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Minerva prioriza redução da dívida e limita dividendos a 25% do lucro

A Minerva Foods informou nesta segunda-feira (31) que pretende usar a geração de caixa para reduzir o endividamento e a alavancagem da companhia, atualmente em 2,9 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda (Lucros Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização).

A estratégia foi detalhada pela empresa após questionamentos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre declarações feitas durante o Financial Day da companhia.

Segundo a Minerva, a estratégia de desalavancagem deve incluir disciplina financeira no pagamento de proventos e a expectativa da administração é que, até que a alavancagem seja reduzida a níveis considerados adequados, as distribuições aos acionistas se limitem a 25% do lucro líquido anual ajustado, sujeitas às deliberações dos órgãos competentes.

A companhia ressaltou que esse percentual está de acordo com a legislação societária, o Estatuto Social e a Política de Destinação de Resultados. Pelas regras da empresa, o dividendo mínimo obrigatório corresponde a 25% do lucro líquido anual ajustado nos exercícios em que o índice de alavancagem estiver acima de 2,5 vezes.

A companhia afirmou ainda que vem adotando medidas para melhorar o perfil de sua dívida. Desde o início de 2026, a empresa recomprou e cancelou mais de R$ 1,2 bilhão em títulos de dívida, os chamados Bonds, no mercado secundário.

A companhia encerrou o segundo trimestre com alavancagem líquida de 2,9 vezes dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses. Segundo a Minerva, o resultado ocorreu mesmo diante da volatilidade dos mercados e de investimentos em capital de giro realizados no primeiro semestre.

A empresa também destacou que uma eventual recuperação da demanda por carne bovina na China e nos Estados Unidos pode ampliar a geração de caixa livre até o fim de 2026. A Minerva, no entanto, reforçou que essa possibilidade não representa uma projeção de resultados.

De acordo com a companhia, os comentários feitos no Financial Day trataram da viabilidade e dos objetivos da estratégia de redução da alavancagem no curto e médio prazo, além dos possíveis impactos do cenário macroeconômico sobre os negócios.

A Minerva afirmou que, diante da volatilidade do ambiente econômico, os objetivos de desalavancagem poderão ser reavaliados e ajustados ao longo do tempo.

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Preço futuro do boi gordo fecha estável na B3 após forte alta em agosto

Os contratos futuros do boi gordo encerraram a sessão desta segunda-feira (31) com pequenas oscilações na B3, em um movimento de acomodação após a forte valorização registrada ao longo de agosto.

O contrato com vencimento em setembro terminou o pregão cotado a R$ 357,10 por arroba, com queda de 0,15%. Já o vencimento para outubro, um dos contratos de referência e entre os mais negociados da curva, recuou 0,11%, a R$ 367,80 por arroba.

Segundo Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, o mercado futuro segue firme e com viés de alta, mas apresentou comportamento mais estável ao longo do dia. Para o analista, o anúncio de alívio tarifário nos Estados Unidos não produziu, até o momento, efeito imediato relevante sobre os preços do boi no mercado brasileiro.

“Pouco mudou o ânimo do mercado. Os contratos futuros do boi gordo seguem firmes e com viés altista”, afirmou Fabbri.

O analista avalia que a medida norte-americana também não deve alterar, no curto e médio prazo, a necessidade de importação de carne bovina pelos Estados Unidos a ponto de provocar uma mudança significativa nos fundamentos do mercado brasileiro.

Na avaliação de Raphael Galo, da A7 Capital, o comportamento desta sessão deve ser analisado dentro do movimento de agosto. O contrato com vencimento em agosto expirou hoje a R$ 344,07 por arroba, enquanto os vencimentos de setembro a novembro acumularam altas de aproximadamente 2,6% a 4,7% no mês.

A valorização ganhou força após o anúncio, em 21 de agosto, posteriormente oficializado entre os dias 26 e 27, de uma redução temporária das tarifas norte-americanas sobre até 300 mil toneladas de carne bovina importada. A medida prevê alívio tarifário por 90 dias, mas não garante que esse volume será destinado ao Brasil, que disputa o mercado com outros fornecedores.

