negócios que antecedem a produção agropecuária — como sementes e biológicos — , ou “dentro da porteira”, que contemplam atividades na fazenda como plantio, manejo de pragas e colheita.

Os destaques “antes da porteira” foram as agfintechs, startups que dão acesso a crédito e fazem gestão financeira das fazendas, afirma Matheus Borella, líder em estratégia e inovação de agronegócio do Itaú BBA. Já “dentro da porteira”, os investimentos se concentraram em negócios dedicados à gestão da propriedade, telemetria e automação.

As agtechs que receberam investimentos no primeiro semestre de 2026 foram Agrorobótica, BemAgro e Sensix, que atuam com agricultura de precisão e análise de dados; Culttivo e Nagro, de crédito rural; Agrosys e erural, voltadas para gestão e comercialização; e a TRAG, especializada em seguro rural e gestão de riscos climáticos.

Segundo Borella, os juros altos e a aversão ao risco dos investidores têm repelido aportes maiores. Porém, ainda assim, “há dinheiro na mesa”, afirma.

A prioridade dos negócios voltados para o agro tem sido a redução de custos, observa o executivo. “O produtor rural sempre tratou isso como prioridade, porque o setor é volátil demais. Porém, com as margens mais apertadas do que nunca, hoje é a prioridade número um”, acrescenta.

Apesar da queda nos investimentos no primeiro semestre, Borella avalia que o resultado não é uma notícia ruim, e aponta para uma mudança do perfil dos investidores, que se tornaram mais “conscientes e seletivos”. Além disso, ele ressaltou que o agronegócio é cíclico. “É um mercado sazonal, ora sobe, ora desce”.

Na avaliação do Itaú BBA, diante dessa seletividade, há preferência por teses que combinam três características: eficiência operacional, geração de valor e capacidade de escala.

“Mais do que financiar crescimento, os investidores estão priorizando tecnologias que entreguem resultado mensurável e contribuam para aumentar a produtividade e a competitividade do agro brasileiro”, afirma o executivo do Itaú BBA.

Segundo ele, tecnologias relacionadas à eficiência operacional, à automação e ao uso inteligente de dados vão continuar despertando o interesse dos investidores, mesmo em um ambiente de menor liquidez.

Em 2025, o banco identificou que os investimentos em agtechs somaram cerca de R$ 562 milhões, distribuídos em 26 rodadas. Em comparação com 2024, já houve uma queda de 50% no volume investido e de 48% no número de operações, segundo o acompanhamento do Itaú BBA. O movimento já refletia um momento do mercado mais avesso ao risco, ressaltou então o banco.


Fonte: Globo Rural

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Reta final: Plantio da soja alcança 89% da área estimada em MT

A semeadura da soja em Mato Grosso entrou na reta final, de acordo com novo boletim do Instituto de Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Até ontem (30), os trabalhos chegavam 89% da área estimada para a safra 2026/27, um avanço de 13,24 pontos percentuais em relação à semana anterior. O ritmo dos trabalhos mantém uma perspectiva favorável para a implantação das culturas de segunda safra, como milho e algodão, dentro da janela ideal de plantio.

De acordo com o Imea, a região do Médio-Norte está próxima de concluir a semeadura da soja, com 99,71% da área plantada. Já as regiões Sudeste e Centro-Sul registraram os maiores avanços semanais, de 22,34 e 21,25 p.p, respectivamente.

Segundo Milena Bezerra, analista de soja do Imea, o avanço observado em outubro reflete a melhora das condições para a realização dos trabalhos no campo, após um início de safra marcado pela irregularidade das chuvas.

O plantio da soja começou na segunda quinzena de setembro. Nas três primeiras semanas, o ritmo ficou abaixo do considerado ideal devido à falta de chuva e baixa umidade do solo. Com isso, muitos produtores aguardaram precipitações mais regulares para intensificar as operações.

Durante esse mês de outubro, a melhora das condições de umidade permitiu acelerar a semeadura. No Noroeste, o maior volume de chuvas contribuiu para a retomada dos trabalhos, que anteriormente estavam limitados pela falta de umidade.

