Entregas de fertilizantes caem 14,7% em maio e produção nacional recua 26%

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro totalizaram 3,16 milhões de toneladas em maio de 2026, volume 14,7% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram comercializadas 3,70 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados com exclusividade pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos).

No acumulado de janeiro a maio, as entregas somaram 15,46 milhões de toneladas, uma redução de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o mercado registrou 15,81 milhões de toneladas.

De acordo com a ANDA, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado pelo impacto positivo da boa safrinha, com as compras ocorrendo dentro da normalidade. A entidade informa que, após o início da guerra no Irã, houve desaceleração de novos negócios, movimento refletido nas entregas de maio e que pode influenciar o abastecimento da safra 2026/2027. 

Entre os fatores apontados para a redução das entregas estão o cenário geopolítico internacional, as relações de troca acima das médias históricas, a escassez de crédito, os riscos relacionados a recuperações judiciais, as taxas de juros elevadas e os riscos climáticos associados ao El Niño.

Mato Grosso permaneceu como o estado com maior volume de entregas no acumulado do ano, com 3,89 milhões de toneladas, o equivalente a 25,2% do total nacional. Na sequência aparecem Paraná, com 1,75 milhão de toneladas; São Paulo, com 1,67 milhão; Goiás, com 1,61 milhão; e Minas Gerais, com 1,15 milhão.

Produção nacional

A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 485 mil toneladas em maio de 2026, resultado 26,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a maio, a produção atingiu 2,41 milhões de toneladas, redução de 17,1% frente às 2,9 milhões de toneladas produzidas no mesmo período do ano anterior.

Segundo a ANDA, a redução está relacionada principalmente ao aumento dos preços do enxofre, insumo utilizado na produção de fertilizantes fosfatados, segmento no qual se concentra a produção nacional. 

A entidade também informa que, em razão de mudanças na estrutura societária de empresas e da retomada de operações em alguns ativos, parte da produção nacional, especialmente de ureia e cloreto de potássio, não foi capturada pelos levantamentos do período.

Importações

As importações de fertilizantes intermediários também apresentaram retração. Em maio, o Brasil importou 3,31 milhões de toneladas, volume 9,4% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Entre janeiro e maio, as importações totalizaram 14,52 milhões de toneladas, redução de 2,7% em relação às 14,92 milhões de toneladas importadas no mesmo período do ano passado.

Porto de Paranaguá

Principal porta de entrada dos fertilizantes no país, o Porto de Paranaguá recebeu 3,64 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026. O volume representa queda de 9,6% na comparação com igual período de 2025, quando foram descarregadas 4,02 milhões de toneladas.

Segundo dados do Siacesp/MDIC, o terminal respondeu por 25,1% de todo o volume de fertilizantes importados pelos portos brasileiros no período.

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