A curva de preços dos contratos futuros da B3 mostra que os preços avançam de forma significativa já entre agosto e setembro, sinalizando que os agentes incorporaram uma percepção de oferta mais apertada no curto prazo.

O vencimento novembro foi o vencimento que apresentou a maior valorização no mês, justamente no fim da janela de 90 dias da medida anunciada pelos Estados Unidos.

Apesar da alta acumulada, o pregão desta segunda-feira foi marcado por pouca volatilidade. Os contratos de setembro, outubro e novembro permaneceram próximos da faixa observada ao longo da última semana, sem rompimentos relevantes para cima ou para baixo.

Para Galo, uma eventual reação mais forte à medida norte-americana teria maior probabilidade de aparecer primeiro na própria B3, por meio de movimentos especulativos. Até o momento, porém, esse comportamento não foi observado de forma significativa.

Enquanto os futuros apresentaram um dia de acomodação, as ações dos frigoríficos tiveram uma sessão mais pressionada. Marfrig, JBS e Minerva registraram movimentos de baixa, com a Minerva encerrando o pregão com queda de 1,29%.

Ainda de acordo com o Galo, o movimento das ações ocorreu em meio à divulgação, nesta segunda-feira, pelo governo dos Estados Unidos, do programa “Produtores em Primeiro Lugar”, que amplia o acesso ao crédito e dá prioridade nas compras federais aos pequenos frigoríficos americanos. A iniciativa também reforça a intenção do governo de manter o abastecimento de carne bovina sob maior controle de empresas domésticas.

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Governo reserva R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares em 2027


O governo Luiz Inácio Lula da Silva reservou R$ 44,8 bilhões para essas verbas no ano que vem. Os dados fazem parte do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 enviado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira.

O número representa uma alta de R$ 4 bilhões em relação ao proposto para 2026.

A tendência, porém, é de alta entre o que o governo reservou e o que será indicado pelos parlamentares. É que o governo reserva apenas o dinheiro das emendas impositivas e cabe ao Congresso encontrar espaço para emendas não obrigatórias.

Neste ano, foram reservados R$ 40,8 bilhões pelo governo, mas o valor aprovado subiu para R$ 50 bilhões.

Emendas parlamentares são uma parte do Orçamento a que deputados e senadores podem escolher a sua aplicação, como obras, serviços e compras de materiais. Geralmente, destinam esses recursos para suas bases eleitorais.

Hoje existem três tipos de emenda. As individuais, divididas igualmente entre os membros do Congresso Nacional e a que todos os deputados e senadores têm direito; de bancada, cuja destinação do recurso é definida pelo conjunto de parlamentares de cada estado; e as de comissão, com o destino decidido pelos colegiados temáticos de Câmara e Senado.

As duas primeiras categorias são de execução obrigatória, ou seja, o governo é obrigado a pagar, desde que não haja algum tipo de empecilho técnico. O terceiro tipo não é obrigatório, mas o Executivo costuma desembolsar os recursos por conta de acordos políticos.



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Taxa de confinamento menor em 2026 pode sustentar alta do boi gordo

A oferta de boi gordo no Brasil pode ficar mais restrita na reta final de 2026 diante do menor número de animais encaminhados aos confinamentos neste ano. Dados do Cepea mostram que a ocupação dos bovinos confinados permanece abaixo dos níveis registrados em 2025, apesar da recuperação observada a partir de junho.

A diferença em relação ao ano passado chegou a cerca de 20% em maio e, mesmo com a retomada ao longo dos meses seguintes, o indicador continuou negativo em agosto. Para o mercado, o movimento aumenta a preocupação com a disponibilidade de animais terminados no segundo semestre, período em que o confinamento tem participação relevante na formação da oferta.

De acordo com o Informativo Cepea de Análise Econômica Semanal sobre Confinamento, a trajetória de 2026 começou próxima à observada em 2024, mas perdeu força em relação a 2025 ao longo do primeiro semestre. No ano passado, o número de animais confinados apresentou crescimento mais consistente e atingiu os maiores volumes entre setembro e outubro.

Neste ano, embora tenha havido recuperação a partir de junho, o avanço ainda não foi suficiente para eliminar a distância em relação a 2025.