Nas regiões em que o plantio está mais avançado, o ritmo tende a diminuir naturalmente à medida que diminui a área restante a ser semeada. Apesar disso, o estado já ultrapassou 89% da área estimada, e as lavouras apresentam bom estabelecimento e desenvolvimento inicial, sem relatos relevantes de necessidade de ressemeadura.

Apesar do plantio estar entrando na reta final, as condições climáticas seguem no radar dos produtores. “Diante desse cenário, a semeadura se desenvolve de forma positiva, mas vale ressaltar que a safra ocorre sob a influência do El Niño, reforçando a importância do acompanhamento das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras”, destaca Milena Bezerra.

De acordo com o Imea, a conclusão do plantio da soja deve acontecer dentro do período planejado, sendo assim favorável para a implantação das culturas de segunda safra em 2027, como milho e algodão.

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Liderança feminina no agronegócio ganha destaque no WAWL 2026

WAWL 2026 destaca pesquisas sobre participação feminina, percepção internacional do Brasil e oportunidades para o setor.

A participação feminina na liderança do agronegócio ganhou destaque durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado em São Paulo (SP), em outubro de 2026. No dia 2, o World Agribusiness Women Leadership (WAWL) reuniu debates sobre governança, inovação, sucessão e o papel das mulheres nas relações comerciais internacionais.

O encontro ocorreu no Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa reforçou a importância de ampliar a participação feminina nas decisões que envolvem produção, sustentabilidade, gestão e desenvolvimento dos sistemas agroalimentares.

Pesquisas destacam participação feminina

Um dos estudos apresentados no WAWL analisou a percepção das mulheres sobre a imagem do Brasil. Conduzida pela consultoria OnStrategy, a pesquisa identificou avaliações femininas relativamente mais favoráveis ao agronegócio e a atributos associados à natureza e ao turismo, além de diferenças na percepção de outros setores econômicos.

Outro levantamento, voltado ao perfil da mulher no agronegócio brasileiro, comparou transformações observadas ao longo de uma década. Os resultados apresentados destacaram avanços na participação feminina na gestão rural, na formação profissional e na utilização de tecnologias.

Dados da Serasa Experian indicam que as mulheres representam aproximadamente 40% das pessoas identificadas como decisoras rurais em sua análise. A presença feminina também se amplia em atividades relacionadas à administração, comercialização e planejamento das propriedades.

Pesquisa, inovação e mercados internacionais

Na produção de proteínas animais, pesquisadoras, médicas-veterinárias, zootecnistas e profissionais de áreas como genética, nutrição e manejo contribuem para o desenvolvimento tecnológico e a aplicação do conhecimento científico no campo.

A ampliação do diálogo entre mulheres do agronegócio brasileiro e de outros países também representa uma oportunidade de apresentar a diversidade da produção nacional. A valorização das características regionais, da origem dos alimentos e das práticas sustentáveis pode contribuir para fortalecer a imagem dos produtos brasileiros.

Entretanto, uma percepção positiva não garante, isoladamente, crescimento comercial. É necessário transformar o reconhecimento em estratégias consistentes de comunicação, diferenciação e relacionamento com consumidores e compradores internacionais.

O avanço da liderança feminina exige ainda atenção das organizações à diversidade em seus cargos de gestão. Ampliar oportunidades de formação, participação e tomada de decisão é fundamental para que as transformações observadas no setor se consolidem.

Confira a matéria completa na edição 234 da revista Feed&Food.

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Programa seleciona negócios inovadores do agronegócio para capacitação internacional

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Empreendedores do Rio Grande do Sul que atuam no agronegócio e nas cadeias agroalimentares têm até 6 de novembro para se inscreverem no Edital de Chamamento Público Sict 03/2026. O governo do Estado, por meio da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) selecionará até 30 startups e até 15 mentores para participarem de capacitação realizada pela Wadhwani Foundation no programa Ignite. Publicado no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (23/10), o edital tem como objetivo apoiar a criação ou o fortalecimento de negócios baseados em inovação, oferecendo metodologia estruturada de desenvolvimento empreendedor e acesso a mentoria especializada.