No início de 2026, o indicador chegou a registrar alta de 12,5% na comparação anual. O movimento, porém, perdeu força e passou para o campo negativo. Em diferentes momentos, as quedas chegaram a 13,1%, 20,3% e 14,4% ante os mesmos períodos de 2025.

A menor entrada de animais nos sistemas intensivos de engorda pode ter reflexos nos meses seguintes. Como o confinamento permite acelerar a terminação dos bovinos, uma redução no número de animais encaminhados ao sistema tende a diminuir, posteriormente, a disponibilidade de gado pronto para o abate.

O efeito, no entanto, não significa necessariamente uma redução imediata dos abates. A oferta também depende de animais provenientes de outros sistemas de produção, das condições das pastagens, do comportamento dos pecuaristas em relação à retenção ou descarte de fêmeas e do ritmo de comercialização.

Ainda assim, a menor ocupação dos confinamentos reduz uma importante fonte de oferta para o segundo semestre e pode aumentar a disputa entre frigoríficos pelos animais disponíveis.

Mercado futuro

Segundo o Cepea, a expectativa de uma oferta mais restrita de boi gordo no fim do ano já aparece nas cotações do mercado futuro. A valorização dos contratos indica que os agentes consideram um cenário de maior disputa pela matéria-prima nos próximos meses.

A formação dos preços futuros, porém, não depende apenas do confinamento. Consumo doméstico, exportações, câmbio e demanda dos principais compradores internacionais também são determinantes para o comportamento da arroba.

Para os frigoríficos, uma oferta mais enxuta pode dificultar a recomposição das escalas de abate e elevar o custo de aquisição do gado. Caso a demanda por carne permaneça aquecida, a indústria pode precisar pagar mais pelo boi para garantir matéria-prima, pressionando as margens caso o aumento dos custos não seja repassado ao longo da cadeia.

Para o pecuarista, por outro lado, o cenário pode favorecer o poder de negociação. Com menor disponibilidade de animais terminados, produtores que chegarem ao fim do ano com gado pronto para venda podem encontrar um ambiente de preços mais firmes.

A taxa de ocupação do confinamento desde junho pode reduzir parte da diferença em relação a 2025, mas, até agosto, o nível ainda permanece abaixo do observado no ano passado. Com isso, a evolução da entrada e da saída de animais dos confinamentos passa a ser um dos principais indicadores para medir a oferta de boi gordo nos últimos meses de 2026.

De acordo com o Cepea, a menor disponibilidade de animais se confirmar e vier acompanhada de demanda firme por carne bovina, o cenário pode sustentar novas altas da arroba. Caso consumo interno ou exportações percam força, porém, a pressão de valorização tende a ser limitada.

 

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Principais aportes para estatais em 2027 beneficiam Correios, diz Moretti


O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta segunda-feira, 31, que os principais aportes previstos pelo Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) em 2027 em estatais são R$ 6 bilhões para os Correios e R$ 653 milhões para a Eletronuclear.

“Os outros têm valores insignificantes. Muito pequenos”, disse durante coletiva sobre o PLOA realizada nesta segunda-feira, 31.

Questionado sobre emendas, Moretti afirmou que somente as emendas impositivas serão projetadas no PLOA. Ele detalhou que são R$ 44,8 bilhões em 2027.



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Camari mira expansão em SP e prevê produzir 25 toneladas de carne por dia

O Grupo Camari, especializado na produção e industrialização de proteínas animais, está se preparando para uma nova etapa de expansão no interior de São Paulo.

Após três décadas de operação, a empresa pretende elevar a produção dos atuais 18 a 19 toneladas de carne por dia para até 25 toneladas nos próximos anos, movimento que deve exigir novos investimentos principalmente na suinocultura.

Segundo o fundador e diretor do Grupo Camari, José Camilo Mendonça, a indústria já possui capacidade instalada para operar nesse patamar, mas o aumento da produção dependerá da ampliação gradual da estrutura de granjas.

“Nós temos uma capacidade já instalada dentro da Camari hoje para trabalhar com folga até 24, 25 toneladas por dia”, afirmou. Segundo ele, a empresa trabalha com a possibilidade de alcançar esse volume em um horizonte de dois a três anos, embora os projetos estejam sendo estruturados para os próximos cinco anos.

A expansão ocorre em paralelo ao avanço comercial da companhia no interior paulista. A Camari atende atualmente a Rede Savegnago e foi convidada a ampliar a presença para regiões como São Carlos e Araraquara, ambas cidades no interior paulista. A estratégia é avançar pelo centro do estado, mantendo uma operação regional que favoreça a distribuição de produtos resfriados.

A companhia, que possui atualmente inspeção pelo SISP (Serviço de Inspeção do Estado de São Paulo) produz cerca de 18 a 19 toneladas por dia. A expansão comercial deve acrescentar aproximadamente 100 quilômetros à área de distribuição, alcançando novos mercados a partir da região de Ribeirão Preto, Jaboticabal e outras cidades já atendidas.

Produtos industrializados

A estratégia de crescimento da Camari também passa pela mudança no perfil do portfólio, já que a empresa pretende ampliar a participação de produtos de maior valor agregado, como temperados, embutidos, defumados, hambúrgueres e itens porcionados.

Para Mendonça, a mudança acompanha a transformação do comportamento do consumidor, que busca cada vez mais praticidade na alimentação.

“O cliente quer o produto já pronto ou semipronto”, disse. Segundo ele, a tendência favorece produtos que exigem menos preparo e podem ser levados diretamente da gôndola para casa.

A aposta em alimentos processados também tem uma lógica financeira. De acordo com o empresário, a carne in natura está mais exposta às oscilações típicas das commodities, enquanto produtos industrializados podem proporcionar maior estabilidade às margens.

“Os produtos mais industrializados, no sentido de um preparo mais fácil para o nosso cliente, fazem com que você tenha um mercado um pouco mais estável”, afirmou.

A companhia, por isso, prevê novos investimentos em equipamentos para ampliar a industrialização. A linha de produtos temperados voltados principalmente ao churrasco é apontada pelo empresário como uma das que apresentam crescimento.

Verticalização para controlar custos

A estratégia da Camari é baseada em uma forte verticalização da cadeia produtiva. A empresa atua desde a aquisição de grãos utilizados na alimentação dos animais até a produção das proteínas e sua industrialização.

Na suinocultura, a alimentação representa cerca de 70% dos custos da operação, segundo Mendonça. Nesse cenário, a companhia busca reduzir a exposição às oscilações de preços por meio da compra antecipada de milho, sorgo, farelos, aminoácidos e outros insumos.

“Esse é o maior gargalo nosso, trabalhar sempre com custo de produção”, afirmou.

Na bovinocultura, a empresa trabalha com recria suplementada e confinamento. Nesse segmento, além da alimentação, Mendonça aponta o custo de aquisição dos animais como um dos principais desafios.

Segundo ele, a relação entre o preço do bezerro e o valor da arroba do boi tem pressionado a atividade de recria. Diante desse cenário, a estratégia da companhia é elevar produtividade e controlar os custos ao longo da cadeia.

Abatedouro está nos planos

Um dos próximos passos da verticalização poderá ser a entrada da Camari no abate de suínos. Atualmente, os abates são terceirizados, o que significa que a empresa não captura diretamente as receitas geradas pelos subprodutos do processo, como farinhas de carne e de sangue.

Mendonça afirma que um abatedouro próprio ainda depende de escala. A expectativa é que um crescimento de 20% a 25% no volume de abates de suínos possa criar condições para viabilizar o investimento.

“Um abatedouro precisa de escala”, disse em entrevista à CNN Brasil.

Além de reduzir custos, a estrutura própria permitiria à Camari capturar valor de subprodutos que hoje permanecem com os prestadores responsáveis pelo abate.

No caso da bovinocultura, entretanto, o empresário considera que a escala atual não justificaria a construção de uma unidade própria.

Biossegurança como estratégia de negócios

Outro eixo da estratégia da empresa é a produção de suínos com foco em biossegurança. Em 2013, a Camari encerrou duas granjas e construiu uma nova unidade com estrutura voltada para elevar o nível sanitário dos animais.