O programa Ignite, reconhecido internacionalmente, propõe uma jornada prática de empreendedorismo que conduz os participantes pela identificação de problemas reais do mercado, validação de ideias, construção de protótipos e desenvolvimento de planos de negócio viáveis, com apoio de ferramentas digitais, inteligência artificial e acompanhamento de mentores. Além dos negócios, o edital também selecionará os mentores que irão atuar nas capacitações, ampliando a rede de apoio ao ecossistema de inovação do setor.

O cronograma prevê a avaliação das propostas entre 9 e 12 de novembro, com divulgação do resultado preliminar previsto para 13 de novembro. Os candidatos terão de 13 a 16 de novembro para apresentar recursos, cuja análise será feita no dia 17, e o resultado final da análise de mérito está previso para ser publicado em 18 de novembro.

A secretária em exercício da Sict, Mariela Portz, destacou que a parceria com a Wadhwani Foundation representa uma oportunidade de levar aos diferentes elos das cadeias agroalimentares uma metodologia já testada em outros países e alinhada aos esforços nacionais de capacitação em empreendedorismo no agro. “A expectativa é que os selecionados saiam da jornada com negócios mais estruturados, maior clareza de mercado e capacidade ampliada de gerar valor a partir da inovação”, comentou.

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Senar SE abre inscrições para cursos técnicos em Agronegócio e Zootecnia

(Foto: divulgação)

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) está com inscrições abertas para os cursos técnicos em Agronegócio e Zootecnia, ofertados gratuitamente e com aulas semipresenciais (60% a distância e 40% presenciais).

Em Sergipe, o curso técnico em Zootecnia oferece 90 vagas, distribuídas entre os polos de Carira, Itaporanga d’Ajuda e Porto da Folha, com 30 vagas em cada município. A novidade é a volta do curso técnico em Agronegócio, que será ofertado no polo de Aracaju.

Os cursos têm duração de dois anos, são destinados a jovens e adultos com ensino médio completo e seguem o eixo tecnológico de Recursos Naturais, conforme o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação (MEC). A formação é subsequente, ou seja, destinada a quem já concluiu o ensino médio.

Inscrições

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site Senar e-Tec até o dia 24 de novembro de 2026.

Produtores rurais, seus familiares e colaboradores têm prioridade na seleção, mediante comprovação de vínculo com a atividade rural.

Sobre o Curso Técnico em Zootecnia

Com carga horária total de 1.200 horas, o curso técnico em Zootecnia do Senar prepara profissionais para atuar nos processos de produção pecuária e no processamento de alimentos de origem animal, de acordo com boas práticas, normas técnicas e legislações do setor.

O técnico formado poderá atuar em propriedades rurais, cooperativas, empresas de consultoria e nutrição animal, indústrias de insumos agropecuários, além de órgãos públicos e instituições de pesquisa e extensão rural.

O mercado de trabalho para o técnico em Zootecnia está em expansão, acompanhando o crescimento das exportações brasileiras de carnes e a valorização da mão de obra qualificada no campo.

Sobre o Curso Técnico em Agronegócio

Com carga horária total de 1.200 horas, o curso técnico em Agronegócio do Senar desenvolve competências profissionais necessárias para a execução de ações de gestão e operação das cadeias produtivas do agronegócio, de acordo com boas práticas agrícolas, normas técnicas e legislações do setor.

O técnico em Agronegócio formado pelo Senar é um profissional especializado na execução de procedimentos de gestão do agronegócio, atuando no planejamento, na organização e no controle das atividades de gestão e operação do setor.

O mercado, principalmente no meio rural, está aberto a novos profissionais com conhecimento técnico, um perfil valorizado e ainda demandado no país. O técnico recém-formado poderá trabalhar em propriedades rurais, indústrias, federações, associações, empresas de pesquisa e instituições de fomento.

Para mais informações, acesse o edital ou acesse: https://www.etec.senar.org.br/

Fonte: Assessoria de Imprensa

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