Segundo Mendonça, a granja é livre de micoplasma, o que reduz problemas respiratórios e, consequentemente, a necessidade de utilização de antibióticos.

A decisão, tomada há mais de uma década, é vista pelo empresário como uma preparação para uma demanda que tende a ganhar força entre consumidores e mercados mais exigentes.”A gente fez uma granja voltada para essa parte de biossegurança”, afirmou.

A estrutura também pode contribuir para uma futura estratégia de exportação. Para isso, entretanto, a Camari precisaria avançar do SISP para o SIF (Serviço de Inspeção Federal), além de ampliar a escala de produção.

Sucessão e crescimento orgânico

A expansão da empresa também está sendo acompanhada por um processo de sucessão familiar. Os filhos de Mendonça, Lucas e Gabriel, já participam dos negócios e estão envolvidos nos projetos de crescimento.

A empresa iniciou suas atividades em 1996, quando Mendonça decidiu deixar uma carreira de 11 anos no setor de fertilidade do solo para investir na suinocultura. O projeto começou com a criação de suínos a campo e posteriormente avançou para a industrialização.

A estratégia, segundo o empresário, sempre foi agregar valor à produção em vez de atuar apenas como produtor de animais.

“Eu sabia que tinha que agregar valor e por isso que tinha que começar uma industrialização”, concluiu.

 

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Justiça manda avaliar Heringer antes de proteção contra credores

A Justiça de São Paulo determinou uma análise prévia da situação da Fertilizantes Heringer antes de decidir se concede à empresa proteção de 60 dias contra cobranças e execuções de credores. A medida foi solicitada pela companhia após o início de um processo de mediação para renegociar suas dívidas e reorganizar a estrutura financeira.

A empresa iniciou em 25 de agosto um procedimento de mediação com credores e, no mesmo dia, entrou com uma tutela cautelar de urgência na Justiça paulista. O objetivo é criar uma janela para negociar os compromissos financeiros e preservar o andamento das tratativas. A companhia ainda não obteve, portanto, a suspensão solicitada.

Na decisão, o juiz determinou que uma empresa especializada faça uma análise da situação real da Heringer, incluindo a verificação das condições de funcionamento, da documentação apresentada no processo e da regularidade das atividades. A constatação também deverá avaliar a existência de eventual grupo econômico, possíveis interconexões entre ativos e passivos e a localização dos principais estabelecimentos da companhia.

O processo tem valor da causa de aproximadamente R$ 1,98 bilhão. O montante, no entanto, não deve ser interpretado automaticamente como o total da dívida da companhia, segundo informações sobre o processo.

A decisão judicial ocorre em meio a uma deterioração da situação econômico-financeira da fabricante de fertilizantes. Entre os elementos apresentados no processo estão patrimônio líquido negativo, capital circulante líquido negativo, prejuízos recentes e incertezas relacionadas à continuidade operacional da empresa. A constatação prévia foi determinada justamente para permitir uma avaliação objetiva dessas condições antes da análise do pedido de proteção.

A Heringer afirma que a medida tem caráter temporário e não representa, por si só, interrupção das atividades. Segundo a companhia, as operações comerciais e industriais, incluindo as unidades de produção e os canais de venda, permanecem em funcionamento.

O movimento acontece após a empresa registrar prejuízo líquido de R$ 37,3 milhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a receita líquida caiu 54,8%, para R$ 316,5 milhões. As entregas de fertilizantes recuaram 62,4%, de 274 mil para 103 mil toneladas, segundo dados divulgados pela companhia e reportados pelo mercado.

A Heringer já passou por um processo de recuperação judicial, quando a companhia entrou com o pedido em 2019 e renegociou mais de R$ 2 bilhões em dívidas. O processo foi encerrado em 2022, agora, a empresa tenta utilizar a mediação com credores como alternativa para reorganizar sua estrutura financeira sem, neste momento, apresentar um novo pedido de recuperação judicial.

A constatação prévia terá prazo para ser concluída, e a Heringer deverá se manifestar posteriormente sobre o laudo. Só depois dessa etapa a Justiça deverá analisar o pedido de suspensão por 60 dias. A decisão será importante para determinar se a empresa terá proteção temporária contra cobranças e execuções enquanto tenta chegar a um acordo com os credores.

A companhia informou que continuará adotando medidas para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, aumentar a eficiência, adequar a estrutura de capital e reforçar a sustentabilidade econômico-financeira no longo prazo.

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Homem é baleado no peito por disparo acidental em clube de tiro no Paraná


Um homem de 37 anos foi baleado no sábado (29) por um disparo acidental em um clube de tiro localizado no distrito de Novo Sobradinho, em Toledo, no interior do Paraná. As informações são do portal g1 e confirmadas pela Jovem Pan.

Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que o “autor do disparo assinou termo circunstanciado de infração penal pelo crime de lesão corporal na modalidade culposa”. A corporação disse que o homem atingido será ouvido “assim que tiver alta hospitalar”.

As câmeras de segurança do clube de tiro registraram o momento do incidente. No local, a área administrativa do clube, havia três homens e uma mulher.

O homem atingido manuseava uma pistola. Na sequência, ele deixa o armamento sobre a mesa. O autor disparou, pegou o equipamento e acabou efetuando o disparo logo depois.

Os dois homens envolvidos no incidente eram visitantes do clube. O autor do disparo é Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Já a pistola tem registro regular.

O homem atingido pelo disparo foi internado no Hospital Bom Jesus (HOESP).



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PLOA prevê R$ 29,7 bilhões para crédito climático em 2027

O PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) prevê R$ 29,7 bilhões em operações de crédito reembolsável do FNMC (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima), que poderão apoiar projetos alinhados à agenda de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas.

Entre as principais aplicações para o setor está o financiamento de práticas associadas à agricultura de baixo carbono, em linha com as diretrizes do Plano ABC, como recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, rotação de culturas, uso de bioinsumos e adoção de sistemas integrados de produção.

A proposta prevê que os recursos sejam disponibilizados por meio de financiamentos com condições favorecidas, permitindo que produtores e empresas tenham acesso a crédito com custo inferior ao de linhas convencionais de mercado para investimentos enquadrados nas políticas climáticas.

O PLOA estima um benefício creditício de R$ 30,4 milhões para cada R$ 1 bilhão concedido em 2027. Considerando toda a duração dos contratos, o benefício estimado sobe para R$ 198 milhões por R$ 1 bilhão financiado.

O cálculo considera a diferença entre o custo de captação dos recursos e as taxas oferecidas aos tomadores, em comparação com o custo médio de emissão da dívida pública federal. Na prática, o mecanismo reduz o custo financeiro de investimentos considerados estratégicos para a transição para uma economia de menor emissão de carbono.

No campo, uma das principais frentes de aplicação está relacionada à ampliação de tecnologias de produção de baixo carbono. O financiamento pode apoiar práticas que aumentem a produtividade sem necessidade de expansão da área cultivada e, ao mesmo tempo, reduzam a emissão de gases de efeito estufa.

A recuperação de pastagens degradadas, por exemplo, é uma das alternativas com potencial de impacto direto sobre a pecuária. A melhoria da qualidade das pastagens pode elevar a capacidade produtiva das áreas já utilizadas e reduzir a necessidade de abertura de novas áreas.

Também estão entre as possibilidades o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos, além da adoção de tecnologias voltadas à mitigação das emissões no processo produtivo.

Outro caminho é a expansão de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, que combinam diferentes atividades na mesma propriedade e podem contribuir tanto para a produtividade quanto para a conservação dos recursos naturais.

Além da produção de baixo carbono, os recursos do Fundo Clima podem ser direcionados à restauração florestal e à adaptação baseada em ecossistemas. No setor, isso inclui investimentos na recomposição de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, além de projetos relacionados à adequação ambiental das propriedades e à implantação de sistemas agroflorestais.

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Orçamento de 2027 tem previsão de superávit primário de R$ 18,6 bi


O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou nesta segunda-feira, 31, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027, o primeiro a ser executado no próximo mandato presidencial, com a previsão de um superávit primário de R$ 18,6 bilhões nas contas públicas, mesmo contabilizando todas as despesas que podem, legalmente, ficar de fora da meta fiscal.

Se o resultado se tornar realidade, será o primeiro número positivo nas contas do governo federal em cinco anos. O último foi em 2022, durante mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – que teve um superávit de R$ 54,1 bilhões, mas postergando o pagamento de precatórios (dívidas judiciais da União).

A meta para o ano que vem é um superávit de R$ 73,2 bilhões – ou 0,5% do PIB -, mas o governo é autorizado a excluir do cálculo R$ 65,6 bilhões em despesas – como precatórios e alguns gastos com Defesa – para atingir o resultado. Considerando as exceções, o governo promete cumprir o objetivo com uma folga de R$ 10,1 bilhões em relação ao centro da meta.

A ideia de uma meta formal, com as exclusões previstas em lei, e outro resultado real, contabilizando tudo, tem sido criticada por especialistas por deixar mais confusa a leitura do Orçamento e por enfraquecer o indicador de resultado primário (saldo entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida).

O esforço da equipe econômica para mostrar um número “azul” em 2027, ainda que na peça orçamentária, acontece em meio a desconfianças por parte do mercado financeiro e de especialistas de que um eventual quarto mandato de Lula consiga reequilibrar as contas públicas.

Nesta segunda-feira, 31, o Banco Central informou que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, atingiu 82,5% do PIB, o maior patamar, excluindo o período da pandemia de covid-19. Ainda assim, em sabatina na TV Globo, o presidente Lula afirmou “não estar preocupado” com a dívida.

Após o envio do Orçamento, o texto ainda será apreciado pelo Congresso Nacional, que também precisa voltar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. Enquanto a LDO estabelece as diretrizes da peça orçamentária, como as metas para o ano, o Orçamento estima e detalha as receitas e despesas para se chegar ao resultado.

No último ano, o governo enviou o Orçamento de 2026 com uma previsão de superávit de R$ 34,5 bilhões, mas, hoje, projeta um déficit real de R$ 52 bilhões neste ano. Ou seja, entre o projeto orçamentário e a execução das despesas, o resultado piorou.

Para os próximos anos, o governo prevê aumentar a meta de resultado primário, para 1% do PIB em 2028, 1,25% do PIB em 2029, chegando a 1,5% em 2030. Especialistas entendem que o governo terá de apresentar um plano sólido de ajuste fiscal ou será obrigado a revisar para baixo esses números.

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A equipe econômica, por seu lado, aposta na aprovação de gatilhos e novas medidas que deem mais flexibilidade orçamentária para atingir os resultados.

Salário mínimo de R$ 1.741

O salário mínimo em 2027 será de R$ 1.741, segundo a peça orçamentária do governo. O valor é corrigido automaticamente, tendo como base a inflação do ano anterior e o PIB de dois anos anteriores, e é usado para calcular as despesas com benefícios da Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e seguro desemprego, que vêm crescendo.

Segundo a equipe econômica, as despesas obrigatórias, o piso da saúde e as emendas parlamentares vão crescer menos que o teto do arcabouço fiscal em 2027. As despesas obrigatórias somarão R$ 91,7% do total em 2027, segundo o projeto de Orçamento, uma redução em relação ao porcentual de 92,% em 2026.

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Conforme o Estadão mostrou, quase 70% das despesas do governo federal sujeitas o arcabouço estão crescendo acima do limite máximo de 2,5% em 2026.

O governo diz que terá um ajuste fiscal de aproximadamente R$ 100 bilhões em 2027 com medidas já aprovadas, como o pacote fiscal de 2024, gatilhos para conter o crescimento das despesas com pessoal, e o projeto aprovado recentemente para conter o crescimento de despesas obrigatórias e o piso da saúde.

O Orçamento não considera aprovação de novas medidas de receitas e despesas no Congresso Nacional.

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Aporte nos Correios

O governo projeta fazer um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios, que está executando um plano de recuperação após prejuízos bilionários. Só no primeiro semestre deste ano, registrou um prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, alta de 30,36% ante o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões no mesmo período do ano passado.

O número já estava previsto no plano de recuperação da empresa, e era uma contrapartida do governo ao empréstimo de R$ 12 bilhões tomado pela estatal junto a bancos públicos e privados.



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